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terça-feira, 28 de abril de 2015

Ocitocina e o aconchego

Usei esse TED talk em umas duas aulas, e cada vez que assisto a ele mais uma vez, fico mais encantada com o funcionamento do nosso cérebro e do nosso corpo.
Basicamente ela fala que o estresse é prejudicial só se você acreditar que ele é prejudicial, e mesmo que isso pareça balela de auto-ajuda, há uma pesquisa científica que prova isso.
Mas a parte mais fascinante é como a ocitocina é fundamental para lidarmos com o stress. A ocitocina é um neuro-hormônio produzido pela glândula pituitária, no hipotálamo, e é conhecida como o "hormônio do amor", porque ela é liberada quando abraçamos alguém, por exemplo.
No entanto, a ocitocina é também um hormônio liberado em situações de stress. Ela faz você querer contato físico. Sabe quando você está loko loko loko do koo, a vida está ruim, e você procura pessoas que você ama pra desabafar, procura um abraço, um colinho, um ombro amigo? Isso é um mecanismo do corpo, é a ocitocina agindo pra que você reaja de alguma maneira e se acalme.
O coração tem receptores para esse neuro-hormônio, então quando a gente está lá, lokona com rímel borrado escorregando pela parede e com o coração aceleradão por causa do stress, a ocitocina vai lá, fala pro coração que tudo vai ficar bem, e ajuda células a se regenerarem e se curarem de qualquer dano que o stress possa ter causado. A ocitocina é responsável por nos tornar empáticos, e preocupados com os outros.
Então podemos dizer que um abraço naquela hora de tristeza ou de stress realmente acalma o coração. Cientificamente acalma o coração. O chamego num momento difícil, o ombro amigo silencioso e presente, o colo naquela hora de desespero - tudo o que procuramos nesses momentos, e que achávamos que era algo social, não é somente. É o nosso cérebro querendo nos ajudar, é a ocitocina querendo ir acalmar o coração.
Se isso não é bonito pra caralho, não sei mais o que pode ser.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Being Camila

Uma aluna ia passar um ano no Canadá e queria se acostumar um pouco com o sotaque de lá. Eu expliquei que não havia necessidade, pois sotaque canadense está longe de ser o escocês, irlandês ou - valha-me - australiano (no meu ranking de sotaques o australiano é o último. Não perguntem). Ela insistiu, disse que queria se sentir mais segura, e lá fui eu procurar coisas além de Alanis Morissette e Mandy Patinkin. Encontrei um seriado que se passa em Toronto chamado "Being Erica".

A premissa do seriado é simples: mulher nos seus trinta e pouquinhos, toda fodida, demitida, pé na bunda, família querendo que ela case; conhece um terapeuta que diz que pode ajudá-la. É isso, mas não só isso. O terapeuta é meio estranho (pleonasmo?) e oferece a ela uma oportunidade única: Erica pode listar todos os momentos-chave de sua vida, momentos em que ela fez merdinha, e ela poderá voltar no tempo e mudar aquela situação. Ela só não pode alterar a morte.

E lá vai Erica listar todos os seus grandes arrependimentos, desde os tempos de escola, até os mais recentes. E os episódios vão rolando com um retorno ao passado por vez, onde ela tem a chance de agir diferente e, é claro, enxergar as situações de maneira diferente também. É um sci-fi meio chick flick meio sem noção mas é um bom divertimento.

Passei todos os episódios da primeira temporada refletindo sobre meu passado. Olha, se tem uma coisa que eu realmente faço é refletir sobre o passado, e não é porque não superei algumas coisas, mas porque eu curto mesmo relembrar. Minha cabeça é uma timeline, eu lembro de datas, roupas, situações. Se eu pudesse voltar no tempo, talvez eu mudasse algumas pequenas situações na adolescência porque eu era tão esquista e tão tonta que me irrito só de lembrar. Mas tirando essas situações bobas em que eu daria um fora em quem me tratasse mal, eu não mudaria mais nada.

Minha vida está longe de ser perfeita, mas quem tem uma vida perfeita? Mesmo quem tem uma vida que consideraríamos perfeita acha motivos para achar coisas ruins. Somos todos imperfeitos e assim são nossas vidas. E mesmo com toda essa imperfeição, eu não mudaria nada. Qualquer alteração mínima certamente alteraria tudo, e eu não estaria aqui, hoje, escrevendo esse post.

Talvez eu não desistisse da faculdade, mas e se eu continuasse, e fizesse amigos, e não conhecesse os amigos que tenho hoje? E se eu fizesse aquele intercâmbio, e morasse pra sempre no exterior, e não conhecesse meu marido? E por aí vai. O bullying que sofri, o cyberbullying que sofri, os abandonos, as vitórias, os acertos, os tropeços, os muitos erros me fizeram ser exatamente quem eu sou e me colocaram exatamente onde estou.

Logo mais vou fazer sopa, meu marido vai me ajudar, e vamos assistir "Game of Thrones". Hoje paguei minhas contas todas e ainda sobraram uns caraminguás. Falei de Martin Scorcese pra minha aluna de 14 anos e ela ficou super interessada em assistir alguns filmes dele. Pra uma quarta-feira chuvosa, pós feriado, acho que tá muito bom. Eu podia estar rica, numa ilha paradisíaca, tomando piña colada? Podia. Mas queria estar numa ilha incrível sendo o meu eu de agora, com as pessoas que me cercam agora.

Tá tudo bem, mas não tá perfeito. Tá tudo mais ou menos legal. E pode melhorar. Eu gosto de quem eu sou hoje em dia.




domingo, 12 de abril de 2015

Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre, que eu tô feliz!

Fazia muito tempo que eu não tomava um porre, um porre daqueles de gente grande mesmo. Eu tenho uma tolerância alta com destilados, já cheguei a beber uma garrafa de cachaça com mais dois amigos e não fiquei bêbada. Mas com fermentados a coisa não fica muito boa. Vinho é a minha bebida favorita do mundo todo, e quando eu fico bêbada de vinho - acontece pouquíssimo, as acontece - eu fico meio possuída pelo ritmo Ragatanga.

A Ragatanga me faz falar MUITO e, claro, muita merda. Vou tirando sarro das pessoas, faço dancinhas, conto histórias - eu geralmente não me lembro, mas os amigos me contam depois. O problema da Ragatanga é que eu falo merda por horas, e aí começo a passar mal. E me dá um blackout tão sério que eu acordo no dia seguinte sem nem saber onde estou ou como cheguei ali, Berenice segura, nós vamos bater, nada mais me lembro.

Ontem foi a noite do meu grande porre anual 2015. Tenho um grupo de amigos que é minha segunda família, e eles estiveram ao meu lado, segurando minha mão, desde a descoberta do câncer, cirurgia, o susto do ano passado, o alívio dessa semana. O apoio que recebi deles foi imenso: me acompanharam em exames, foram buscar resultados comigo, foram me buscar no hospital, me ouviram chorar, me ouviram lamentar, me mandavam mensagens, me ligavam. Tive todo o apoio da minha mãe, marido, e dos meus amigos.

Pois ontem foi com eles que eu comemorei que não tinha horcrux do Voldemort no meu corpo. Faltaram 3 pessoas essenciais nessa comemoração, mas sei que poderemos comemorar todos de novo, outras vitórias. Eu fiz risoto ao pesto, um amigo que também cozinha bem fez um lombinho assado, e ficamos lá, comendo, bebendo e conversando. Mas aí o vinho bateu. Eu acho que bateu forte daquele jeito porque a emoção era muito grande. Ou talvez porque esteja meio fraca de tanto tomar antibióticos pra sinusite. Ou talvez tenha sido tudo.

Eu fiz brinde e saí abraçando a todos. Chorei de soluçar abraçada a um amigo. Agradeci a presença deles. Dancei Macarena. Derrubei uma amiga no chão. Passei mal e fui socorrida. Acordei na cama de uma amiga sem nem saber como tinha chegado ali, e meu marido teve que me contar o que tinha acontecido. Saí de lá descalça, 6 da manhã. Que noite gloriosa!

Se tem uma coisa da qual eu orgulho é das amizades que eu fiz depois de adulta. Esse grupo de amigos começou pelo meu outro blog, fui conhecendo as pessoas, e aí todo mundo foi se gostando, mais pessoas chegaram, e estamos aí, não mais tão jovens, mas nos divertindo juntos até hoje. É uma enorme benção ter ao seu lado pessoas que te deixam 100% confortável, com quem você pode falar o que for que fica tudo bem.

Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi. E bebi.

Obrigada, meus amigos. Vocês são a riqueza da minha vida!