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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A ala geriátrica

Hoje, pra variar, fui ao Mercado de Pinheiros. Chegando ao meu box favorito (Entreposto da Feijoada ♥), o espaço diminuto estava lotado de hipsters. Em 5 segundos eu resmunguei uma ladainha inteira na minha cabeça. "Esse pessoal metido a moderno, vai hipsterizar "meu" mercado, afff, gente uó, VAZA, SAI DAQUIII".
Nem vou me desculpar por todo esse resmungo porque, vejam bem, ele aconteceu na minha cabeça, ninguém ouviu, e eu nenhum hipster foi machucado nesse processo. Vocês só estão acessando meus pensamentos porque eu estou contando eles aqui.
Pois bem. Tô lá poderosíssima comprando tapioca granulada e queijo coalho, quando um hispstey DE COQUE chega pra mim e fala:
- Nossa, moça, me fala o que você vai fazer com esses ingredientes? Fiquei curioso. Que receita é essa?
E aí, nos mesmos 5 segundos em que resmunguei mentalmente xingando a grande, porém jamais mainstream, nação hipster, imediatamente parei de achar ruim aquelas presenças e comecei a explicar detalhadamente pro moço como fazer dadinhos de tapioca com queijo coalho. No fim, tinham uns 3 em volta, ouvindo a explicação.
Foi aí que caiu a minha ficha de que eu estou lentamente adentrando a ala da geriatria, e aos poucos estou me tornando aquela tiazinha que passa receita aos jovens, não sem antes ter amaldiçoado a todos eles mentalmente, porque o que esses jovens estão fazendo aqui no *meu* mercadinho do bairro?
Será que aos poucos eu me tornarei a minha avó?

terça-feira, 7 de abril de 2015

É um pouco cansativa a vida de educadora. Muita gente me diz que sou educadora na alma mesmo, que é algo tão dentro de mim, arraigado, que já é parte de mim. Eu concordo. Não sei não ser professora. Se eu for te ensinar a fazer alguma coisa, pode ter certeza que eu vou pensar em como fazer isso didaticamente, ainda que eu esteja te ensinando a cozinhar um ovo.

E essa vida é cansativa porque eu enxergo o mundo através dos olhos de uma educadora, e não de uma mulher de negócios. Eu sou as duas coisas, e tento ser as duas coisas da melhor maneira possível, mas eu sei que sou mais professora. Não adianta negar.

Quando você é uma pessoa de negócios você vai levar contratos cartesianamente, e quem não cumprir é errado. E é isso mesmo, não cumpriu, é errado. Mas eu não consigo chegar pra pessoa batendo o meu pau imaginário na mesa e falando "está no contrato, se não quiser cumprir você será acionado judicialmente". Não consigo fazer isso, mas devia ter os colhões de fazer. Porque no fim, as pessoas são abusadas mesmo. Tudo pensam em "jeitinho", em "pena", em "ah, mas eu não sabia", quando a coisa é realmente simples: leia o contrato antes de assinar.

Estou com um perrengão de trabalho por conta de uma mãe que mimou demais a filha, e agora a filha quer parar as aulas, e a mãe não quer pagar a multa de contrato - que é apenas pagar 50% da mensalidade do mês, nada de mais. A mulher já reclamou, já esperneou, e eu lá argumentando que está no contrato, explicando a cláusula, explicando mo motivo da multa - ou seja, sendo professora. Ela está há algumas horas sem reclamar, mas sei que isso me dará um trabalho enorme ainda.

Passei o dia inteiro nesse duelo entre a mulher de negócios (que tem que receber sua multa) e a professora (que entende que às vezes o aluno não gosta do professor e ponto final). É realmente cansativa a vida de educadora.

terça-feira, 22 de março de 2011

Legendaddy

CONTÉM UM SPOILR SOBRE HOW I MET YOUR MOTHER. Se você é fã do programa e não está acompanhando a sexta temporada, continue lendo por sua conta e risco.

Eu amo o seriado "How I Met Your Mother". E, diferentemente de Friends, onde eu passava por fases de ter uma personagem favorita - Chandler, Ross, para ficar com Joey como o meu mais querido de todos - eu não consigo ter um preferido em HIMYM (essa grafia é só para os íntimos). Mas, confesso, que Barney Stinson chega bem perto de ser meu Joey. Amo os bordões dele, o jeito womanizer, o esforço que ele faz para esconder que tem um coração - ainda que ele falhe nesse quesito. O Barney passa muitas temporadas tentando descobrir quem é o pai dele. Obviamente ele cria muitas histórias sem pé nem cabeça e muitas expectativas também. Barney começa a ter pistas sobre seu pai muito tarde, com quase 30 anos. Acho que já ficou claro porque Barney tem um lugar um pouquinho maior no meu coração.

Quando ele finalmente conhece o pai, a decepção. Ele não era nada daquilo que ele esperava, é claro. E o confrontou. E quis saber por que ele não quis ser pai dele, sendo que, agora, o pai dele é um pai de família. Se o cara queria só ser pai de família, por que não quis ser pai da família do Barney?

E eu chorei vendo isso, obviamente. Acho que o que mais me incomoda, ainda, é não ter tido a chance de nenhum confronto. Tantos anos, tantas dúvidas, tanto rancor - e a mim não foi dada a chance nem de confrontar, de perguntar, de xingar. Eu guardo raivas desnecessárias dessa história toda e acho que, parte delas, é porque eu não pude perguntar nada diretamente a ele. Ele havia morrido. E aí, por mais maluco que isso seja, às vezes eu me pego pensando no que eu diria. Na conversa que eu teria. Nos palavrões que eu proferiria. Pra mim, só teria sentido falar tudo isso pra ele. Mesmo que ele, aquele pudim de cachaça insuportável, não conseguisse ligar um neurônio a outro pra entender o que eu dissesse. Eu não quero ter raiva da ex-esposa. Nem guardar rancor dos meus irmãos. A única coisa que eu queria, de verdade, era o confronto.

Mas isso fica só pros meus momentos de loucura mesmo.