É cada uma que eu vejo. Professor começa a dar aula sem fazer teste de nível nenhum. E aí, escolhe material como? Escolhe material errado, né. E isso por que? Porque pessoal quer pagar 20 reais a hora pro professor particular ir até a empresa e dar aulas personalizadas.
Alunos compram material, o mesmo é inadequado ao nível, as aulas começam e não rendem nada. Param as aulas, me procuram pois fui bem indicada. E eu não consigo esconder a cara de horror ao saber que não houve nenhuma nivelação.
Resultado: estão usando material para Upper Intermediate quase Advanced quando deviam estar usando para Intermediate.
Isso mesmo, gente, continuem contratando aventureiros, native speakers sem nenhum tipo de treinamento, gente que cobra super barato. Continuem assim, que aí as aulas vão pro vinagre e eu ganho alunos novos.
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segunda-feira, 27 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Eu participo de um grupo de professores e coordenadores de inglês aqui no Facebook. Fico impressionada como a minha raça às vezes é insuportável, principalmente porque muita gente se acha e ainda por cima fica corrigindo o inglês alheio na maior arrogância, sem nem perceber que também comete erros. Tem dias que algumas discussões lá parecem luta livre.
Eis que ontem um maluco começou a criticar quem, nas palavras dele, se sujeita a dar aulas em algumas redes grandes. Na maior cara dura mesmo o cara falava "não sei como vocês se prestam a esse papel" e coisas assim.
Eu não dou aulas em redes grandes de franquias porque tenho minha empresa e porque o esquema das franqueadas geralmente vai totalmente contra os meus princípios. E eu posso nem ter tantos princípios assim na vida, mas na minha área eu tenho muitos. Não quero me sujeitar a um esquema de ensino que não é de ensino, só de lucro. Não quero dar aulas em escola que defende que turmas devem ter níveis misturados, não quero dar aulas dentro de uma caixinha.
Mas se acontecer algo catastrófico no Brasil, na economia, e o que me restar for dar aulas em alguma porqueira dessas da vida, eu irei. Questão de sobrevivência. Cada um sabe onde seu calo aperta, e quem prefere trabalhar em franqueadas, pelo registro e etcs, deve mesmo ir atrás do que quer.
Aí naquela discussão com o cara arrogante que escrevia errado e ainda assim soltava pérolas do tipo "você fala inglês? Porque quem fala não se sujeita a trabalhar nessas escolas", todo mundo respondeu pra ele, inclusive eu - eu posso ser chata com erros, tenho meus princípios, mas é MUITO feio detonar colegas de trabalho desse jeito. Eis que tal qual Dado da primeira temporada de Malhação, o rapaz começa a escrever citações de filósofos e educadores.
Olha, coleguinha, na minha terra só tenta encerrar discussão com citação quem não consegue argumentar. Quer me ver revirar os olhos eternamente é chegar com uma frase pronta achando que está sendo inteligente ou que desse jeito encerrará a discussão. Vê se eu vou parar de argumentar só porque um palhaço falou "Aristoteles disse ..." Com todo respeito, dane-se Aristóteles!
Prefiro ter um filho velha que um filho citação.
terça-feira, 7 de abril de 2015
É um pouco cansativa a vida de educadora. Muita gente me diz que sou educadora na alma mesmo, que é algo tão dentro de mim, arraigado, que já é parte de mim. Eu concordo. Não sei não ser professora. Se eu for te ensinar a fazer alguma coisa, pode ter certeza que eu vou pensar em como fazer isso didaticamente, ainda que eu esteja te ensinando a cozinhar um ovo.
E essa vida é cansativa porque eu enxergo o mundo através dos olhos de uma educadora, e não de uma mulher de negócios. Eu sou as duas coisas, e tento ser as duas coisas da melhor maneira possível, mas eu sei que sou mais professora. Não adianta negar.
Quando você é uma pessoa de negócios você vai levar contratos cartesianamente, e quem não cumprir é errado. E é isso mesmo, não cumpriu, é errado. Mas eu não consigo chegar pra pessoa batendo o meu pau imaginário na mesa e falando "está no contrato, se não quiser cumprir você será acionado judicialmente". Não consigo fazer isso, mas devia ter os colhões de fazer. Porque no fim, as pessoas são abusadas mesmo. Tudo pensam em "jeitinho", em "pena", em "ah, mas eu não sabia", quando a coisa é realmente simples: leia o contrato antes de assinar.
Estou com um perrengão de trabalho por conta de uma mãe que mimou demais a filha, e agora a filha quer parar as aulas, e a mãe não quer pagar a multa de contrato - que é apenas pagar 50% da mensalidade do mês, nada de mais. A mulher já reclamou, já esperneou, e eu lá argumentando que está no contrato, explicando a cláusula, explicando mo motivo da multa - ou seja, sendo professora. Ela está há algumas horas sem reclamar, mas sei que isso me dará um trabalho enorme ainda.
Passei o dia inteiro nesse duelo entre a mulher de negócios (que tem que receber sua multa) e a professora (que entende que às vezes o aluno não gosta do professor e ponto final). É realmente cansativa a vida de educadora.
E essa vida é cansativa porque eu enxergo o mundo através dos olhos de uma educadora, e não de uma mulher de negócios. Eu sou as duas coisas, e tento ser as duas coisas da melhor maneira possível, mas eu sei que sou mais professora. Não adianta negar.
Quando você é uma pessoa de negócios você vai levar contratos cartesianamente, e quem não cumprir é errado. E é isso mesmo, não cumpriu, é errado. Mas eu não consigo chegar pra pessoa batendo o meu pau imaginário na mesa e falando "está no contrato, se não quiser cumprir você será acionado judicialmente". Não consigo fazer isso, mas devia ter os colhões de fazer. Porque no fim, as pessoas são abusadas mesmo. Tudo pensam em "jeitinho", em "pena", em "ah, mas eu não sabia", quando a coisa é realmente simples: leia o contrato antes de assinar.
Estou com um perrengão de trabalho por conta de uma mãe que mimou demais a filha, e agora a filha quer parar as aulas, e a mãe não quer pagar a multa de contrato - que é apenas pagar 50% da mensalidade do mês, nada de mais. A mulher já reclamou, já esperneou, e eu lá argumentando que está no contrato, explicando a cláusula, explicando mo motivo da multa - ou seja, sendo professora. Ela está há algumas horas sem reclamar, mas sei que isso me dará um trabalho enorme ainda.
Passei o dia inteiro nesse duelo entre a mulher de negócios (que tem que receber sua multa) e a professora (que entende que às vezes o aluno não gosta do professor e ponto final). É realmente cansativa a vida de educadora.
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