Eu fico resfriada mensalmente. Minha pele anda feia, apesar d'eu usar direitinho os 3 passos da Clinique há quase um mês e de usar um produto da Avène que promete pele lisa (porque contém ácido glicólico, blablabla). Tenho mais fios brancos na cabeça do que eu gostaria. Outro dia, embaixo do meu queixo apareceu uma bolinha dolorida. Eu mexia o pescoço e aquilo doía. Passou. Essa semana uma bolinha igual apareceu embaixo de uma axila. Também passou. Eu vivo à base de Benegripe e Dorflex. Acordar é um suplício e ir dormir também. Passo o dia com sono mas, quando deito, demoro um tempão pra pegar no sono.
Eu não tinha me dado conta da gravidade da coisa até quarta-feira. Antesdontem. Quando, num semi surto, eu quase desisti da apresentação de final de ano. É, essa mesma sobre a qual eu escrevi no texto anterior. Tudo porque tinha que ir à costureira mandar fazer o vestido gema e não sabia nem onde havia costureira aqui perto e nem tinha tempo de descobrir. Quase comecei a chorar, bem ridícula mesmo, falando "não quero maaaaaaais". Ainda bem que poupei as paredes de casa e meus gatos de presenciarem esse vexame. Não teria cabimento desistir agora. Eu amo dançar, eu estou me esfalfelando em ensaios, eu adoro minhas aulas. Como assim, desistir? Foi aí que eu vi que a coisa tava grave: pra eu desistir de algo que eu amo por causa de cansaço e stress é porque mais um pouco eu vou sair correndo pelada na rua dizendo que Jesus voltou.
A sorte foi que minha mãe, que está mais ansiosa que eu para a minha "grande estréia" (pausa para risos abafados), saiu à caça de costureira e achou. A outra sorte foi um amigo que ficou meia hora no telefone falando um monte de bobagens pra eu rir. Aí o surto passou. Ao menos até ontem, quando eu quase comecei a chorar de novo, por causa de cansaço. Não que eu esteja mais sobrecarregada de trabalho que antes. Eu já trabalhei tanto ou mais do que trabalho hoje em dia. E, convenhamos, não ter chefe, ser independente e dar aulas do jeito que eu bem entender é um grande contribuidor para o NÃO stress. Acontece que esse ano foi foda. Quem lê esse blog faz um tempo sabe. E aí, quando eu devia ter descansado, viajado, sumido... Eu tive que engolir em seco o que estava sentindo e sair atrás de novos alunos. E apertei o botão do trabalho. Trabalha, trabalha, trabalha, nada de sentir muito, nada de chorar, nada de esmoirecer.
Meu corpo está mandando a conta dessa decisão. Eu já tentei entrar em acordo dizendo que eu fiz o que deveria ter feito e que não teria mesmo como ter relaxado naquela época. Não adianta, meu corpo continua cobrando. Eu gostaria de fechar os olhos e, ao aabri-los, já ser dia 11 de dezembro. Dia da apresentação. Isso significaria só mais uma semana e pouco de trabalho antes da minha semana de férias.
2008, por favor, acabe logo.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Fiesta pa' los rumberos
Esse é o nome da música que dançarei na apresentação de final de ano. Sábado passado, após uma maratona de aula e ensaio que me deixou exaurida (no final eu estava tão cansada que não conseguia contar 12 tempos. Eu contava 13, sempre errava e tomava carraspana da professora. Triste), eu concluí que, sem sombra de dúvidas, a dança é realmente uma das grandes paixões da minha vida. Porque, vejam bem. Meu vestido tem que ser AMARELO GEMA. Amarelo gema é a cor inimiga das branquelas como eu. Eu me recuso a fazer JET BRONZE pra ficar mais escurinha, então eu tenho que me conformar em me apresentar parecendo uma omelete. O modelo é frente-única. Frente-única é o modelo inimigo das mulheres com pouco peito. Como eu. Eu adoraria ter dinheiro prum siliconinho básico, mas não tenho. Ou seja, estarei vestida de omelete COM dois ovos estralados para completar. Ah, se não fosse meu senso de humor, hein... Além dessa desgraceira toda, tenho que dançar ao lado de um rapaz vestido todo de branco que, para quebrar a VIBE Pai-de-santo, usará uma fita AMARELA na cintura, combinando com meu modelito. Não sei se prefiro dançar ao lado de Pai Oxalufã de Aruanda ou se prefiro dançar ao lado de um ovo frito. Sem contar que as professoras nos orientaram a CAPRICHAR nos acessórios e na maquiagem. Temo pela retina de meus amigos que irão me assistir. Porque certeza que as cafonas colocarão chapéus de Carmem Miranda e usarão maquiagem de drag queen. Tô pensando em oferecer meus préstimos de pessoa com noção mínima de make up pra ver se poupo a platéia de ver pessoas com vestido amarelo, sombra azul e verde passada sem esfumar e batom laranja.
Acho que ficou claro que eu realmente amo a dança. Porque só amor justifica que eu esteja imersa até o cocoruto em tanta cafonice. E, vejam bem, cafona não é a salsa, não é dança, não é a apresentação. É como as pessoas encaram isso. E se portam. E se vestem. Mas enfim. Ao menos eu tenho aqui um vídeo para mostrar aos meus queridos miguxos leitores como é uma parte da apresentação. Vejam bem, salsa é algo complicado e existem várias modalidades. Nós dançaremos três delas. Shine, em linha e rueda de casino. Nesse vídeo vocês vêem um pouco da salsa em linha, que nada mais é que a salsa dançada a dois; e da salsa "rueda de casino" que é a MAIS legal. Shine é uma modalidade bem Vera Verão em que a mulher dança sozinha fazendo uns chacoalhos pra lá e pra cá e passos que se chamam "Suzy" ou "Como uma deusa". Imaginem. Pena que desse tipo não tem vídeo mostrando. Mas vocês podem rir de mim desde já - eu serei uma das dançarinas da linha de frente. Riam, riam. Eu mereço.
Pois bem, apenas uma breve explicação sobre o que é a "rueda de casino", ou salsa cubana. Dança-se em roda (ORLY?) e todos sabem os passos E os nomes dos passos. Alguém canta os passos e todos executam ao mesmo tempo, sendo que muitos deles envolvem troca de parceiro. É uma suruba dançante e sem sexo. Quem dança salsa cubana sabe o que é um ENCHUFA, um MONTURNO, um DA ME (ui). Existe também o Che, o Fidel e a Rosa. Não sei exatamente o que farei com esse tipo de informação quando eu parar de dançar, portanto, acredito que para vocês essa informação seja mais inútil ainda. Portanto, aí vai o vídeo, com Chayenne e Vanessa Williams. Nos minutos 3:00 a 3:55 mostram a rueda. E o passo final, em que os homens fazem "cadeirinha" com as mulheres, nós faremos em nossa apresentação. Certeza que as véias vão cair e vão mostrar as calçolas pra platéia, mas tudo pela arte, não é mesmo?
Acho que ficou claro que eu realmente amo a dança. Porque só amor justifica que eu esteja imersa até o cocoruto em tanta cafonice. E, vejam bem, cafona não é a salsa, não é dança, não é a apresentação. É como as pessoas encaram isso. E se portam. E se vestem. Mas enfim. Ao menos eu tenho aqui um vídeo para mostrar aos meus queridos miguxos leitores como é uma parte da apresentação. Vejam bem, salsa é algo complicado e existem várias modalidades. Nós dançaremos três delas. Shine, em linha e rueda de casino. Nesse vídeo vocês vêem um pouco da salsa em linha, que nada mais é que a salsa dançada a dois; e da salsa "rueda de casino" que é a MAIS legal. Shine é uma modalidade bem Vera Verão em que a mulher dança sozinha fazendo uns chacoalhos pra lá e pra cá e passos que se chamam "Suzy" ou "Como uma deusa". Imaginem. Pena que desse tipo não tem vídeo mostrando. Mas vocês podem rir de mim desde já - eu serei uma das dançarinas da linha de frente. Riam, riam. Eu mereço.
Pois bem, apenas uma breve explicação sobre o que é a "rueda de casino", ou salsa cubana. Dança-se em roda (ORLY?) e todos sabem os passos E os nomes dos passos. Alguém canta os passos e todos executam ao mesmo tempo, sendo que muitos deles envolvem troca de parceiro. É uma suruba dançante e sem sexo. Quem dança salsa cubana sabe o que é um ENCHUFA, um MONTURNO, um DA ME (ui). Existe também o Che, o Fidel e a Rosa. Não sei exatamente o que farei com esse tipo de informação quando eu parar de dançar, portanto, acredito que para vocês essa informação seja mais inútil ainda. Portanto, aí vai o vídeo, com Chayenne e Vanessa Williams. Nos minutos 3:00 a 3:55 mostram a rueda. E o passo final, em que os homens fazem "cadeirinha" com as mulheres, nós faremos em nossa apresentação. Certeza que as véias vão cair e vão mostrar as calçolas pra platéia, mas tudo pela arte, não é mesmo?
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Caio
Eu era apenas uma moçoila de 21 anos. Eu poderia dizer que isso diz muita coisa, mas dizer isso deporia um pouco contra mim por diversos motivos que não vêm ao caso, portanto, completarei dizendo que eu era uma moça de 21, 22 anos, tímida e sem muita noção do meu lugar no mundo. Não que agora eu tenha, mas ao menos eu sei que eu não tenho. Aos 20 e pouquíssimos anos você não tem noção do mundo mas é arrogante o suficiente para achar que tem. Believe me, I know that. E lá estava eu, trabalhando e me preparando uma viagem de trabalho para Manaus. Eu não queria ir porque seria num fim-de-semana e eu estava saindo há umas 3 semanas com um rapaz (igualmente jovem e igualmente arrogante, mas ele era um pouco mais arrogante ainda porque ganhava muito dinheiro para alguém da idade dele. Ou seja, ele era ligeiramente insuportável. E eu achava que gostava muito dele). Imaginem, 3 semanas, já era quase UM MÊS. E um mês já era namoro, na minha cabeça perdida. Como poderia eu passar um fim-de-semana longe do meu quase namorado? Nossa, fim do mundo.
Eu queria ir na sexta e voltar logo no sábado. Porque MANAUS, né, pessoal. It's the end of the world as we know it, essa era minha opinião. O que eu farei em MANAUS sendo que meu docinho de côco estaria aqui, sozinho em São Paulo? Ó. Foi quando meu chefe na época chegou e disse:
- Camilíssima (ele me chamava assim), você vai viajar prum lugar super diferente, pode ver coisas legais, por que não muda a data da volta para domingo à noite? Eu te libero na sexta, aí você também altera sua ida e pronto! Você tem uma viagem diferente de um fim-de-semana em que terá que trabalhar por apenas 3 horinhas. Vai, boba!
- Mas Caio, é que eu comecei a sair com esse cara e aí eu não queria deixá-lo sozinho no fim-de-semana.
- Não quero nem ouvir. Uma menina como você, se enveredar pelos caminhos das idiotas que vivem para um namorado, é um desperdício. Tenha certeza que quando você voltar ele estará te esperando. E, se não estiver, melhor pra você, sinal de que ele é um imbecil. Agora, perder a chance de ver o Rio Amazonas sem pagar nada é um claro sinal de idiotice e eu acredito que você seja diferente.
Ele falava essas coisas sempre docemente e com um sorriso no rosto. E depois falava "vamos ali pegar um café". Caio era irresistivelmente charmoso. Contava casos, ria, falava de escritores, falava das bebedeiras dele e do filho, de quem ele se orgulhava muito. Por causa dele eu fiquei um fim-de-semana inteiro em Manaus e vi o encontro das águas, passeei pela cidade, vi lugares bem diferentes. Voltei picada pelo bichinho das viagens. Algum tempo depois, foi ele quem fez questão de me incluir nos programas de intercâmbio, para que eu tivesse contato direto com americanos - porque ele achava que eu tinha que ter algum tipo de experiência internacional, mesmo que fosse no Brasil. Ele me mandava pro Rio de Janeiro com os gringos mesmo quando eu não precisava ir. Mesmo quando não era parte do meu trabalho. Só porque ele sabia que era bom pra mim. Foi ele quem sugeriu que eu começasse a dar aulas e foi ele quem conseguiu que eu fosse mandada embora, pra ter um dinheiro para começar a carreira como English Teacher.
Eu tinha ele como um pai. Acho que das poucas figuras paternas que tive, foi ele quem mais me ajudou profissionalmente. Na semana passada eu soube que ele faleceu de câncer de pulmão. Eu não tive tempo de me despedir, mas fico feliz que, há mais ou menos uns 10 meses, quando nos vimos pela última vez, eu consegui agradecê-lo por tudo que ele tinha me ajudado. A resposta não poderia ser mais dele:
- Imagine, Camilíssima, você sempre mereceu. Vamos ali beber um drink, almoçar, falar da vida... Me conte, e sua vida amorosa sempre turbulenta?
Eu só acho que o mundo devia ter muitos Caios por aí.
Eu queria ir na sexta e voltar logo no sábado. Porque MANAUS, né, pessoal. It's the end of the world as we know it, essa era minha opinião. O que eu farei em MANAUS sendo que meu docinho de côco estaria aqui, sozinho em São Paulo? Ó. Foi quando meu chefe na época chegou e disse:
- Camilíssima (ele me chamava assim), você vai viajar prum lugar super diferente, pode ver coisas legais, por que não muda a data da volta para domingo à noite? Eu te libero na sexta, aí você também altera sua ida e pronto! Você tem uma viagem diferente de um fim-de-semana em que terá que trabalhar por apenas 3 horinhas. Vai, boba!
- Mas Caio, é que eu comecei a sair com esse cara e aí eu não queria deixá-lo sozinho no fim-de-semana.
- Não quero nem ouvir. Uma menina como você, se enveredar pelos caminhos das idiotas que vivem para um namorado, é um desperdício. Tenha certeza que quando você voltar ele estará te esperando. E, se não estiver, melhor pra você, sinal de que ele é um imbecil. Agora, perder a chance de ver o Rio Amazonas sem pagar nada é um claro sinal de idiotice e eu acredito que você seja diferente.
Ele falava essas coisas sempre docemente e com um sorriso no rosto. E depois falava "vamos ali pegar um café". Caio era irresistivelmente charmoso. Contava casos, ria, falava de escritores, falava das bebedeiras dele e do filho, de quem ele se orgulhava muito. Por causa dele eu fiquei um fim-de-semana inteiro em Manaus e vi o encontro das águas, passeei pela cidade, vi lugares bem diferentes. Voltei picada pelo bichinho das viagens. Algum tempo depois, foi ele quem fez questão de me incluir nos programas de intercâmbio, para que eu tivesse contato direto com americanos - porque ele achava que eu tinha que ter algum tipo de experiência internacional, mesmo que fosse no Brasil. Ele me mandava pro Rio de Janeiro com os gringos mesmo quando eu não precisava ir. Mesmo quando não era parte do meu trabalho. Só porque ele sabia que era bom pra mim. Foi ele quem sugeriu que eu começasse a dar aulas e foi ele quem conseguiu que eu fosse mandada embora, pra ter um dinheiro para começar a carreira como English Teacher.
Eu tinha ele como um pai. Acho que das poucas figuras paternas que tive, foi ele quem mais me ajudou profissionalmente. Na semana passada eu soube que ele faleceu de câncer de pulmão. Eu não tive tempo de me despedir, mas fico feliz que, há mais ou menos uns 10 meses, quando nos vimos pela última vez, eu consegui agradecê-lo por tudo que ele tinha me ajudado. A resposta não poderia ser mais dele:
- Imagine, Camilíssima, você sempre mereceu. Vamos ali beber um drink, almoçar, falar da vida... Me conte, e sua vida amorosa sempre turbulenta?
Eu só acho que o mundo devia ter muitos Caios por aí.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Procrastinators of the world... Unite and take over...
Entro em vários sites para fazer uma seleção de textos para uma das minhas aulas mas me lembro que tenho que terminar um exercício, favorito os sites, vou para o exercício e aí me cai a ficha de que tenho que terminar de corrigir uma prova. Deixo o exercício, vou para a prova. Uma janelinha do MSN pisca, é um amigo enroladíssimo com seus casos amorosos querendo me contar os últimos basfonds. Converso com ele por algum tempo, uma outra janela pisca, converso sobre algo completamente diferente com a outra pessoa; lembro-me que fiquei de verificar sobre compra de ingressos para uma peça de teatro, me despeço dos amiguxos no MSN, fico offline, entro no site da Ticketmaster, não acho a informação, ligo para o Citibank Hall, desligo, ligo para o meu rapaz, me distraio falando sobre preços, entro no Orkut para deixar recado para o pai dele, chegam emails e eu respondo alguns, paro para pensar a respeito do amigo que falou comigo no MSN e seus casos afetivos e como a vida amorosa das pessoas, incluindo a minha, é complicada. Começo a pensar sobre a minha vida e entro em crise, aí olho no relógio e vejo que ainda tenho que terminar tudo aquilo que eu comecei de trabalho. Entro no blogger e escrevo um post.
Não sei se é DDA, não sei se é crise existencial, não sei se é procrastinação. Só sei que tá foda.
Não sei se é DDA, não sei se é crise existencial, não sei se é procrastinação. Só sei que tá foda.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
A família que eu quero
Eu leio o para Francisco e sempre me emociono. Os textos que a Cris escreve, a maneira com que ela demonstra o amor que tem pelo filho e o amor que tem pelo pai de Franscisco são lindos - difícil pensar em outra palavra. Hoje li um texto e chorei. Eu não tenho estado muito chorona - eu já fui a Maria Berreiro - meu máximo atualmente são lágrimas de leve que vão embora rápido. O que me faz chorar mesmo, como chorei lendo um dos textos da Cris, é o assunto "família". Não é o quesito "pai" da família, como muitos podem pensar, e sim pensar que eu não fui fruto de um amor bonito como o que gerou Franscisco e o medo enorme que tenho de que eu gere um filho também sem amor e sem uma história bonita para ser contada. Eu quero muito, muito ser mãe, mas meu desejo não é apenas o da maternidade. Eu quero uma família de comercial de margarina mesmo. E aí eu choro porque esse tipo de sonho, em que há a necessidade de outros para que ele se realize, é o mais passível de acabar em decepção. No entanto, eu sou honesta o suficiente para admitir que eu penso sim, em filho acordando e indo pular na cama em cima de mim e do pai dele - meu provável marido. Mas ao mesmo tempo em que eu tenho esses devaneios, eu não planejo nada disso propriamente. Vejam bem, eu tenho um relacionamento que não se chama namoro com um rapaz mais novo com quem eu decididamente não penso que se tornará meu marido algum dia. Se eu fosse levar a ferro e fogo meu desejo de família feliz eu estaria solteira à procura de um homem acima dos 30 anos que demonstre minimamente que quer um relacionamento estável. Então ou eu sou irresponsável com o meu sonho de família margarina ou eu simplesmente deixo as coisas acontecerem - a segunda opção me agrada muito mais. Porque isso de procurar não dá certo. Eu não sei o que dá certo, mas ao menos eu tenho tentado viver tirando o melhor proveito das coisas que me acontecem. Felicidade, um amor, um filho. Não é demais querer que isso aconteça daqui um tempo, é?
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Essa minha TPM que me mata...
Quando você desliga o telefone na cara do seu rapaz sem motivo algum, só porque entendeu algo que ele disse da maneira como sua loucura quis, é hora de dar com a cabeça na parede. Ou, menos dolorido, é hora de ir ao médico fazer um check-up anual e verificar seus níveis hormonais e pedir um remédio para a TPM. Há dois meses que eu me transformo numa mistura de Odete Roittman com Nazaré durante a minha TPM. Estou preocupada porque nunca fui assim. Eu sempre fui das que fica emotiva e chora porque tropeçou no meio da rua. Sempre foi assim: TPM = choro. É novidade isso de ficar louca da periquita e surtar e ficar irritada a ponto de... desligar o telefone na cara de alguém que gosta de mim e de quem eu gosto. Logo depois da merda feita, me dei conta do quanto eu havia sido... idiota. E liguei pedindo desculpas. Porque geralmente eu estou certa quando brigo com ele (haha), mas eu nunca, nunca dei chilique. E dessa vez eu não estava certa coisa alguma. Então eu peço desculpas porque a vida é curta demais pra se ter orgulho bobo. O moço desculpou e eu expliquei que achava que era TPM e que ia procurar meu médico. Juro que acho que ouvi um suspiro de alívio do outro lado da linha. Porque né, dois meses seguidos aturando meus surtos psicóticos, não há homem que agüente.
E aí recorro à compreensão e simpatia de minhas amigas telespectadora porque só outras mulheres entendem o que é essa fase hormonal na vida de uma mulher. Como eu disse, eu nunca havia me sentido assim, levemente psicopata. Achava, inclusive, que era exagero das mulheres em geral - porque eu sempre acho que mulheres exageram, e mulher exagerada pra mim, só nos filmes do Almodóvar e olhe lá. Mulher-personagem-na-vida-real me irrita profundamente. E mulher-personagem-na-vida-real é o tipo de mulher que corta o pinto alheio e culpa a TPM. Aí eu vivenciei o redemoinho hormonal e vi que não é exagero. Não éééééééé. Zentzie, você fica surtada e quando viu, já foi. Já teve ataque, já falou merda, já descontou em pessoas que não têm nada a ver com seu útero. Eu preferia minhas crises de TPM com choro, porque o choro é meu, o útero é meu e ponto final. Não gostei disso de compartilhar TPM. Mesmo porque homens não entendem. E é fogo. Porque você fica com a imagem de doida, mas AMIGÔ, é HORMÔNIO.
E aí eu penso: os homens não deviam ser mais compreensivos? É por isso que desejo intensamente que todos os homens vivenciem por um dia as agruras da TPM. No mais, se não quer aturar mulher e hormônios em fúria, vá pegar em pau alheio, né. Porque numa boníssima, a matemática é simples: mulher + útero + hormônios = TPM Glenn Close.
E aí recorro à compreensão e simpatia de minhas amigas telespectadora porque só outras mulheres entendem o que é essa fase hormonal na vida de uma mulher. Como eu disse, eu nunca havia me sentido assim, levemente psicopata. Achava, inclusive, que era exagero das mulheres em geral - porque eu sempre acho que mulheres exageram, e mulher exagerada pra mim, só nos filmes do Almodóvar e olhe lá. Mulher-personagem-na-vida-real me irrita profundamente. E mulher-personagem-na-vida-real é o tipo de mulher que corta o pinto alheio e culpa a TPM. Aí eu vivenciei o redemoinho hormonal e vi que não é exagero. Não éééééééé. Zentzie, você fica surtada e quando viu, já foi. Já teve ataque, já falou merda, já descontou em pessoas que não têm nada a ver com seu útero. Eu preferia minhas crises de TPM com choro, porque o choro é meu, o útero é meu e ponto final. Não gostei disso de compartilhar TPM. Mesmo porque homens não entendem. E é fogo. Porque você fica com a imagem de doida, mas AMIGÔ, é HORMÔNIO.
E aí eu penso: os homens não deviam ser mais compreensivos? É por isso que desejo intensamente que todos os homens vivenciem por um dia as agruras da TPM. No mais, se não quer aturar mulher e hormônios em fúria, vá pegar em pau alheio, né. Porque numa boníssima, a matemática é simples: mulher + útero + hormônios = TPM Glenn Close.
sábado, 13 de setembro de 2008
Mamma Mia

Nós temos um pacto: no longo processo de envelhecimento pela qual passaremos, se alguma de nós encaretar e virar uma caga-regras insuportável que não se diverte mais, as outras duas têm o direito de dar umas bifas na encaretada. É nosso pacto anti-caretice, selado e registrado na noite em que tiramos essa foto, bebemos 4 garrafas de Lambrusco e jogamos wii como se não houvesse amanhã.
Hoje assisti "Mamma Mia" com a bela rapariga à esquerda dessa foto. Sobre o filme tenho a dizer: se você não gosta MUITO de musicais e dancinhas como eu, não vá assistir. No entanto, caso você tolere o esquema uma frase-três estrofes cantadas, vale a pena. Porque tem Meryl Streep e essa mulher arrasa. Canta, dança e usa roupas ridículas. O tipo de coisa que eu gostaria de fazer se fosse atriz. Eu queria chegar aos 60-e-ave-maria e estrelar um filme que se passa num ilha lindíssima na Grécia, onde eu canto, danço, me jogo no mar, faço dancinhas ao som de "Dancing Queen" e ainda dou uns pegas no Pierce Brosnan, tudo isso usando roupas justas e psicodélicas. Pierce tá enxutão, dá bem um caldo. Mas falando de Meryl, eu acho que sempre amarei qualquer coisa que essa mulher fizer. S2 total.
No filme Meryl tem mais duas amigas e as melhores cenas do filme certamente são quando as três estão juntas. Três tiazonas bizarras aprontando altas aventuras. E elas cantam, dançam, bebem e dão risada. Muita risada. Eu tenho certeza que esse será meu futuro, juntamente com as belas da foto. Tenho certeza que teremos uma velhice não-convencional onde falaremos palavrões enquanto ouvimos alguma música bem, bem brega. Tenho certeza que sempre nos ajudaremos a ser felizes.
É piegas pra caralho dizer isso, mas eu tenho pouquíssimas certezas na vida. E minhas raízes são baseadas em coisas que geralmente não seriam consideradas raízes. Essas duas fazem parte das minhas certezas e das minhas raízes. A certeza de que ninguém vai encaretar. E a certeza de que se eu for parar numa ilha onde o vento faz a curva, eu terei sempre as minhas meninas para me socorrer. Ou rir comigo. Ou me fazer beber.
That's amore.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Eu penso em mil posts durante o dia. Mas esqueço de todos. Twitter sendo atualizado dicunforça, mas me dá preguiça de logar aqui, pensar em texto, publicar, blablabla. A vida continua a mesma correria e minha maior novidade é que dançarei salsa na apresentação de final de ano da escola de dança. Sim, eu vou participar da apresentação. Estou me sentindo adolescente que faz apresentação de jazz, mas eu nunca fiz jazz e na minha adolescência eu choraria se me colocassem num palco. Mas eu sempre gostei de dançar e, mesmo com pânico de palco, eu secretamente achava o máximo aquele frisson todo de apresentação que via minhas amigas passarem. Bem, realizarei meu sonho adolescente em dezembro rebolando ao som de salsa - que é um dos meus estilos musicais favoritos. Não sei quem será meu par porque os professores é que definem isso. Estou com certo receio de ser algum perna-de-pau, mas enfim, pra tudo se dá um jeito na vida. Fora isso eu gostaria que os dias tivessem mais horas e os fins-de-semana mais de dois dias porque, sinceramente, não dou "conto" de tudo não.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
São dois pra lá, dois pra cá...
Junte uma senhora acima do peso com piercing no nariz, muitas tatuagens (uma delas em um dos peitos) e nenhuma noção e, a isso, acrescentem uma boina de oncinha, uma blusa muito justa e uma legging cor da pele. Tão cor da pele que parecia que não estava vestindo nada. Mas estava, porque quando ela virava de costas era possível ver a calcinha - preta e pequena - através da calça cor-da-pele-quase-transparente. Eu sei, a junção de tudo isso não é aprazível à imaginação, me desculpem por fazê-los visualizar tal tchutchuca. Agora, se a imagem não agrada à mente, imaginem aos olhos. Porque essa senhoura ousadjeenha, pessoal, EXCISTE. Eu a vi no meio da aula de segunda, aquela da qual, teoricamente, eu participo para ajudar. Quando eu a vi minhas entranhas se contorceram num misto de susto e vergonha alheia. E PIOR, não havia nenhum amigo por perto para que eu desabafasse minha dor. Foi só chegar o momento do intervalo para que eu corresse - quase que literalmente - até o amigo mais próximo dizendo: "Fulano, PELAMOR ME SOCORRE, eu tenho que desabafar. O que é aquela senhora..."... Nem precisei acabar de falar. Ele já sabia de quem eu estava falando. E chamou outro amigo. De repente estávamos numa rodinha de 4 pessoas indignadas com a falta de senso estético da pessoa. Porque, gente, é sério: as pernas da mulher tinham gominhos de gordura. Visíveis através da calça justa e quase transparente. Eu e meu espírito de porco apelidaram-na carinhosamente de Michelin.
E é aqui que entra minha culpa cristã. Porque depois eu fiquei me sentindo mal - mesmo - por ter tirado sarro da senhora. Mesmo que eu seja assim, ligeiramente escrota. Mesmo que ela realmente não tivesse noção nenhuma. Eu fiquei pensando que pôxa, se ela é feliz assim, deixa ela, blablabla. Mas, ao mesmo tempo, eu pensava "só que ninguém é obrigado a ver a calcinha de ninguém, credo". No meio dessa pataquada mental toda, o que eu sei é que OBVIAMENTE o apelido que eu dei, pegou. Só entre meus amigos, mas pegou. Eu não me orgulho disso, mas não consigo não rir toda vez que alguém chega e fala "a Michelin tá gata hoje, você viu?". He. Cheek-to-Cheek que se cuide.
A culpa cristã não durou muito, devo confessar. Porque eu logo fiquei sabendo de uns pormenores sobre Michelin que a desabonaram mais ainda. O primeiro deles é que ela vai sem sutiã. PANIC IN THE STREETS OF LONDON. Eu acho que só tem direito de não usar sutiã quem tem os peitos perfeitos. E perfeição peital é difícil de achar, hein. Nem aquelas que têm só duas azeitoninhas devem abdicar do uso de sutiãs porque ficam aqueles biquinhos pavorosos aparecendo pela blusa. Sério, eu acho horrível. E aí dona Michelin faz o quê? Decide deixar a peitança solta - e usar blusa de alcinha. Aí Dona Mimi (para os íntimos) vai de alcinha e sua muito embaixo dos braços. Só que ela é baixinha como eu, o que significa que os rapazes ficam com o braço bem embaixo da sovaqueira molhada. Quando meu amigo me contou isso eu fiquei com dó dele, de verdade. Porque não basta ter peitcholas à solta com tatuagem, também tem suor nojento escorrendo pelo braço. Além disso, ela dança de olhos fechados e pede que o rapaz a conduza pela sala porque ela tem "facilidade de aprender os passos".
Pausa: Eu tenho siricoticos toda vez que ouço isso. "Tenho facilidade de aprender passos". Porque sempre quem fala isso ou não tem facilidade nenhuma ou então pode até ter, mas é metido. E gente que se acha é um saco. Tem um cara lá, apelidado carinhosamente de Esmalte (conto a história outro dia), que dança bem. E é bonito. Não ajeitado, é bonito mesmo. Não chega a ser Apolo encarnado, longe disso, mas em comparação com os panguás de lá, ele tá bem. Mas ele seee-eeee-eeempre me fala que tem facilidade com os passos. Em tom de "eu sou foda". Toda vez eu olho pra ele e falo "Fulano, não me torra. Dança aí que é melhor".
Então, Dona Mimi diz que tem facilidade. Mas, na verdade, não tem tanta. Normal: dança de salão não chega a ser a coisa mais simples do mundo. Alguns estilos musicais são dificílimos, todo mundo se embanana num passo ou outro. Mas não ela. Ela dança de olhos fechados. E, se algo dá errado, ela se vê no direito de culpar o cara e dar bronca. "Por que você não me conduziu direito?", "Você não me deu o comando e eu errei". Resumindo: a pessoa usa roupas de periguete, não usa sutiã, sua a ponto de deixar os braços dos caras molhados, dança de olhos fechados e ainda briga porque ELA errou o passo.
Depois desse apanhadão sobre Dona Mimi, só me resta dizer que culpa cristã uma ova. Tô virando muito bicha, isso sim. Eu fico convivendo com aquela fauna variada que é o curso de dança e acho que, por conviver com tanta gente diferente não devo comentar a respeito e blablabla whiskas sachê, meu cu. Comento sim. Falta de noção tá aí pra isso.
Nos próximos capítulos, Esmalte, as Creepy Olsen Twins e as pessoas monotemáticas.
ps: meus amigos da dança que lêem esse blog, por favor, continuem me amando depois desse post, sim?! Hahahaha!
E é aqui que entra minha culpa cristã. Porque depois eu fiquei me sentindo mal - mesmo - por ter tirado sarro da senhora. Mesmo que eu seja assim, ligeiramente escrota. Mesmo que ela realmente não tivesse noção nenhuma. Eu fiquei pensando que pôxa, se ela é feliz assim, deixa ela, blablabla. Mas, ao mesmo tempo, eu pensava "só que ninguém é obrigado a ver a calcinha de ninguém, credo". No meio dessa pataquada mental toda, o que eu sei é que OBVIAMENTE o apelido que eu dei, pegou. Só entre meus amigos, mas pegou. Eu não me orgulho disso, mas não consigo não rir toda vez que alguém chega e fala "a Michelin tá gata hoje, você viu?". He. Cheek-to-Cheek que se cuide.
A culpa cristã não durou muito, devo confessar. Porque eu logo fiquei sabendo de uns pormenores sobre Michelin que a desabonaram mais ainda. O primeiro deles é que ela vai sem sutiã. PANIC IN THE STREETS OF LONDON. Eu acho que só tem direito de não usar sutiã quem tem os peitos perfeitos. E perfeição peital é difícil de achar, hein. Nem aquelas que têm só duas azeitoninhas devem abdicar do uso de sutiãs porque ficam aqueles biquinhos pavorosos aparecendo pela blusa. Sério, eu acho horrível. E aí dona Michelin faz o quê? Decide deixar a peitança solta - e usar blusa de alcinha. Aí Dona Mimi (para os íntimos) vai de alcinha e sua muito embaixo dos braços. Só que ela é baixinha como eu, o que significa que os rapazes ficam com o braço bem embaixo da sovaqueira molhada. Quando meu amigo me contou isso eu fiquei com dó dele, de verdade. Porque não basta ter peitcholas à solta com tatuagem, também tem suor nojento escorrendo pelo braço. Além disso, ela dança de olhos fechados e pede que o rapaz a conduza pela sala porque ela tem "facilidade de aprender os passos".
Pausa: Eu tenho siricoticos toda vez que ouço isso. "Tenho facilidade de aprender passos". Porque sempre quem fala isso ou não tem facilidade nenhuma ou então pode até ter, mas é metido. E gente que se acha é um saco. Tem um cara lá, apelidado carinhosamente de Esmalte (conto a história outro dia), que dança bem. E é bonito. Não ajeitado, é bonito mesmo. Não chega a ser Apolo encarnado, longe disso, mas em comparação com os panguás de lá, ele tá bem. Mas ele seee-eeee-eeempre me fala que tem facilidade com os passos. Em tom de "eu sou foda". Toda vez eu olho pra ele e falo "Fulano, não me torra. Dança aí que é melhor".
Então, Dona Mimi diz que tem facilidade. Mas, na verdade, não tem tanta. Normal: dança de salão não chega a ser a coisa mais simples do mundo. Alguns estilos musicais são dificílimos, todo mundo se embanana num passo ou outro. Mas não ela. Ela dança de olhos fechados. E, se algo dá errado, ela se vê no direito de culpar o cara e dar bronca. "Por que você não me conduziu direito?", "Você não me deu o comando e eu errei". Resumindo: a pessoa usa roupas de periguete, não usa sutiã, sua a ponto de deixar os braços dos caras molhados, dança de olhos fechados e ainda briga porque ELA errou o passo.
Depois desse apanhadão sobre Dona Mimi, só me resta dizer que culpa cristã uma ova. Tô virando muito bicha, isso sim. Eu fico convivendo com aquela fauna variada que é o curso de dança e acho que, por conviver com tanta gente diferente não devo comentar a respeito e blablabla whiskas sachê, meu cu. Comento sim. Falta de noção tá aí pra isso.
Nos próximos capítulos, Esmalte, as Creepy Olsen Twins e as pessoas monotemáticas.
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