quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

É amanhã!

É amanhã o dia do mico do ano. Sábado e domingo passados, nos últimos ensaios, eu decidi parar de dançar absolutamente concentrada em mim pra evitar erros e olhei para os espelhos da sala para reparar em minhas colequinhas. Teria sido melhor continuar na minha dança umbiguista. Porque MISERICÓRDIA, as tiazinhas em idade muito avançada estavam dançando muito torto. Me desconcentrei e errei pra caramba pensando que a apresentação será um desastre. Aí num lampejo de lucidez e de deixar o egoísmo nojento pra lá, consegui pensar que é bem legal que a escola dê chance pra quem quer que seja que tenha interesse em dançar na apresentação, sem discriminação. Algumas academias de dança selecionam os melhores alunos somente. É bem bacana que lá todos possam, inclusive a senhorinha que vai pra direita quando todos vão pra esquerda. E elas estavam tão empolgadas que quando o ensaio acabou elas ainda ficaram treinando um pouco mais. E tentaram chegar cedo no dia seguinte pra praticar a parte inicial só das mulheres, e ficaram no meio do corredor fazendo os passos e pedindo ajuda. Enfim, quando eu consegui parar de pensar no que meus amigos iam pensar se a apresentação ficasse estranha e me concentrei no fato de que todo mundo está ali pra se divertir, acabei achando tudo muito legal. E o ensaio do domingo, o último, foi excelente. E divertido. Aí ontem fui buscar meu vestido e, surpresa! ele não ficou tão mal assim. Até tirei foto. Acho que fiquei uma gema de ovo simpática. No entanto, o decote ficou abissal e isso me preocupa.

A frô vermelha, esse charme indescritível, faz parte do figurino. Quer dizer, a professora pediu que caprichássemos nos acessórios e arrumássemos os cabelos. Esse é o meu capricho: um pente de flor vermelha, comprado na 25 de março. O tom escolhido é pra combinar com as cores dos vestidos das outras meninas. Mas também posso usar flor amarela. É que é amarelo demais, né? Até cansa as vista. Reparem na pose de dançarina de salsa blasé. Sei que não existe, mas escondi o rosto porque estava com cara de sono.

Quando mostrei o figurino para minha mãe e meu irmão, e pedi opinião sobre o tamanho do decotchi, o que ouvi foi:

Mãe: Ai, está linda, ai que fooooofa, nossa, o decotão está ótimo também! - numa prova de que mães serão sempre mães. E cegas.

Irmão: Fia, que frescura é essa? A gente tem poucas chances na vida de parar o trânsito, quando a vida te dá uma chance de bandeja você vai fechar o decote? Se liga, ô. Mostra mesmo. - numa prova de que meu irmão é um ser humano desencanado.

Então amanhã estarei lá. Com decote e flor vermelha. E maquiagem. Num arroubo de puro pessimismo criei uma historinha na minha mente em que eu entro no tempo errado, erro toda a coreografia inicial, tropeço no meu parceiro quando ele entra pra fazer a salsa a dois e também erro na parte da salsa rueda. Aí no final todos vão rir da minha cara. Adoro meus ataques de pessimismo.

Depois eu posto fotos da apresentação. E conto como foi!

ps: a quem perguntou se pode ir, os convites se esgotaram em outubro. Eu comprei alguns pra família e pra pouquíssimas amigas e só... Porque estava no fim do fim já...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Completamente apaixonada



Meu nome é Camila, tenho 29 anos, estou a um mês dos 30 e confesso a coisa mais ridícula que eu poderia confessar. Confesso o quase inconfessável. Eu estou apaixonada por um personagem de seriado. Eu quero Jim Halpert pra mim. Do tipo que se eu encontrar um cara que seja minimamente como ele eu largo tudo e todos, caso e tenho filhos.

Empolgação e "overreaction" à parte, obviamente eu não vou entrar para o fã-clube do John Krasinski, ator que faz o Jim. E eu consigo achar a relação do Jim com a Pam a coisa mais fofa e linda que eu já vi em seriados, sem ciúmes. Ganha de Ross e Rachel, e olha que eu sou fã ardorosa de Friends e chorei (de verdade) quando eles ficaram juntos no final. Ganha de Meredith e McDreamy, se bem que eu acho a Meredith um saco, então Pam e Jim ganhariam de qualquer maneira. O fato é que Jim, desde o primeiro episódio, ganhou meu coração. E o amor dele pela Pam é bonito. E a relação dos dois é LEGAL. Eles se respeitam e se divertem juntos e se apóiam e se admiram. Eu assisto The Office e fico fazendo "awwwwwww" e suspirando daquele jeito que só homens ficcionais nos fazem suspirar.

Acabei de ver um episódio em que o Jim conversa com o Dwight, que está com o coração mais do que partido. E o Dwight é um homem chato. Nível insuportável de nerdice. Ele e o Jim são antogonistas. E, ainda assim, Jim se comoveu com o coração partido de Dwight e foi conversar com ele. O Jim é aquele tipo de cara LEGAL, BACANA, aquele tipo de homem que só agrega adjetivos com maiúsculas. Um homem impossível mesmo. Daqueles que prestam atenção no mínimo que você fala. E é engraçado, tem respostas rápidas, é discreto, é atencioso. E as caretas que ele faz pras câmeras? Meus ataques de ternura por ele simplesmente não passam.

Não consigo parar de suspirar. Volto quando essa adolescência mais do que tardia passar.

sábado, 29 de novembro de 2008

Opa! Tô bêbada!

23:26 - Com toda a certeza estou no meu inferno astral. Pra ajudar, também estou na TPM. Não chego a estar impossível de conviver, mas tenho constantes ataques de raiva. O meu último foi agora há pouco, quando resolvi fazer um bolo para me distrair do penúltimo ataque de raiva, sobre o qual já falarei. Todos os ingredientes separados, claras em neve batidas, forno aceso. Leite, margarina, gemas e açúcar batidos, vamos colocar a farinha mas OPA, Amy Winehouse andou passando pela minha cozinha e a farinha sumiu. Cabô. Eram quase 11 da noite. Tive que correr até o supermercado. Correr, literalmente. E foi aí que deu-se a merda. Porque pra descontar a minha raiva de não haver farinha em casa e eu ter que ir até o supermercado, eu decidi me agradar. Me mimar. Mimaaaar você.... Comprei cereja em calda (como um vidrinho sozinha), bacon em fatias (pra fazer no microondas), a tal da farinha e... Uma garrafa de espumante Aurora Moscatel. Pra quem ainda não teve o incrível prazer de conhecer essa belezinha alcóolica, eu vos apresento: é um espumante nacional, docinho e delicioso que custa a bagatela de 20 teresas. VIN-TE. No Pão de Açúcar. Minha casa não é um local lá muito fino. Eu sou fina, mas minha mãe é meio esbagaçada, portanto, não temos copos belíssimos. Estou aqui, tomando espumante em copo de suco. Enchi um copo, dei pra minha mãe e falei pra ela beber e ser feliz. Enchi outro copo e comecei a beber em frente ao computador porque queria ver o clipe da Britney. You're a womanizer, baby. Comecei a beber, beber... E minha mãe: "estamos celebrando o quê?". Aí eu comecei a rir e disse: "se eu disser que estamos celebrando a beleza de estarmos vivas, o que você vai dizer?". Ela gargalhou. Disse que seria impossível eu dizer isso. Aí eu disse que estamos celebrando essa caralha de vida tribufenta. Ela aceitou. Agora eu vou ali, encher novamente meu copo e fazer a calda do bolo. Já volto. Decidi que hoje vou beber, ver clipes da Britney e escrever aqui. Duvido que alguém leia tudo, portanto, será meu desabafo sozinha e bêbada numa madrugada de sábado. Melhor escrever aqui do que começar a ligar pras pessoas. Né?

Stay tuned.

00:20 - Acabei de passar pedaços de bolo na calda de coco e depois no coco ralado. Bem lúdico. Comecei com frescurinhas usando garfo e colheres para não sujar as mãos, mas a cada gole de espumante (vou chamar de CHAMPAGNE porque fica mais luxuoso). Pois bem, a cada gole de champagne eu jogava algum utensílio dentro da pia, até que, no final, minhas mãos estavam cobertas de coco ralado e calda de leite condensado. Vou começar a fazer isso mais vezes: beber champagne e cozinhar. É terapêutico. Estou aqui lembrando do meu primeiro acesso de raiva da noite e estou até conseguindo rir. Porque né, ter uma "mãe de rapaz" como a que eu tenho, ou você ri ou você chora e xinga. Eu já xinguei hoje, bastante. Ele não sabe, obviamente. Mas chamei a v[eia de XEXELEMTA. Esse é um xingamento bonito e eficaz. Sem contar que é sonoro. Aí quando desliguei o telefone depois de falar com ele e ele me informar que a xexelenta sumiu com o carro DELE e foi pra balada e nós teríamos que adiar o cinema eu fiquei brava. Porque a tia não gosta de mim. Então tudo que ela pode fazer pra dificultar ela faz. Very nice. E esse foi meu primeiro ataque de raiva, o que me motivou a ir pra cozinha fazer bolo.

00:27 - mandei meu primeiro sms bêbada da noite. Tenho medo do que está por vir. Tentei fazer minha mãe ficar bêbada, ela NUNCA ficou bêbada na VIDA. Falei "mãe, você tá em casa, bebe aí, depois você cai na cama". Ela disse que não, que se bebesse mais ficaria bêbada. Mas essa é a intenção! Minha resposta foi um "aaaaaaaffffffff". Acho que isso representou toda a minha crítica à postura careta da minha mãe. Esse foi meu manifesto. Aaaaaaafffffff.

00:35 - Boy don't try to front, ah ah, I know just what you are, ah ah...

00:40 - Vamos tirar algumas músicas do MP3 player a colocar outras? Siiiiiiiiim! Então vamos tirar Rufus Wainrhdgfjtright, Ben Harper (sorry, Ben!) e MGMT e colocar Madonna, Britney, Justin e Beyoncé? Vamos! Vou arrasar na performance na sala.

00:49 - Precisava terminar de baixar minhas músicas pop merdão e fui pro soulseek. Dificuldade de acertar o nome de Justin. Timbalake. Timbaland. Poucas músicas vieram aí eu vi que é Timberlake. Finalmente acertei, because I'm bringin sexyback.

00:53 - Falando em Justin, compartilho cas caléga o clipe em que Justin está o cúmulo da delícia. Lindeza. Muita atenção aos minutos 1:50 a 1:58. Dá até calô.

01:05 - Ligação telefônica em que eu fiquei rindo e o moço não entendeu nada e falou pra eu ir dormir porque tô bêbada. Mas aaaaaainda não. Porque vou terminar de ajeitar meu MP3 player e vou ali dançar na sala.

Vou ficar bêbada de champagne mais vezes em casa. É glamour, é delícia e eu só tenho que cair na cama depois. Tchau, hein.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mãe louca

Por algum motivo do destino que eu não consigo explicar, dou aula bem perto de 4 shoppings: D&D, Morumbi, Iguatemi e Ibirapuera. Isso significa que quando quero comer algo rápido ou fazer hora em intervalo de aulas, vou a um desses shoppings. Sexta-feira é dia de Ibirapuera, e lá fui eu comer uma torta mousse da Ofner pra me dar energia para a aula. Sentei numa mesinha e, ao meu lado, uma menina de uns 5 anos tomava sorvete e a mãe observava. Do meu outro lado, uma menininha muito esperta de no máximo 2 anos e meio, com a mãe e a avó. A mãe dessa menininha é mais velha, com certeza mais de 40 anos. E lá estava eu, comendo meu doce, quando a menina de 5 anos começa a falar comigo. Pergunta meu nome, se tenho olhos azuis, diz que meus olhos são feios e que ela queria um pedaço do meu doce. Ok, coisa de criança. Aí a menina me pergunta:

- Você é filha dessa mulher?

"Essa mulher" é a mãe da menininha esperta. Eu respondi que não, que minha mãe estava no trabalho dela. Nisso, a mãe da menina de 5 anos fala, alto, pra quem quisesse ouvir:

- Olha, uma coisa que eu acho ridícula é mulher que tem filho depois de velha. Filho a gente tem que ter nova. Que nem eu. Filho de mulher velha não presta.

Ela falou isso do nada, sem nem olhar pra mim. Eu demorei uns segundos pra assimilar que picas aquela louca estava falando. Claro, ela estava criticando, em alto e bom som, a mãe da menininha esperta. E eu fiquei completamente sem reação. Demorei pra acreditar que alguém fosse capaz de fazer uma crítica assim, gratuita, absurda e sobre alguém que nem conhece sobre algo que diz respeito somente à outra pessoa. Afinal, quem cria a menininha esperta? Quem lava roupa, dá carinho, dá comida, leva pra passear e limpa a bunda da petiz? É a mãe dela, certo? Se é mais velha ou mais nova, o que interessa é se ela é uma boa mãe. Se ama a filha. É só isso que interessa.

Continuei sem reação até a menina de 5 anos derrubar sorvete na roupa. A mãe louca levantou e foi limpar a menina, que se encolheu assustada e disse:

- Foi sem querer! Não briga comigo!

A mãe louca riu e disse, alto novamente:

- Não vou te bater!

O que se conclui? Que a menina de 5 anos deve levar uns bons cascudos da mãe louca. Que é nova. Que acha que mães novas são melhores que mães velhas.

Acho que o mundo está cada dia mais bizarro.


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Depois da aula voltei ao shopping pra comer um lanchinho. Do meu lado sentou um menininho com os pais. O menininho ficava me olhando, olhando e começou também a conversar comigo. Crianças em geral vão demais com a minha cara. Sempre foi assim e eu nunca entendi o motivo. Alguém? Alguém? Bueller?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Organização e tentativa de ânimo

Organizei meus links que estavam desatualizados há tempos. Tem blogs novos ótimos ali do lado, podem conferir. Coloquei a "gadget" de seguidores - pra quê serve essa troça mesmo?

Fui à manicure e pintei as unhas de vermelho quase laranja. O legal é que minha bolsa é quase da mesma cor, então vai rolar um semi-mimetismo. Depois vou à depilação e antes de ir pra aula vou fazer um processo no rosto chamado microdermoabrasão, da Mary Kay, que dá uma boa revigorada na pele. O nome soa estranho, mas acreditem, o negócio funciona.

Hoje à tarde vou pagar as contas atrasadas, que eu não tive tempo de pagar na semana passada. Vou tentar organizar minha planilha de gastos e tentar fazer uma previsão para dezembro. Terei uma semana de férias, mas não recebo por isso - uma das desvantagens de ser autônoma é não receber férias nem 13º. Mas isso é compensado pela IMENSA vantagem de não ter chefe, e isso vale mais do que muita coisa. Pois bem, sem férias e sem 13º mas mesmo assim teimosa e com rodinhas nos pés. Vou viajar na minha semana de férias e, ainda que seja num esquema econômico super plus, preciso me planejar.

Amanhã vou terminar de organizar minhas gavetas, jogar mais papel fora, organizar maquiagens, materiais de aula.

Pode parecer bobagem, mas quando eu sinto que estou escorregando para a apatia, o espírito da Dona Zefa baixa em mim e eu começo a querer organizar tudo. Se eu fosse mística, diria que o Feng Chui diz que isso é bom. Não sou mística mas realmente acredito que essas fases de organização e arrumação fazem bem porque, ao menos para mim, ajudam a clarear as idéias. Além de ser uma terapia ocupacional.

Eu não gosto de me sentir parada, cansada, exausta e sem vontade de nada, mas, ao mesmo tempo, eu acredito que todo mundo tem direito a períodos assim. Fico preocupada porque não tenho a menor vontade de sair "de balada" por exemplo. Só saio se for para algum evento da dança de salão ou encontro com amigas na casa de alguém. Só. Não sinto vontade alguma de sair, me dá preguiça de me arrumar, preguiça de enfrentar lugar cheio, preguiça de socializar com muita gente. Mas desde quando balada é vital para a vida, né?! Tenho tentado não me forçar a nada porque sei que depois das minhas férias longe de tudo eu vou voltar bem e descansada. E aí tudo volta pros eixos.

Ao menos eu torço muito por isso. He.

domingo, 16 de novembro de 2008

Eu avisei!!!! plus vídeo com Justinlicious Timberlake

Eu já sei que eu poderia ser Mãe Dinah e ganhar uns trocos. Já sei, já sei... Afinal, apontar o óbvio não é algo lá muito difícil, basta um pouco de observação e bom senso. No post em que coloquei o vídeo da música usada na apresentação eu disse: "Certeza que as véias vão cair e vão mostrar as calçolas pra platéia, mas tudo pela arte, não é mesmo?". Não precisei nem esperar o grande dia para que minha observação se confirmasse. No ensaio de hoje, na parte final...:

- Homens cruzam os braços nas costas das mulheres.
- Mulheres cruzam os braços na frente (ui) dos homens.
- Homens colocam braços embaixo de nossas buzanfas.
- Mulheres são levantadas do chão, sentadas nos braços dos rapagões fortes, sarados e prontos para essa tarefa(COF COF).
- Véia cai de bunda no chão.
- Todo mundo ri, até a véia começar a chorar e todos virem que a coisa foi séria.

Correria geral para socorrer a pobre senhora da buzanfa escangalhada. O irônico é que, no momento em que a professora se retirou para prestar socorros, resolvemos prosseguir com o ensaio, que estava zoado. Todo mundo cometendo vários erros, inclusive eu. Pois bem, ironias da vida: professora sai, alunos ensaiam sozinhos e... TA DAAAAH! Ninguém erra. Ficou lindo. Já fizemos uns 8 ensaios, esse em que a professora não estava foi o primeiro que deu realmente certo. Isso mostra que a apresentação será bem capenga e também mostra que a professora é uma urucubaca.

Mentira, ela não é, mas eu digo que é porque ela me chamou de MAGRELA hoje. Eu tenho vontade de arrancar os olhos de quem me chama de magrela.

Pra terminar, fiquem com o vídeo do dia: Justin Timberlake no SNL fazendo a coreografia de "Single Ladies" com a Beyoncé. TEM COMO não amar Justin? Depois de "My dick in a box" ele ainda veste maiô, salto alto e sai fazendo dancinhas. Amor para sempre!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mimimimimi

Eu fico resfriada mensalmente. Minha pele anda feia, apesar d'eu usar direitinho os 3 passos da Clinique há quase um mês e de usar um produto da Avène que promete pele lisa (porque contém ácido glicólico, blablabla). Tenho mais fios brancos na cabeça do que eu gostaria. Outro dia, embaixo do meu queixo apareceu uma bolinha dolorida. Eu mexia o pescoço e aquilo doía. Passou. Essa semana uma bolinha igual apareceu embaixo de uma axila. Também passou. Eu vivo à base de Benegripe e Dorflex. Acordar é um suplício e ir dormir também. Passo o dia com sono mas, quando deito, demoro um tempão pra pegar no sono.

Eu não tinha me dado conta da gravidade da coisa até quarta-feira. Antesdontem. Quando, num semi surto, eu quase desisti da apresentação de final de ano. É, essa mesma sobre a qual eu escrevi no texto anterior. Tudo porque tinha que ir à costureira mandar fazer o vestido gema e não sabia nem onde havia costureira aqui perto e nem tinha tempo de descobrir. Quase comecei a chorar, bem ridícula mesmo, falando "não quero maaaaaaais". Ainda bem que poupei as paredes de casa e meus gatos de presenciarem esse vexame. Não teria cabimento desistir agora. Eu amo dançar, eu estou me esfalfelando em ensaios, eu adoro minhas aulas. Como assim, desistir? Foi aí que eu vi que a coisa tava grave: pra eu desistir de algo que eu amo por causa de cansaço e stress é porque mais um pouco eu vou sair correndo pelada na rua dizendo que Jesus voltou.

A sorte foi que minha mãe, que está mais ansiosa que eu para a minha "grande estréia" (pausa para risos abafados), saiu à caça de costureira e achou. A outra sorte foi um amigo que ficou meia hora no telefone falando um monte de bobagens pra eu rir. Aí o surto passou. Ao menos até ontem, quando eu quase comecei a chorar de novo, por causa de cansaço. Não que eu esteja mais sobrecarregada de trabalho que antes. Eu já trabalhei tanto ou mais do que trabalho hoje em dia. E, convenhamos, não ter chefe, ser independente e dar aulas do jeito que eu bem entender é um grande contribuidor para o NÃO stress. Acontece que esse ano foi foda. Quem lê esse blog faz um tempo sabe. E aí, quando eu devia ter descansado, viajado, sumido... Eu tive que engolir em seco o que estava sentindo e sair atrás de novos alunos. E apertei o botão do trabalho. Trabalha, trabalha, trabalha, nada de sentir muito, nada de chorar, nada de esmoirecer.

Meu corpo está mandando a conta dessa decisão. Eu já tentei entrar em acordo dizendo que eu fiz o que deveria ter feito e que não teria mesmo como ter relaxado naquela época. Não adianta, meu corpo continua cobrando. Eu gostaria de fechar os olhos e, ao aabri-los, já ser dia 11 de dezembro. Dia da apresentação. Isso significaria só mais uma semana e pouco de trabalho antes da minha semana de férias.

2008, por favor, acabe logo.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Fiesta pa' los rumberos

Esse é o nome da música que dançarei na apresentação de final de ano. Sábado passado, após uma maratona de aula e ensaio que me deixou exaurida (no final eu estava tão cansada que não conseguia contar 12 tempos. Eu contava 13, sempre errava e tomava carraspana da professora. Triste), eu concluí que, sem sombra de dúvidas, a dança é realmente uma das grandes paixões da minha vida. Porque, vejam bem. Meu vestido tem que ser AMARELO GEMA. Amarelo gema é a cor inimiga das branquelas como eu. Eu me recuso a fazer JET BRONZE pra ficar mais escurinha, então eu tenho que me conformar em me apresentar parecendo uma omelete. O modelo é frente-única. Frente-única é o modelo inimigo das mulheres com pouco peito. Como eu. Eu adoraria ter dinheiro prum siliconinho básico, mas não tenho. Ou seja, estarei vestida de omelete COM dois ovos estralados para completar. Ah, se não fosse meu senso de humor, hein... Além dessa desgraceira toda, tenho que dançar ao lado de um rapaz vestido todo de branco que, para quebrar a VIBE Pai-de-santo, usará uma fita AMARELA na cintura, combinando com meu modelito. Não sei se prefiro dançar ao lado de Pai Oxalufã de Aruanda ou se prefiro dançar ao lado de um ovo frito. Sem contar que as professoras nos orientaram a CAPRICHAR nos acessórios e na maquiagem. Temo pela retina de meus amigos que irão me assistir. Porque certeza que as cafonas colocarão chapéus de Carmem Miranda e usarão maquiagem de drag queen. Tô pensando em oferecer meus préstimos de pessoa com noção mínima de make up pra ver se poupo a platéia de ver pessoas com vestido amarelo, sombra azul e verde passada sem esfumar e batom laranja.

Acho que ficou claro que eu realmente amo a dança. Porque só amor justifica que eu esteja imersa até o cocoruto em tanta cafonice. E, vejam bem, cafona não é a salsa, não é dança, não é a apresentação. É como as pessoas encaram isso. E se portam. E se vestem. Mas enfim. Ao menos eu tenho aqui um vídeo para mostrar aos meus queridos miguxos leitores como é uma parte da apresentação. Vejam bem, salsa é algo complicado e existem várias modalidades. Nós dançaremos três delas. Shine, em linha e rueda de casino. Nesse vídeo vocês vêem um pouco da salsa em linha, que nada mais é que a salsa dançada a dois; e da salsa "rueda de casino" que é a MAIS legal. Shine é uma modalidade bem Vera Verão em que a mulher dança sozinha fazendo uns chacoalhos pra lá e pra cá e passos que se chamam "Suzy" ou "Como uma deusa". Imaginem. Pena que desse tipo não tem vídeo mostrando. Mas vocês podem rir de mim desde já - eu serei uma das dançarinas da linha de frente. Riam, riam. Eu mereço.

Pois bem, apenas uma breve explicação sobre o que é a "rueda de casino", ou salsa cubana. Dança-se em roda (ORLY?) e todos sabem os passos E os nomes dos passos. Alguém canta os passos e todos executam ao mesmo tempo, sendo que muitos deles envolvem troca de parceiro. É uma suruba dançante e sem sexo. Quem dança salsa cubana sabe o que é um ENCHUFA, um MONTURNO, um DA ME (ui). Existe também o Che, o Fidel e a Rosa. Não sei exatamente o que farei com esse tipo de informação quando eu parar de dançar, portanto, acredito que para vocês essa informação seja mais inútil ainda. Portanto, aí vai o vídeo, com Chayenne e Vanessa Williams. Nos minutos 3:00 a 3:55 mostram a rueda. E o passo final, em que os homens fazem "cadeirinha" com as mulheres, nós faremos em nossa apresentação. Certeza que as véias vão cair e vão mostrar as calçolas pra platéia, mas tudo pela arte, não é mesmo?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Caio

Eu era apenas uma moçoila de 21 anos. Eu poderia dizer que isso diz muita coisa, mas dizer isso deporia um pouco contra mim por diversos motivos que não vêm ao caso, portanto, completarei dizendo que eu era uma moça de 21, 22 anos, tímida e sem muita noção do meu lugar no mundo. Não que agora eu tenha, mas ao menos eu sei que eu não tenho. Aos 20 e pouquíssimos anos você não tem noção do mundo mas é arrogante o suficiente para achar que tem. Believe me, I know that. E lá estava eu, trabalhando e me preparando uma viagem de trabalho para Manaus. Eu não queria ir porque seria num fim-de-semana e eu estava saindo há umas 3 semanas com um rapaz (igualmente jovem e igualmente arrogante, mas ele era um pouco mais arrogante ainda porque ganhava muito dinheiro para alguém da idade dele. Ou seja, ele era ligeiramente insuportável. E eu achava que gostava muito dele). Imaginem, 3 semanas, já era quase UM MÊS. E um mês já era namoro, na minha cabeça perdida. Como poderia eu passar um fim-de-semana longe do meu quase namorado? Nossa, fim do mundo.

Eu queria ir na sexta e voltar logo no sábado. Porque MANAUS, né, pessoal. It's the end of the world as we know it, essa era minha opinião. O que eu farei em MANAUS sendo que meu docinho de côco estaria aqui, sozinho em São Paulo? Ó. Foi quando meu chefe na época chegou e disse:

- Camilíssima (ele me chamava assim), você vai viajar prum lugar super diferente, pode ver coisas legais, por que não muda a data da volta para domingo à noite? Eu te libero na sexta, aí você também altera sua ida e pronto! Você tem uma viagem diferente de um fim-de-semana em que terá que trabalhar por apenas 3 horinhas. Vai, boba!
- Mas Caio, é que eu comecei a sair com esse cara e aí eu não queria deixá-lo sozinho no fim-de-semana.
- Não quero nem ouvir. Uma menina como você, se enveredar pelos caminhos das idiotas que vivem para um namorado, é um desperdício. Tenha certeza que quando você voltar ele estará te esperando. E, se não estiver, melhor pra você, sinal de que ele é um imbecil. Agora, perder a chance de ver o Rio Amazonas sem pagar nada é um claro sinal de idiotice e eu acredito que você seja diferente.

Ele falava essas coisas sempre docemente e com um sorriso no rosto. E depois falava "vamos ali pegar um café". Caio era irresistivelmente charmoso. Contava casos, ria, falava de escritores, falava das bebedeiras dele e do filho, de quem ele se orgulhava muito. Por causa dele eu fiquei um fim-de-semana inteiro em Manaus e vi o encontro das águas, passeei pela cidade, vi lugares bem diferentes. Voltei picada pelo bichinho das viagens. Algum tempo depois, foi ele quem fez questão de me incluir nos programas de intercâmbio, para que eu tivesse contato direto com americanos - porque ele achava que eu tinha que ter algum tipo de experiência internacional, mesmo que fosse no Brasil. Ele me mandava pro Rio de Janeiro com os gringos mesmo quando eu não precisava ir. Mesmo quando não era parte do meu trabalho. Só porque ele sabia que era bom pra mim. Foi ele quem sugeriu que eu começasse a dar aulas e foi ele quem conseguiu que eu fosse mandada embora, pra ter um dinheiro para começar a carreira como English Teacher.

Eu tinha ele como um pai. Acho que das poucas figuras paternas que tive, foi ele quem mais me ajudou profissionalmente. Na semana passada eu soube que ele faleceu de câncer de pulmão. Eu não tive tempo de me despedir, mas fico feliz que, há mais ou menos uns 10 meses, quando nos vimos pela última vez, eu consegui agradecê-lo por tudo que ele tinha me ajudado. A resposta não poderia ser mais dele:

- Imagine, Camilíssima, você sempre mereceu. Vamos ali beber um drink, almoçar, falar da vida... Me conte, e sua vida amorosa sempre turbulenta?

Eu só acho que o mundo devia ter muitos Caios por aí.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Procrastinators of the world... Unite and take over...

Entro em vários sites para fazer uma seleção de textos para uma das minhas aulas mas me lembro que tenho que terminar um exercício, favorito os sites, vou para o exercício e aí me cai a ficha de que tenho que terminar de corrigir uma prova. Deixo o exercício, vou para a prova. Uma janelinha do MSN pisca, é um amigo enroladíssimo com seus casos amorosos querendo me contar os últimos basfonds. Converso com ele por algum tempo, uma outra janela pisca, converso sobre algo completamente diferente com a outra pessoa; lembro-me que fiquei de verificar sobre compra de ingressos para uma peça de teatro, me despeço dos amiguxos no MSN, fico offline, entro no site da Ticketmaster, não acho a informação, ligo para o Citibank Hall, desligo, ligo para o meu rapaz, me distraio falando sobre preços, entro no Orkut para deixar recado para o pai dele, chegam emails e eu respondo alguns, paro para pensar a respeito do amigo que falou comigo no MSN e seus casos afetivos e como a vida amorosa das pessoas, incluindo a minha, é complicada. Começo a pensar sobre a minha vida e entro em crise, aí olho no relógio e vejo que ainda tenho que terminar tudo aquilo que eu comecei de trabalho. Entro no blogger e escrevo um post.

Não sei se é DDA, não sei se é crise existencial, não sei se é procrastinação. Só sei que tá foda.