quinta-feira, 12 de abril de 2012

Delícias sonoras

Hoje venho aqui para falar sobre algo muito importante: homens bonitos. Há tempos corroborei essa teoria de que homens realmente interessantes têm nomes sonoros. Recentemente fiz uma listinha mental com os homens mais musos desse nosso pequeno planeta e vi que minha teoria faz sentido. Para entender, leia o nome alto, intensificando nas maiúsculas que eu destacar. Mas não faça isso no trabalho porque senão vai ficar erótico. Vamos lá:

Muso número 1: meu marido. Eu nunca falei que essa seria uma lista para o deleite de vocês, não é? É só uma lista que prova minha teoria, que é muito bem fundamentada e não tem nada de subjetiva. Pois então, o muso número 1 é claro que é meu marido. Que tem um sobrenome bem sonoro e diferente. Quer dizer, parte dele. O final é Silva, mas o meio é meio único, nunca vi outra pessoa com esse sobrenome. Não vou colocar aqui foto do delício e nem dizer o sobrenome, não sei se ele permitiria. De qualquer maneira, tive que deixar registrado. Amor, eu te amo, tá? Não fique bravo por causa desse post! <3

Muso número 2: Michael Fassbender. Michael. FASSBENder. Percebem? Não? Então aí vão duas fotos pra vocês entenderem:


(fotos dedicadas à Gi Ruaro, que foi meio responsável por eu descobrir Michael FASSBENder)

Muso número 3: ele devia vir antes do FASSBEN pois ele foi o estopim de minha teoria, anos e anos atrás. Mas não tem como, Michael é Michael. E o terceiro lugar vai para... MATT DAmon. Desculpe, gente, é tão óbvio que nem precisa de foto. Beijos. Tá, não chorem, precisa sim.


(sorriso lindo e, além de parecer muito legal, ele ainda gravou "I'm fucking Matt Damon" com a Sarah Silverman, o que só prova que ele é mesmo muito legal. E divertido. E bonito)

Muso número 4: Ryan Gosling. Ryan GOSling. Esforcem-se, meninas. Eu sei que vocês entenderão. Precisam de ajuda, ok. Então façam duas coisas: lembrem-se dele em "The Notebook" e em "Drive". E vejam a foto:


(a escolha dessa foto é simples: ele está junto com o cachorro dele. Ele sempre anda com esse cachorro, que é todo despenteado, por NY. Aí, quando não está sendo lindo e andando com o cão, ou namorando a linda da Eva Mendes, Ryan aproveita pra apartar brigas e salvar pessoas de atropelamentos. O cara é tipo um super-herói)


Muso número 5: Matt Bomer. MATT BOMer. Até corei, porque esse nome é muito lascivo. Ele é o lindão daquele seriado "White Collar". É assumidamente gay mas não somente os heterossexuais entram nessa lista, não é mesmo? Ele tem uma beleza tão certinha que chega a assustar. Parece um príncipe da Disney.


(não sei se acho os olhos mais lindos ou se acho esse queixo quadrado mais lindo. Fico em dúvida)

Muso número 6: Alexander Skarsgärd. Não faço ideia de como pronunciar esse sobrenome sueco. Mas o nome Alexander é forte. ALEXANDER. SKRSHJSGIÄRD. Gente, coisa linda de se ver. Tá bom, vai, eu confesso. Ele é quase uma exceção à minha teoria super embasada. Mas toda regra tem sua exceção e Alexander merece estar aqui. Meu marido fala que em algumas cenas de "True Blood" ele é muito afeminado mas eu acho que isso é intriga da oposição. Alexander, você não acha?


Acho.

Um beijo às leitoras e leitores que concordam com minha teoria. Espero ter feito o dia de vocês mais bonito, mais sonoro, mais imaginativo. Beijos!

(Thiago, continue me amando, por favor)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

É assim que se começa, parabéns!

Comecei no trabalho novo/lindo na segunda-feira. Aí foi assim:

Segunda-feira: recebo uma ligação da diarista às 3 da tarde avisando que Margarida, a gata, fugiu. E conseguiu entrar no quintal da vizinha de baixo, que é uma velhinha bem fofa que tem medo de gatos. Ciça, a diarista, que tem medo de Margarida, tentou, em vão, trazer a gata de volta. Chamou os vizinhos e ninguém conseguiu pegar a bichana que não pesa mais de 5 quilos. Parece que estavam perseguindo uma lebre ou uma foca ou, sei lá, um jacaré na água. Aí tive que colocar no rosto aquele sorriso sem graça e falar pra minha chefe: "minha gata fugiu de casa e a diarista não conseguiu resgatá-la". Chefe do amor dá risada e fala "vá embora então resgatar a bicha".

Saí de lá cedo, xingando a Margarida mentalmente, puta das calças porque tive que passar por uma besteira dessas no primeiro dia de trabalho novo. Chego no prédio e, da janela da escada - que dá pro tal do quintal - eu chamei "Margarida, venha aqui já!". Ela veio. Eu puxei ela pela fresta da janela. Sem esforço algum. Pior é que consigo imaginar o banho que ela deu no pessoal daqui do prédio. Margarida é tinhosa que só ela.

Terça-feira: chego no trabalho, vejo que, no elevador, os rapazes olham pro teto mas não olham pra mim. Não que eles tenham que me olhar, mas sabe quando evitam propositalmente? Que só faltava eles assobiarem pra disfarçar que estavam evitando? Beleza. Abro a porta do escritório e cumprimento as recepcionistas com toda a simpatia do mundo. Elas olham, rindo, e falam: "os botões da sua blusa estão abertos". Uns 3 botões, minha gente. Dava pra ver todo o sutião. Vejam que os moços do elevador foram muito discretos e educados.

Então o saldo, até o momento, foi: um pedido para sair mais cedo e sutiã à mostra. Estou ou não estou de parabéns?

E, tirando esses episódios, estou feliz da minha vida. Emprego novo, área nova, vida nova. Era tudo o que eu precisava! :)


sábado, 31 de março de 2012

Pra marcar a mudança

Quando eu quero deixar algo pra trás eu mudo meus cabelos. Dessa vez eu só retoquei a raiz mesmo. Adoro a cor que ele tem atualmente assim como estou adorando ter cabelos compridos. Então não tinha como fazer uma grande mudança.

Aí, mudei o layout. Um padrão mais simples, com a Torre Eiffel como única firula e também ícone daquilo que quero conquistar nessa nova fase: 23 territórios à minha escolha e também Vladivostok. Brinks. Quero começar a conhecer o mundo e é certeza que França será um dos primeiros destinos.



(Também porque ontem uma amiga reclamou dizendo que o layout de bolinhas fica ruim de ler no Reader ou sei lá onde. Oi, Miru! Melhorou agora?)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Quando gira o mundo e alguém chega ao fundo de um ser humano*

Eu trabalhei por dois anos numa escola de idiomas presente no mundo todo. É uma escola super conceituada, super cara e muito boa. Foram dois anos muito, muito bons, fui muito feliz lá, amava meus colegas e meus alunos. Saí porque financeiramente era uma merda.

Esse ano começou muito mal, com quase nenhum aluno novo. E eu precisava de alunos novos, visto que tive que deixar todos de lado pra ir trabalhar naquela grande escola inglesa que quase me enlouqueceu. Janeiro, nada de alunos novos. Fevereiro, promessas de alunos novos. Março, as promessas desistiram.

Uma aluna nova quis fazer umas duas aulas específicas de preparação para entrevista de emprego. Disse que quando conseguisse o emprego, faria aulas comigo. Disse que o noivo dela, que é meu ex-aluno, amava as aulas comigo e me recomendou muito. E comentou que havia procurado escolas de inglês mas todas eram caras e ela havia ficado confusa com as metodologias. Calmamente eu expliquei sobre as principais, falei alguns prós e contras de cada uma e falei sobre as duas onde havia trabalhado: a internacional bacanuda e a inglesa difícil.

Semana passada recebo email dessa moça me contando que está empregada e que optou por fazer aulas na escola bacanuda. Mas que queria fazer uma ou outra aula comigo.

Eu fiquei muito decepcionada. Vejam bem, eu trabalhei nessa escola, eu conheço a metodologia, eu tenho experiência de anos com Business English, eu manjo do babado todo. E cobro mais barato que a escola. Com a vantagem de ter liberdade para usar materiais diversos, porque, obviamente, não tem como usar o material da escola. Só que isso é bom! A aula fica mais rica! Mas a pessoa prefere ter aulas na escola. E me avisa isso. Minha vida já está fodida o bastante e ainda recebo um email desnecessário.

Essa semana a moça me escreveu de novo. Está achando as aulas muito difíceis e quer que eu dê aulas de reforço na empresa onde ela trabalha. Gente. Não era mais fácil já fazer as aulas comigo de uma vez? Se o problema é o certificado que te dão no final do curso, presta um FCE da vida depois de um tempo de aulas comigo que você passa. E tem um certificado válido mundialmente. Da Cambridge University. Não vale mais a pena?

Bem, acontece que minha vida deu um giro. Mudou de uma semana pra outra. E não posso mais ir até a empresa. Posso dar uma aula de reforço por semana, de manhã. Só. Vamos ver o que ela fala. E essa história, meus amigos, é só pra mostrar um pouquinho o quanto dar aulas particulares é difícil. A competição é contra grandes instituições. As pessoas regateiam preço até não poder mais. Algumas tratam o professor como se fosse mercadoria, afinal, "eu pago".

Eu amo dar aulas. Preenche meu coração, de verdade. Mas todo o entorno é muito difícil. Toda a negociação, cobrança de pagamento, desistências, justificativas. É tudo muito, muito estressante.

Fico pensando: se muitos alunos tivessem aparecido, se essa moça tivesse optado fazer um baita curso intensivo comigo, eu teria pensado em mudar? E aceitar essa mudança?

* esse título lindo é referência ao nosso grande ídolo Juninho, Fábio Junior, grande filósofo romântico. Só usei esse trecho pois fala sobre o mundo girar e meu mundo girou, não é? A parte de chegar ao fundo de um ser humano só está lá porque, gente, que frase é essa? Incrível.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Então, né. Dia das Mulheres. I couldn't care less. Mas, é claro, muita gente me dá "feliz dia das mulheres". E o que eu faço?

Eu AGRADEÇO. De coração. Porque além de ser educada eu entendo que não é todo mundo que sabe da história do dia das mulheres. Nem todo mundo sabe o que está por trás desse dia. Tem gente que simplesmente me acha especial, acha as mulheres todas lindas e resolve dizer "Feliz dia". E tem aqueles que acham que somos belezas que iluminam seus dias e eles não seriam nada sem nós. Beleza! Eu agradeço também.

Vou ser muito sincera. Culpem o álcool. Bebi muito vinho. Tô sincerona, gente.

Então. Acho de um ranço muito chato que a mulherada fique reclamando TANTO dessa porra desse dia. Amiguinha. Amiguinha, bonita. Amiguinha, cheia de óleo na cara. Amiguinha, feia. Então. Ignore. Agradeça. Escreva em seu blog, tá ok. Mas gente do céu, essa militância toda é chata de-mais. Essa coisa de "eu fico mal-humorada porque esse dia é uma merda" é algo tão, tão desnecessário. Meus dias são geralmente legais. Não é uma data comemorativa válida ou não que vai tornar meu dia uma merda.

Sei lá, sabem. Um pouco de vida e menos internet fariam um bem gigantesco a muita gente.

No mais, repito: é feio e falta de educação mandar tomar no cu quem te deseja um bom dia.

Não, sua reclamação não vai me fazer mudar de ideia.

Ah, eu amo vinho!

terça-feira, 6 de março de 2012

Amizades adultas

Eu fiz amizades depois de adulta, muitas. E algumas dessas amizades passaram por muita coisa comigo, e eu com elas. Por anos eu botei fé que amizades feitas depois que você é adulta tendem a durar muito mais, afinal, as mudanças são menores e, teoricamente, é mais fácil lidar com adultos do que com adolescentes cheios de hormônios. Sempre considerei um grupo de amigos em especial como muito mais especiais que todos.

A verdade é que amizades adultas são difíceis. É todo um lance de desapego que, às vezes, dá mais trabalho que aquela coisa amizade de gente jovem. Você tem sua vida, a pessoa tem a vida dela, não tem como se falar sempre e muito menos se ver sempre, todo mundo trabalha muito, tem família, outros amigos, compromissos mil. O que importa é: quando vocês se veem é como se não tivesse passado tempo algum. Acho que amizade adulta é aquela coisa: você não está presente sempre mas a pessoa sabe que você está ali.

E nessas de "você não está presente sempre" eu acho que, por mais malucas que as nossas vidas sejam, há que se demonstrar um mínimo de dedicação. Carinho. Interesse. Porque as vidas já são suficientemente malucas e ocupadas, sem tempo para conversar, para sair pra uma tarde de fofocas e cervejas; então se não houver um mínimo de dedicação de ambas as partes a amizade acaba, infelizmente, arrefecendo.

Eu tenho toda essa dificuldade em entender e aceitar que algumas das amizades que eu sempre considerei muito próximas estão se perdendo com o tempo. Estão se perdendo porque a vida não dá conta, porque a pessoa não dá conta, porque a pessoa perdeu o interesse. Eu costumo insistir mas acho que insistências desse tipo têm limite. Ou há certa reciprocidade no interesse e na procura ou não tem como seguir considerando a amizade como a mesma coisa. Eu já entendi muita coisa com relação a amizades adultas. Agora só falta aceitar. Aceitar que às vezes não há nenhum motivo para haver uma "separação". Nada aconteceu, especificamente. Ou melhor, aconteceu. A vida aconteceu e ninguém se deu conta. Ou até se deu conta, mas aí já era tarde demais.

Por mais que eu sempre, sempre, sempre fique com o coração apertado toda vez que me dou conta de que as coisas são e estão muito diferentes, eu não posso fazer nada. Cada um segue a vida como quer. Cada um dá a atenção que acha que tem que dar, que pode dar, que acha suficiente. Cada um se interessa pelo que quer se interessar. Pra mim a amizade é pra sempre mas é difícil desapegar da parte do "você está sempre ali". E, no final, cada um vê a amizade de um jeito. Eu entro nas minhas crises. As pessoas nem percebem que as coisas estão diferentes. E a vida segue!




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pati beijos

Todas aquelas fotos da gente uó que fez magistério comigo me fez lembrar de algumas histórias ma-ra-vi-lho-sas daquela época. A que contarei hoje é sobre duas Patrícias. Pati 1 e Pati 2. Pati 1 era moça fogosa. Namorou professor, vivia contando suas histórias tórridas a todos. Aliás, contar historinhas picantes era o maior passatempo das moças daquele curso. Parecia competição. Onde deu, pra quem, que posições, etc e etc. Eu era considerada excelente ouvinte nessa época. Achavam legal me contar coisas porque eu sempre escutava pacientemente sem interromper, sem competir, sem falar sobre minhas experiências. Eu era boa ouvinte pois não tinha experiências, né. 15 anos e "boca virgem", ia falar sobre o que? Tinha mais é que ouvir Pati 1 contando sobre suas aventuras calientes.

Outro passatempo das moças era dizer que ia se matar: virava e mexia alguma menina decidia se despedir de todas dizendo que ia suicidar-se porque o mundo estava ruim. No primeiro ano todas nós nos comovíamos, chorávamos, implorávamos para que a "suicida" da vez não fizesse nada de mais. No terceiro ano a coisa já era diferente. Se alguém chegasse dizendo que ia fazer algo assim ouvia-se "vá com Deus, beijos". Não era frieza não, era consciência de que a pessoa não ia fazer absolutamente nada porque todas nós sabíamos que rolava uma carência coletiva nervosa em quase todas e esse lance de se matar era só pra chamar a atenção.

Mas um dia Pati 1 resolveu que ia fazer merdinha e não avisou a ninguém. Foi pra uma sala de aula vazia, tomou Baygon e, dois minutos depois, foi levada ao posto de saúde que havia AO LADO da escola. Ela havia planejado tudo, mas esqueceu de contar com o fato de que o socorro seria quase que imediato. Lógico que todas nós ficamos abaladíssimas com o ocorrido, foi um grande susto. Mas o tempo passa. E adolescentes não têm Jesus no coração. Por isso, Pati 1 ficou conhecida como Pati Baygon até o fim do magistério.

Pati 2 era diferente. Ela não se apaixonava facilmente, não tinha aventuras amorosas e também não tinha amigos. Ela era MUITO esquisita. Isso vindo de Carrie, a Estranha, hein. Portanto ela era MESMO esquisita. Pati 2 era super engajada socialmente, usava somente moletons largos e camisetas largas e assistia às aulas sempre na mesma posição: jogando o pescocinho pro lado (vai, vai, vaaai) e com um olho aberto e o outro fechado. Quando ela se concentrava muito ela também ficava de boca completamente aberta. E quando queria participar das aulas, falava muito alto, gesticulando igual rapper. Uma palavra para Pati 2: PITORESCA.

Como eu disse, adolescentes são cruéis. Por isso, Pati 2 ficou conhecida como Pati Monga. Ela passou 3 anos sendo muito estranha e muito mal-vestida. Até que, no último ano, foi flechada pelo cupido. Apaixonou-se cegamente pelo nosso professor de Metodologia de História - que era gatinho, porém muito gay e muito namorado do outro professor de Metodologia de História. Mas Pati, ingênua, não sabia. Decidiu então que deveria partir para o ataque. Aplicou um "Esquadrão da Moda" (com sérias restrições orçamentárias e de bom senso) em si mesma e começou a vestir-se de maneira mais feminina. O que significa que ela deixou de usar roupas que pareciam um saco de batatas e começou a usar roupas que pareciam um saco de batatas acinturado e com cinto pra marcar a bordinha de muffin. Não era bonito, mas qualquer coisa era melhor do que o que ela usava antes. Pati tornou-se então Pati Fashion.


Pati 2 prestava atenção loucamente nas aulas do professor gatinho. Ou seja, ela fechava ainda mais um olho, abria ainda mais o outro, deixava a boca ainda mais aberta. Só de lembrar eu já estou rindo. Uma das minhas melhores amigas da época amava as aulas desse professor - amava AS AULAS, não o professor. Ele, por sua vez, amava as participações de minha amiga nas aulas e tratava ela como a uma amiga mesmo. A menina era genial e bacana, se eu fosse professora amaria ela também. Mas Pati, cega de paixão e ciúme, não via naquela relação algo inocente. Ela via o que queria ver: o professor dando uns tapas na bunda da minha amiga e falando "rebola mais na minha história, gostosa".

Pati decidiu vingar-se. Na época da festa junina, em que havia Correio Elegante entre as turmas, ela começou a mandar bilhetes "anônimos" para a minha amiga. Essa amiga tem olhos verdes imensos. Pati mandava bilhetes do tipo "Sua ridícula olho de azeitona verde" ou "vou furar esses seus olhões horrorosos". JU-RO. Toda vez que minha amiga recebia um bilhetinho era uma alegria. A gente ria de passar mal. Olhávamos para trás, diretamente para aquele protótipo mal-sucedido de Nazaré Tedesco, e ríamos. E minha amiga só dizia: "Ai, Patrícia, me poupe, né".

O mais legal de toda essa história das Patis é que toda vez que alguém mencionava alguma das duas, invariavelmente vinha a pergunta:

- Mas qual? A Monga ou a Baygon?

Ah, esses adolescentes cruéis...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Invasão da cafonalha

Eu fiz magistério. 4 longos anos de magistério. E não era um curso comum, era um curso especial do Governo do Estado de São Paulo, em que estudava-se em período integral. Foram 600 horas de estágio em escolas públicas. Eu poderia dizer que saí de lá com uma grande bagagem de conhecimento pedagógico mas não. Eu achava toda a teoria pedagógica o cúmulo da chatice - tanto que não aguentei a mesma teoria na Faculdade de Pedagogia e mandei um adeus para a Educação para nunca mais voltar.

Os 4 anos de magistério me deram uma ótima base para definir o que é cafona. Saí de lá expert no assunto. O motivo? Eu estudei com aproximadamente 120 mulheres, no fim dos anos 90. Mulheres de todos os bairros de São Paulo mas principalmente da periferia. Daquelas que tinham orgulho de suas origens, daquelas que fariam Regina Casé ter orgasmos múltiplos de felicidade. Elas me olhavam torto porque eu morava num bairro bom da Zona Sul. Não importava que eu morasse numa casa pequena, de aluguel, e que eu fosse tão pobre quanto elas. Porque, veja bem, eu morava no Brooklin.

Tenho muitas histórias pitorescas sobre esse tempo não tão feliz. Eu comecei o magistério sendo a mais tímida das criaturas e, no final dos 4 anos, eu já tinha essa intolerância a ceresumanos que vocês já conhecem. Ou seja, eu não fiz muitos amigos. O meu grupo de amigas não era muito popular porque éramos as que iam melhor nas matérias. Os professores gostavam da gente. E, sei lá, tínhamos todos os dentes e não usávamos Kolene. É, podem me matar por ter falado isso mas é fato.

Passei anos cercada por meninas que curtiam trocar mensagens de auto-ajuda, que gostavam de falar de Deus o tempo todo, que achavam lindo o namorado dar um coração de pelúcia escrito "Eu te amo um tantão assim". Foram anos cercada por calças semi baggy, batons em tom de marrom, calças bailarina com camisão. Que tempo difícil. Não que eu fosse um grande exemplo fashion mas hoje em dia, pelo menos, eu tenho noção.

E elas?

Eu não sabia. Anos de feliz ignorância. Veio o orkut, quiseram fazer um reencontro e pediram que eu escolhesse o local. Escolhi um bar delicinha nos Jardins, o Tostex, onde tínhamos um espaço só nosso. Fui com um amigo que é o cúmulo da simpatia. O saldo do reencontro: o lugar era moderno demais, com gays demais e, pelo fato do meu amigo ser gay, falaram que eu andava com um "povo mona" e que eu devia ser lésbica. Eu soube disso porque depois do reencontro uma menina veio me pedir, educadamente, que eu não desse em cima dela. Minha vingança foi dizer que nem que eu fosse eu daria em cima dela porque ela certamente jamais seria meu tipo.

Bloqueei muitas meninas, migrei para o Facebook. Eis que de uns meses para cá todas as moças começaram a me achar. E me adicionar. Eu não recuso porque acho falta de educação e, querendo ou não, ali no meio há gente muito legal. Minhas amigas da época são legais. Fui deixando a invasão da cafonalha acontecer porque, afinal, até ali ninguém tinha postado fotos e me marcado.

Até anteontem.

O horror tomou conta de mim quando comecei a receber mensagens falando que "fulana marcou uma foto sua". Não podia ser boa coisa. Não era. Milhares de fotos da época da formatura, fotos de viagens de estudo do meio, fotos que fazem eu me lembrar da minha fase Carrie, a Estranha. Mas ok, nem desmarquei meu nome porque estou numas de auto-aceitação e desapego com esse passado. Deixa todo mundo ver o doce cramulhão que eu era, tudo bem. Hoje em dia tô gata, tô ruiva, tô com os dentes certinhos. Tá tudo bem. Né?

Não muito. Porque com as fotos e pessoas e reminiscências começaram as mensagens de "que saudade dessa turminha rsrsrsrsrs" ou "meu deus, que época boa, kkkkk, saudadeee". Gente. Eu não sinto a menor saudade dessa época. A MENOR saudade. Eu era feia pra caralho, não pegava ninguém, pesava 38 quilos, era CDF. Eu era amiga das descoladas mas nem sei como. Certamente só porque não estamos nos EUA, porque se estivéssemos, certeza que eu teria recebido meu quinhão de sangue de porco. Então fica a mulherada lá nas doces lembranças e me incluindo na conversa e eu com cara de "q" na frente do computador. Não lembro de muita gente. não faço questão de me lembrar, estou bem assim. A ignorância é uma benção.

Depois das conversas sobre saudade, conversas que não tiveram minha participação, começou o pesadelo parte 2. Reencontro e atualizações de status. "Boa semana" e "que seja melhor que a semana passada na fé de Deus" e declarações de amor ao namorado que atende pela alcunha de "Buda Marley" (HUAHUAHUAHUAHUA). Cancelei assinaturas como se não houvesse amanhã. Mas ainda estou em dúvida sobre o reencontro. Meninas que são muito legais provavelmente irão e eu gostaria de revê-las. Isso significaria lidar por algumas horas com a galera cafona, com o pessoal que não quer que eu dê em cima delas (!!!), com a total falta de senso estético, com as conversas sobre como é difícil ser professora da rede pública*. Será que eu consigo?

A certeza é que se eu for terei assunto pra mais de mês.




(*Porra, eu acho que ser professor da rede pública é coisa de gente maluca. Masoquista. Admiro quem tem coragem de levar essa vida mega sacrificada mas não quero falar sobre isso porque eu não acho sensato alguém escolher isso pra si. Eu fico aqui, duvidando da capacidade de discernimento da galera, sabem? Malz aê se eu sou escrota mas 600 horas de estágio no lombo me dão algum embasamento para opinar. Trabalhar na rede pública? Dude, you're nuts)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cultura Racional e minha cidade


Todo domingo, nas cercanias da Praça da República, um grupo da Cultura Racional monta seus pôsteres sobre a seita e fica lá, o dia todo, abordando transeuntes para lhes levar a palavra de seu grande messias, o Tim Maia. Tá, não é Tim o messias. Nem sei se há um messias na Cultura Racional. Se houver, deve ser algum ET psicodélico. Nunca parei para ler os pôsteres pois é certeza que se eu parar, serei abordada. E, como todos sabem, eu não tenho paciência para conversar com estranhos. Uma pena, queria ter. Certamente dessa conversa sairia muito material para posts e conversas de bar. Algum dia em que eu acordar sociável (HAHA), conversarei com algum dos que ficam lá, de branco, esperando alguém que faça o mínimo de contato visual para que eles possam fazer algum tipo de abordagem.

Nunca li sobre a Cultura Racional. Nunca ouvi o disco, nunca li nem o prefácio dos livros. Tudo o que sei é que Tim Maia pirou o cabeção nessa seita. E sei de conhecidos de amigos que também piraram. Pra mim, tudo parece uma grande viagem de ácido que não teve fim. Por mais que eu acredite em vida fora da Terra, eu não consigo levar a sério uma seita que se baseia em extraterrestres. Na verdade, acho difícil levar a sério qualquer tipo de seita, mas isso é assunto para outro dia. De qualquer maneira, há algo na devoção dessas pessoas que me fascina. E algo no fato deles estarem lá, no centro da minha cidade, "pregando", que também me fascina.

São Paulo é esse aglomerado de prédios e pessoas. Algumas arvorezinhas aqui e acolá que têm puro efeito psicológico. "Calma, você não vive numa selva de concreto, olha lá aquela árvore, sozinha, imagine quanto gás carbônico ela está absorvendo". Todos sabemos que as pobres das árvores da cidade não dão conta de todo o ar poluído, mas é bom ter algum tipo de consolo. Então estamos aqui, no meio de prédios, gente maluca, carros e mais gente maluca. De todos os tipos. E, no meio desses tipos, temos as pessoas que acreditam. Que têm fé. E que estão numa cidade que lhes permite expor a sua fé no meio do centro da cidade, numa boa. Essa diversidade que temos em São Paulo é realmente fascinante. A poucos metros do pessoal da Cultura Racional há a feirinha, que vende artesanato, acarajé, yakissoba, sabe-se lá mais o quê. A mais metros dali temos a Liberdade. Praça da Sé. Arouche, reduto gay. Zona cerealista, reduto de temperos do mundo todo. E tudo isso faz parte da cidade. Que identidade São Paulo tem? Com essa misturança toda fica realmente difícil de dizer. Acho que o que mais identifica a minha cidade é que ela está aqui, de braços abertos, pra todo mundo. Pro Cultura Racional, pro vendedor de badulaques, pro maluco evangélico, pro católico, pros japoneses e chineses e armênios e italianos e ufa! A identidade de São Paulo é essa: é aquela tia que já passou da idade do frescor mas ainda é bonita e quando você vai na casa dela e vê aqueles móveis com capinhas de crochê você pensa "Ai, que cafonice, que horror, quero ir embora". Só que aí a sua tia chega com aquele bolo caseiro, café quentinho, dois dedos de prosa e pronto: lá está você, no sofá, conversando justamente sobre capinhas de crochê.

É assim que vejo São Paulo. Grande, torta, poluída, cheia de malucos, com trânsito absurdo e com um prefeito que me causa engulhos. Qualidade de vida aqui é quase piada. Mas basta um passeio na Paulista num fim de tarde. Basta uma andadinha no Centro num dia ensolarado. E pronto: caio toda reapaixonada pela minha cidade.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Aprendo, mas aos poucos

Depois de muitos anos colocando o trabalho como uma das coisas mais importantes da minha vida eu comecei a aprender que ele é só UMA parte da minha vida. No ano passado eu estava com dúvidas com relação aos meus rumos profissionais e aceitei um trabalho que, como vocês sabem, deu errado. Da minha parte. Eu poderia ter continuado lá, queriam que eu continuasse. Mas eu estava muito triste. Muito insatisfeita. Uma amiga me disse que eu estava me tornando uma outra pessoa: uma pessoa amarga. E eu não sou amarga, sabem. Sou mal-humoradinha, mas não amarga. Saí daquela escola. Estou desempregada. Sem rumo profissional mesmo. Não sei se quero continuar na área em que atuo - não porque eu não goste dessa área, eu amo; mas porque é uma área muito instável. Fiz uma viagem de fim de ano maravilhosa. Família do meu marido no Rio, amigos na Bahia. Quinze dias de delícias. Voltei e fiquei doente. Porque voltei e toda a realidade começou a pesar. E agora, o que faço, como posso estar me sentindo assim, será que estou com início de depressão, só quero chorar...

Aí eu parei pra pensar nessa viagem. Na minha vida como um todo. Eu tenho um relacionamento extremamente saudável com alguém que amo infinitamente. Tenho amigos maravilhosos. Mesmo. Tenho uma família doida, doida como qualquer outra família - mas que é MINHA família, que eu amo incondicionalmente. Pude ter 15 dias de férias onde desses 15, 9 eu passei comendo moqueca, acarajé, bebendo cerveja gelada com amigos incríveis. Amo minha casa, amo meus gatos, amo ficar em casa com meu marido e meus gatos.

Viram quanto amor?

ENTÃO COMO EU POSSO ACHAR QUE TUDO ESTÁ RUIM? Falem pra mim!

Eu sei: é porque eu sempre dei uma importância exagerada ao trabalho. Tipo, se estou infeliz no trabalho, todo o resto está ruim. Agi assim o segundo semestre do ano passado todo. Mas era só uma parte que estava ruim. E era uma parte que tinha sido escolha minha.

Minha maior resolução para esse ano é dar ao trabalho sua devida importância. Colocar o trabalho em seu devido lugar. Sem exageros, nem pra mais, nem pra menos. Sim, é importante se sentir realizada profissionalmente. Mas isso não é a única coisa da vida. Eu não quero ser workaholic. Eu renuncio isso, agora! Quero equilíbrio.

A vida não está ruim. UMA parte dela está difícil - e é justamente a parte que mais posso mudar, porque não sou presa a uma carreira, ninguém é. Todo o resto - o que realmente importa - vai muito bem, obrigada!