terça-feira, 30 de outubro de 2007
O meu último adeus
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus"
Em "O amor nos tempos do cólera", Florentino Ariza se apaixona por Fermina Daza ainda na juventude. Um amor pueril, de cartas, declarações de amor mas nunca, de fato, consumado. Ao menos não na juventude. Fermina se perde em dúvidas, dispensa Florentino friamente e sem explicações e casa-se com o médico rico da cidade. Anos se passam. Muitos anos. Exatamente cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias. E, nesse tempo, Florentino não deixou de pensar em Fermina um dia sequer. E, depois de todos esses anos de espera, finalmente ele tem a chance de consumar na velhice o amor pueril que o alimentou por tanto tempo.
"Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" nos mostrou que, por mais que você queira apagar alguém de sua memória, por mais que você até apele para a ciência para fazer isso, não tem jeito: o que você viveu e te marcou de verdade não vai embora com máquinas ou métodos malucos. O que você viveu e te marcou, as pessoas com quem você viveu uma história e a quem você amou de verdade se manterão contigo pra sempre. Porque por mais que o cérebro comande tudo, é no coração que as lembranças mais bonitas ficam guardadas. E de lá não saem. Você pode querer arrancar dali à força, mas só vai te fazer sangrar mais.
E é assim que me sinto agora: sangrando. Há que se aprender algo com livros e filmes. Há que se tirar uma lição de outras histórias vividas para que não se doa tanto. Não doa TANTO, já que a dor é mesmo inevitável. E se é inevitável, ao menos eu sei que não é para sempre. Tudo sempre passa. Eu achei que aqui já estava passando e que a dor já estava se transformando em outras coisas. Ternura, mais carinho ainda, todos esses sentimentos muito edificantes. Que erro pensar isso.
Eu nunca serei Florentino Ariza, cinqüenta anos a esperar por um amor que talvez jamais se consume. Isso vale para o universo lindo de Gabo, não para o meu. Mas, ao mesmo tempo, eu sei que nem adianta eu querer arrancar o que estou sentindo agora, porque o que eu sinto já é parte de mim. Tudo o que vivemos faz parte de mim. Todos os momentos em que fui insuportavelmente feliz ao seu lado estão aqui comigo pra nunca mais sair. Tudo o que aprendi com você me fez mudar pra sempre. Não há método científico de filme ou terapia alternativa que faça com quem isso saia.
Dentre as muitas coisas que você me ensinou, uma delas foi que a vida segue. E que, ainda que isso soe conformista, temos que pensar que "é a vida". E é assim. Você aí e eu aqui. A vida seguiu para nós dois, apesar da saudade, apesar das promessas de visita, apesar. Já era de se esperar e eu sei que você entende a minha dor (porque já esteve no meu lugar) e entende o meu choque. Se não entender, não tem problema: eu não entendo muita coisa nessa puta vida puta. Só queria que você soubesse que aconteça o que acontecer, não importa onde estejamos ou com quem estejamos, você mudou a minha vida. E já é parte de mim.
Então sigamos, como já estávamos fazendo. Cada um em seu país e vivendo tudo o que a vida nos proporciona. Sigamos como devemos seguir. Talvez eu suma por um tempo, mas tenha a certeza que meu distanciamento nunca será falta de amor. Eu só não quero ser Florentino Ariza. Eu não quero alimentar qualquer esperança que seja, ainda mais agora. Eu não quero chegar ao ponto de querer arrancar as lembranças que tenho de você da minha cabeça, pra ver se a dor diminui. A Bahia, o albergue, os 10 dias a mais que passamos juntos, os shows, os amigos, as praias, a sacada da pousada, você me dando parabéns logo cedo, todas as nossas mil coisas em comum e nosso senso de humor bizarro, todas as nossas conversas, risadas, experiências juntos, descobertas, intimidade, discussões, andanças pela Paulista, danças, seu prazer em me irritar, tudo tudo tudo é o que guardo de mais valioso em mim.
É um último adeus tardio, mas meu timing é diferente do seu. E, se hoje eu dei de cara com o inevitável, eu ainda consigo fechar os olhos e pensar que, enfim, era mesmo inevitável. E não há nada que eu possa fazer. Amo você.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
TIM Festival



Juliette and the Licks
Juliette, se você quisesse poderia comer BOA PARTE da população masculina do local. Da feminina também. Espero que você tenha ouvido os gritos de "gostosa" ou, ainda, de "vesga gostosa". Deixa eu te explicar: gostosa means hot and vesga means cross-eyed. Você ahazou corações, honey. Se contorceu no palco feito o Iggy Pop (O Marcelo Camelo escreveu isso e um amigo francês que provavelmente nem faz idéia de quem seja o Sr. Camelo disseram isso e eu aprovei), conversou com a platéia, enfim: você é sapequinha, marota e faz um show muito bacana. Não sou apaixonada/louca pelas suas músicas e wouldn't go gay for you, mas se você quiser, pode me adicionar no orkut.




The FUCKINGLY AMAZING Killers
Gatos, eu esperaria por vocês o tempo que fosse. Adoro Arctic Monkeys e o show deles foi sensacional, mas vocês eram o motivo d'eu estar lá. Vocês eram o motivo de minha ansiedade. E vocês fizeram valer cada centavo gasto e cada minuto esperado. Não consigo descrever o que senti quando vocês entraram no palco e começaram a tocar "Sam's Town". Não consigo descrever o que senti quando ouvi todas as outras músicas. Sei que fiquei emocionada, que fiquei engasgada, que algumas músicas me trouxeram muitas, muitas lembranças. Eu fiquei em êxtase em vários momentos e ficava quieta ouvindo quando o Brandon falava. Também pulei feito cabrita e berrei em todas as músicas. Todas. Só não digo que posso morrer agora porque seria um exagero, uma hipérbole desnecessária. Ainda tenho um livro pra ecsrever, uma árvore pra plantar e um filho para parir. Ainda tenho muito pela frente. Mas caso role um cataclisma ou uma hecatombe hoje, posso dizer que vou-me desse mundo feliz. E Brandon, pega eu. Falaram que seu bigodinho é meigay, mas não tem problema: I'd go gay for you big time. Pena que não teve bis. E obrigada por não cantarem "Why do I keep counting" - meu coraçãozinho de que anda gelado com certeza derreteria. E eu verteria lágrimas até não poder mais.
sábado, 27 de outubro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
"Perca" de glamour
Podem me chamar de fresca, eu adoro. Eu só acho que o suor do populacho, depois de trabalhar, passar Très de Marchant e correr pra pegar o transporte público não é o que eu chamo de odor agradável. Pardon.
domingo, 21 de outubro de 2007
Vamos dançar um fox streetzinho
- Vamos lá dançar um fox streetzinho?
É maldade minha, eu sei. Mas aquilo ficou martelando em minha cabeça durante pelo menos metade da música, que, por sinal, era "Cheek to Cheek". Achei ótimo que não dancei "Cheek to Cheek" com CTC, porque não seria dança, e sim metalinguagem. E lá estava eu pensando nos meandros dos passos do fox trote quando Foxstreet começou a deslizar comigo pelo salão - eu esqueci do foxstreetzinho, me concentrei na voz de Ella Fitzgerald que estava começando a cantar "I've got you under my skin" e deixei Foxstreet me conduzir pelo salão. Quem faz dança ou já fez, sabe o quanto isso é gostoso: se o cavalheiro sabe conduzir, parece que você desliza, que você nunca vai errar o passo. E, se errar, não tem problema, porque ambos conseguem retomar a dança.
Claro que também dancei com CTC e com Hairspray. CTC hoje estava mais concentrado em dançar com a loirona bunduda da turma. Eu, no lugar dele, também ia querer dançar com a loira bunduda. E hoje CTC não estava mais concentrado no movimento "olhos nos olhos, quero ver o que você diz". Hoje ele decidiu apreciar meu decotchi. E assim, sendo muito realista, não há muito o que apreciar: eu sou mignon. Não tenho nada "ão". Mas CTC, sapequinha maroto, curtiu a idéia de olhar pro decote da minha regata - eu estava com medo dele trocar o cheek to cheek por cheek to boobs. Foi quando Hairspray me tirou pra dançar, mas hoje ele estava com um problema de ego seríssimo: a cada 5 segundos me dizia que tem muita facilidade em pegar os passos e que já pode fazer uma aula mais avançada. Bocejos.
Foxstreet ganhou uma fã. Ele é gentil, não olha pro decote, dança bem e não se acha, e não fica tentando fazer contato visual. Conversa normalmente, faz perguntas e comenta coisas, tudo numa boa. E ele estuda mandarim. Achei tão diferente! E antes que achem que estou de olho em Foxstreet, já aviso que ele é cabra casado, rapaz de família.
Semana que vem vou fazer um workshop específico de salsa junto com o Hairspray. Espero que ele esteja mais tranqüilo e deixe o ego dele em casa descansando. Torçam por mim, jemt.
(O legal é sair de um workshop de salsa e ir prum show de rock. TIM Festival bombando no próximo fim-de-semana, todo mundo já falando sobre baladas pré festival e eu só quero saber se estarei viva na segunda-feira, depois de salsear sábado e domingo, sair no sábado e pular alucinadamente no show no domingo. Deus me ajude)
Centésimo
Eu tinha escrito todo um parágrafo comentando a respeito de ter um blog que é o meu terceiro desde 2002, mas, sinceramente, me deu preguiça. E vocês também teriam preguiça. São emoções demais. Então, fica aqui a dica: número 100, jemt. Joguem no bicho, com noves fora e, se ganharem algo, me avisem que eu passo o número da minha conta por e-mail.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
25 andares

quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Como vai você? Eu preciso saber da sua vida...
Então é isso, uma rodada de respostas pra galera, aê.
Agora eu gostaria de saber: como chegaram aqui? É uma curiosidade que tenho há tempos e só agora tive a coragem, a.k.a. cara-de-pau, de perguntar.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
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Houve um princípio de incêndio no prédio onde trabalho. Foi controlado, mas, ainda assim, tiveram que evacuar o prédio. Djóia: eu trabalho no 25º andar, o último. E, como tenho uma das vistas mais legais possíveis, nem me lembro que 25 andares é alto pra caralho numa situação de emergência. Aliás, quem pensaria nisso? Foram 25 andares a pé, pela escada de incêndio, encontrando o pessoal que saía dos andares inferioes no meio do caminho. A escada estava sem as luzes de emergência, tudo estava quase um breu e a multidão descendo causava um trânsito meio desesperador. Em outras palavras: se fosse um incêndio grande, que pegasse mesmo boa parte do prédio, todo mundo estaria bem fodido e mal pago. Cheguei ao térreo com as pernas tremendo e estou bem dolorida no momento. Ao menos valeu como a academia do dia.
Em tempo: saindo do prédio, vejo um grupo de pessoas da empresa, incluindo um aluno meu. E eles pareciam desesperados. Cheguei perto, discretamente, porque sou quase mestra em eavesdrop. E aí ouço o motivo do desespero: eles queriam continuar a trabalhar. Queriam ligar os notebooks ali, no meio da praça de entrada pro prédio. Fiquei bege. Porque por mais coxinha extreme hardcore que seja isso, de querer continuar a trabalhar depois de um princípio de incêndio, eu sei que isso acontece por causa dos prazos insanos que eles têm que cumprir. E que o cliente não perdoa. Quase virou churrasquinho? Problema seu, quero meu business plan pronto pra amanhã, e sem nenhuma fuligem. O mundo corporativo é cruel demais.
Muito auto-orgulho nessa vida
O fato é que eu tenho paciência, embora diga que não. E eu me irrito sim com mais da metade da população mundial, mas sou um poço te ternurinha muitas vezes. Ternurinha que vai embora correndo quando eu começo a conversar com uma dessas pessoas que se acham e tem orgulho em ficar contando vantagem. Mas, pior que contar vantagem, é aquele tipo de pessoa que desfaz do que você faz pra se sentir melhor. Nas duas últimas semanas topei com dois tipos assim. No primeiro caso eu não podia e nem posso responder nada, até porque a pessoa é dessas que vai gastar muito dinheiro à toa em terapia algum dia. Aí eu sinto uma certa empatia pela pessoa, porque, afinal, terapeutas custam caro. E a supracitada não se achou pro meu lado, então tudo bem. Desde que eu não seja alvo de seus problemas internos, não me incomodo que você me diga a cada cinco minutos que é top 10, que é muito importante, que tem certos privilégios que outros não têm e que você é top 10, mais uma vez, em um looping que chega a ser divertido depois que você se acostuma com ele. Mais um pouco e eu ia perguntar se top 10s fazem cocô fedido como os que não são top 10, porque, afinal, se você é tão 10 assim seus excrementos devem seguir seu exemplo - nada de odores desagradáveis, apenas o mais puro aroma de lavanda.
Problema é, às 7 e meia da matina, numa conversa completamente burocrática (como foi o feriado, foi bom, viajei, fiquei por aqui, descansei, legal, lembranças aos seus) com uma das professoras de espanhol daqui, ouvir que os alunos dela não faltam. Que lindeza de Deus, os meus faltam, aqueles danadinhos. E aí eu ouço a continuação da frase, a explicação para que os alunos não faltem: eles adoram a aula dela. Adoram ela. "Nossa, sabe, não sei se é a minha aula, se sou eu, se é o fato d'eu cobrar de maneira carinhosa, mas eles sempre vêm. Tem um aluno que gosta tanto de mim que vem pra cá só pra ter aula comigo, isso porque ele podia ter aula na filial". UAU, hein, gatzinha. É muito "teaching mojo" pruma pessoa só. Preciso de um pouco desse mel, será que sua mamãe te passou o talquinho-da-didática quando você era bebê? As pessoas dizem coisas assim como se fossem inocentes. Como se estivessem apenas falando delas. Mas não estão. Há sempre maldade por trás, sempre. Porque quando você faz uma colocação dessas, tão auto-fervorosa, depois que sua coleguinha de trampo, na esperança de não ser obrigada a falar sobre o tempo, fala que alguns de seus alunos faltam; você está sendo maldosa sim.
Tirando a minha cara de "foda-se" enquanto ouvia as maravilhas das aulas dessa pessoa, eu um pouco decepcionada comigo. Eu costumo ter respostas na ponta da língua e costumo conseguir usar a ironia ao meu favor. Dessa vez eu só escutei e fiquei quieta. Só respondi "nossa, que bom". Ontem um amigo meu, que me conhece muito bem, disse que acha que eu ando fechada demais. Maybe. Possibly. E isso é bom, até. Só não é bom quando você fica com cara de tacho depois que a pessoa que te falou uma imbecilidade sai da sala. Eu me incomodo mais com o meu silêncio do que com o que a pessoa me falou. E, na boa, eu acho um saaaaaaco esse tipo de disputa de "quem dá uma aula melhor". Melkoo de azul. Faça muito bem o seu trabalho, tchutchuca, que ele será reconhecido sem que você precise dizer que o que você faz é esplendoroso e sem precisar se auto-afirmar de maneira tão 5ª série pra cima de moi, alguém que, além de intolerante com ceresumanos, é bastante mal-humorada com esse tipo de atitude.