terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lista de livros

Na semana passada rolou um meme no Facebook, onde um amigo marcava seu nome e você deveria fazer um post com os 10 livros que mais marcaram sua vida. Ninguém me marcou pra eu fazer minha lista, mas em vez de fazer a *magoada* lá no Facebook, vou é colocar minha lista aqui - com mais de 10 livros, porque yo soy rebelde.

1. Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato. Foi o primeiro livro muito grande que eu li, eu devia ter uns 8 anos. Eu retirava livros na biblioteca com regularidade, e embora isso seja visto como coisa de criança nerd, na minha escola isso era normal. Eu amava a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, muito!

2. Alta fidelidade, Nick Hornby. Foi o primeiro livro mais pop que eu li. Quem me falou sobre o Nick Hornby pela primeira vez foi o Marco Aurélio, com toda a delicadeza do mundo ele disse algo como "lê esse autor que você vai amar, caralho". Verdade, eu li e amei e li muitos outros dele. Alta fidelidade ficou marcado por ser o primeiro e por ter frases geniais como "você ouvia música pop porque estava triste, ou estava triste porque ouvia música pop?". Esse livro também me fez parar para refletir sobre preconceitos musicais e literários, e toda vez que eu começava a pensar em "nossa, mas fulano gosta DISSO?" eu pensava em Rob Fleming e como ele foi pedante em vários momentos do livro.

3. A insustentável leveza do ser, Milan Kundera. Virou meu mundo amoroso de cabeça pra baixo e nunca mais eu olhei para homens e encontros com os mesmos olhos. Valeu, Tomas, pela sua teoria dos 3 encontros ou 3 semanas. Valeu mesmo.

4. As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley. Li os 4 livros umas 3 vezes. Minha tia falava muito da Morgana quando eu era criança e eu ficava super curiosa pra ler. Mas ela dizia que era livro de adulto. Aí com uns 19 anos, me achando muito adulta, eu li. E não consigo nem descrever o fascínio que essa saga despertou em mim. Eu vivia Rei Arthur, eu respirava Lancelot, eu amava Morgana, eu desprezava Gwenwyfar (Guinevere, aquela desenxabida). Por anos meu ideal masculino foi o Lancelot. Eu chorava porque queria ir pra Inglaterra, tentar descobrir onde era Avalon, e não tinha como por motivos de não tinha dinheiro.

5. As crônicas de Artur, Bernard Cornwell. Bernard é um historiador que retratou a história de Artur de maneira mais direta, menos mística, mais real, mais suja e fedida. Porque naquela época, geral era fedido mesmo. Mas Bernard, esse danado, escreve tão bem, mas tão bem, que só ele fez meu amor por Lancelot acabar. Larguei de mão. Bernard abriu meus olhos pra verdade: Lancelot era um bundão, um manipulador mesquinho. Bom mesma era sabe quem? Artur. Artur era um homem de honra. Um homem de verdade. E, ainda por cima, escovava os dentes e era limpinho. Até hoje acho que Artur era O cara.

6. A hora das bruxas, Anne Rice. É, pessoal, eu curto um misticismo, uma bruxaria, uns espiritinhos dominando a parada. Não vou negar. A saga das bruxas Mayfair também me deixou loucona, eu pensei até em me mudar pra New Orleans. Cheguei a ver programa de bolsa da faculdade e coisa e tal (ainda bem que não levei adiante, pois uns anos depois rolou o Katrina). As bruxas, o espírito maligno Lasher, que dominou as bruxas por séculos, gentê. Morri mil vezes por essa trilogia maravilhosa. A Anne Rice pirou o cabeção, eu sei. Mas acho que ela nunca foi boa das ideias, é só pensar nos livros que ela escreveu. De qualquer maneira, Anne mora em meu coraçãozinho.

7. Capitães da Areia, Jorge Amado. Chorei, como chorei com esse livro. De soluçar. Foi o livro que me fez ter vontade de ir pra Salvador.

8. Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez. Por que eu li esse livro a primeira vez? Porque minha mãe me disse que chegou a pensar em me chamar de Amaranta, de tanto que gostou desse livro. Atiçou minha curiosidade. Quem seria Amaranta? Uma grande heroína? Foi uma decepção descobrir que ela era a personagem que ficou pra titia, e ficou tão pra titia que sentia desejo pelo sobrinho. Aí foi lá e queimou as próprias mãos. Amaranta era amargurada. Apesar de não entender o que leva uma mãe a querer esse nome pra filha (mas gente, não pensou que o nome podia trazer pra filha toda a vibração amarga da personagem? Não? Eu que sou doida? Eu jamais chamaria minha filha de uma personagem que morreu com o útero seco sem nunca ter trepado). A verdade é que eu fiquei tão fascinada pelos Buendía, inclusive pela Amaranta, que li e reli esse livro já umas 3 vezes. Que livro lindo, que história linda, Gabo, eu te amo.

9. O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Marquez. Essa história. Esse livro. Florentino dizendo que todos os amores vão pro caralho e eu chorando e pensando "é verdade, Florentino, é verdade". Li na pior época amorosa da minha vida - na verdade, época não amorosa. Foi um sofrimento enorme, mas eu precisava ler tudo e expurgar meu desamor, eu precisava concluir que jamais queria esperar por alguém por mais de 50 anos. Eu chorei de doer o corpo com esse livro, mas foi uma das leituras mais importantes da minha vida. Ninguém merece ser Florentino Ariza.

10. Crônica de uma morte anunciada, Gabriel García Marquez. TALVEZ eu goste muito do Gabo, só talvez. Esse livro é GENIAL. Tipo, de verdade, e não o genial super usado de hoje em dia, em que café de coador é genial. Tô falando aqui de uma história que começa pelo fim e te prende e você quer investigar e ufa! Livro maravilhoso, faça um favor a você mesmo e leia esse livro.

11. Incrivelmente alto, extremamente perto, Jonathan Safran Foer. Que.livro.lindo.puta.merda. Eu não sei se eu chorei mais pelo menino ou pela mãe do menino, só sei que chorei muito, e quando vi o filme chorei mais. Talvez seja um dos filmes em que chorei mais. Meu marido disse que esse é campeão junto com "Não me abandone jamais".

12. Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis. Outro livro que achei genial, mas genial de gênio mesmo, d'eu parar pra refletir sobre o livro, durante a leitura, e pensar que o Machadão era tipo fodido de maravilhoso. A narrativa é incrível, e a ironia, ah, a ironia. Por que coxa, se bonita; por que bonita, se coxa?

13. Stardust, Neil Gaiman. Fábula liiiiinda, com uma personagem principal desbocada e impaciente. Eu me identifiquei muito com Yvaine. S2

14. O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams. É tipo Monty Python, em livro. E tem frases memoráveis. E tem golfinhos que são mais inteligente que os homens. So long and thanks for all the fish. Tem a resposta para o sentido da vida, do universo, e tudo mais. E a resposta é 42 e ninguém sabe por que. Eu só odeio porque eu emprestei meu livro prum amigo, aí ele casou, se mudou e nunca devolveu meu livro.


Certeza que tem mais. Eu sempre li muito, mas de uns anos para cá, eu deixei de ler. Tenho lido bem pouco. Não dou conta de trabalho, casa, comida, trabalho, vida pessoal, seriados. Mas não estou feliz com isso, sinto que estou emburrecendo. Será que estou emburrecendo? Por um tempo eu cheguei a achar que não conseguia mais ler livros. Eu me distraía com tudo, tudo mesmo. Aí um amigo meu me disse que eu não devia me cobrar, porque se é algo que eu realmente amo, uma hora eu voltaria a ler muito. Porque tudo são fases, e não adianta me forçar a nada. Ele tem razão. Mas eu sinto falta de me apaixonar por uma história. Por um personagem. De enlouquecer e querer ir pro lugar onde a história se passa.

E vocês, têm uma lista de livros marcantes?

5 comentários:

Sabrina disse...

O último paragrafo totalmente me descreveu! Eu sempre fui uma engolidora de livros, e ultimamente não consigo mais ler como antes e também me sinto emburrecida! Vou tentar seguir o conselho do seu amigo e desencanar disso..

Nunca li Gabriel Garcia Marquez, mas você me deixou com vontade! Vou colocar na lista!

beijão!

Caru disse...

camila, tudo bem?

não li a insustentável leveza do ser, mas fiquei curiosíssima com a teoria dos 3 encontros ou 3 semanas. procurei no google porém não achei nada.
você pode me contar o que é?

;)

beijoca, boneca.

Dáfni disse...

Camila,

Da sua lista dois me marcaram muito: as brumas (que eu vivi intensamente aos 13 anos de idade, e devo ter lido os 4 umas 4x) e o amor nos tempos do cólera. As brumas foi a primeira vez que eu me apaixonei tanto pelos personagens que cheguei a chorar em muitas partes do livro - como quando a tia da Morgana morreu. E o amor nos tempos do cólera é, na minha opinião, a história de amor mais linda já escrita! Amo o Gabo de paixão...

Beijos

Mel disse...

Compartilho com você o gosto por Gabriel Garcia Marquez... Não li tudo o que está em sua lista, mas a minha inclui Dom Quixote (dois maravilhosos volumes de mais de 500 páginas), que dispensa apresentação, e "O queijo e os Vermes", que resgata a história de um condenado pela inquisição pelos idos de 1500... excelente!
E também preciso voltar aos meus hábitos literários... saudades de minhas horas de leitura!

Thais Miguele disse...

Ahan... uma porção de livros me marcaram. Eu sou livrolátra. Eu leio no ônibus e no ponto de ônibus, que é pra não perder o costume. Mas um que eu lembro assim fácil fácil é "As Meninas" da Lygia Fagundes Teles. Este foi um livro que me marcou, e eu li bem mais de uma vez. Engraçado que, depois de velha, os livros me marcam enquanto estou lendo, e depois acabo esquecendo. Não me pergunte sobre algo que li ano passado, por exemplo... provavelmente já não vou lembrar da história.