sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Dois mil e sete

Foi, sem sombra de dúvidas, o ano mais intenso da minha vida. Teve Bahia, teve amor, teve história, teve passagem de volta trocada duas vezes. Teve novos amigos, velhos amigos, baladas sensacionais, puteiro, um porre que entrou pra história; tarado me seguindo; mudança de trabalho, de vida, de maneira de agir; teve mexicano e saudade e coisas vividas, teve partida e lágrimas no aeroporto; depois do aeroporto; muitas lágrimas. Mas teve as melhores festas, as maiores galhofas, The Killers, The Rapture, Ben Harper. Teve forró, gafieira, salsa, samba rock, bolero, histórias sobre as aulas de dança, a vontade de dançar pra sempre. Teve Ilha Grande e Bonito, teve Pirassununga e muitas, muitas piadas internas. Teve a minha redenção e a certeza de que minha vida é uma novela. Ou um Show de Truman. Teve família e meus amigos, sempre, sempre. Ufa. 2007 teve muita coisa. Pra 2008? Eu quero é mais!

Feliz Natal e Ano Novo a todos! E obrigada por acompanharem minhas pirações, mimimis e infâmias!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Como fazer uma mulher sorrir

Eu dançando com um dos professores sábado, na festa de final de ano da escola de dança:

Eu, depois de ter errado um passo de samba rock: Dureza dançar com iniciante, né professor?
Ele: Ai, Camila, que isso, né? Se você fosse velha, gorda, chata, fedida e dançasse mal, talvez eu não gostasse muito. Mas você é bonita, cheirosa, legal, nova, magra e ainda dança bem. É sempre um prazer.
Eu: *ruborizando* Hehe... Obrigada!

Na aula extra de forró na terça-feira, mesmo professor:

Ele: E sua prima, gostou da festa?
Eu: Gostou sim, principalmente do tango e bolero. Engraçado que ela é novinha e ficou apaixonada por bolero! Achei que ela fosse querer dançar só forró.
Ele: Olha como você fala da sua prima! Novinha, como se você fosse muito mais velha!
Eu: Mas ela tem só 17 anos!
Ele: Ué, e você não tem muito a mais que isso, né?
Eu: Hahahahahahaha, eu vou fazer 29 em menos de um mês.
Ele: Que é isso??? Achei que você fosse tipo uma pós-adolescente!

Em dois dias ele me chamou de bonita, disse que eu sei dançar e ainda achou que eu fosse bem mais nova. Acho que vou ali casar com ele e já volto.

Vivendo de acordo com os astros

A sorte do orkut disse que eu vou viajar para longe. O Personare me alertou que de hoje ao dia 22 o período é favorável para viagens. Eu vou mesmo viajar dia 22 - e para um lugar meio longe de São Paulo. Ou seja, minha vida é guiada pelas estrelas: não é mágico?

*acende um incenso e faz o mapa astral*

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

De 2004 pra cá...

Ano Novo de 2004: Acho que com minha família. Acho que vendo queima de fogos da Paulista.

Ano Novo de 2005: Em Copacabana, vendo a queima de fogos e chorando feito uma desgraçada por conta de uma desilusão amorosa.

Ano Novo de 2006: Na Bahia, em Arraial D'Ajuda, com duas amigas queridas. Estava bronzeada, feliz e seguiria pra Salvador logo em seguida. Em Salvador eu vivi dias lindos e na Bahia eu comecei uma história que mudou a minha vida.

É tão bom olhar pra trás e ver que tudo na sua vida melhorou... Das amizades aos amores, da vida profissional ao modo como você encara a vida. Acho que às vezes buscamos uma felicidade impossível, toda vez dizendo "se eu tiver aquilo eu serei feliz". Mas o "aquilo", quando chega, é substituído por outro e assim por diante. Eu quero muitos "aquilos" e um "aquele", mas posso dizer que estou feliz do jeito que estou: uma felicidade simples, de agora. Uma felicidade de quem vê que se tudo melhorou até agora, com certeza poderá melhorar ainda mais.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Love in the Time of Cholera

http://www.imdb.com/video/trailer/me60971208

Estréia dia 28 de dezembro. Estou hiperventilando de ansiedade. E lagriminhas já começam a querer cair dos meus olhos. Tudo bem que dia 28 de dezembro estarei viajando e provavelmente só conseguirei assistir na segunda semana de janeiro, mas não há problema em esperar. Aliás, tudo o que o livro mostra é que não há problema em esperar. Só espero estar com o coração bem calmo quando eu assistir, porque senão é certeza que vou inundar a sala de cinema com meu choro. E é por isso que certamente irei sozinha assistir a esse filme. Eu já disse que me recuso a ser Florentino Ariza e tenho certeza que o meu Fermina Daza nunca entenderia essa espera. Mas, ainda assim, é a história de amor que eu invariavelmente associo com coisas que senti e escrevi.

I wanna dance the night away

Ontem foi a festa de final de ano da escola de dança. Depois de três meses e pouco de aula, eu posso dizer que já sei dançar forró direito. Sei arranhar no samba de gafieira. Sei o básico da salsa, foxtrote e bolero. Posso dizer também que a dança foi a minha terapia, que eu realmente me divirto nas aulas e depois delas contando algumas coisas aqui e que eu me apaixonei mais ainda por dançar. Já sei me deixar conduzir, já tenho um parceiro preferido e já sei até fazer um passo em que o cavalheiro me levanta no ar e depois me joga pra trás. Um AHAZO.

Infelizmente apenas Hairspray foi à festa. Queria tirar fotos com todos eles, do Cheek to Cheek ao Homem Geladeira. Não postarei a foto de Hairspray aqui porque eu tenho noção, embora não pareça. Na foto, estou tentando dançar bolero com o Evandro, que não tem apelido porque dança bem e nem é da minha turma.

O Homem Geladeira, de quem nem cheguei a falar aqui, aparentemente desistiu das aulas. Acho que a partir do apelido vocês conseguem imaginar como o rapaz se movia com graça e leveza pelo salão. Cada passo parecia uma bigorna caindo: BONK BONK BONK. Ele não conseguia dobrar as pernas, então era dureza. Aí ele ficava nervoso e suava muito, o que me dava um certo nojinho, porque eu segurava nas costas dele e, além de sentir a pelagem hirsuta digna de urso, ainda sentia a umidade. Eu sentia dó dele, porque ele ao menos tentava e tinha MESMO dificuldade, mas confesso que mais de duas músicas com ele eram uma tortura. E o quesito suor tornava tudo um pouquinho mais problemático. E quem quiser me chamar de escrota, fique à vontade.

Nosso amado Cheek to Cheek continua querendo fazer contato visual fortíssimo enquanto dança. Mas ele melhorou demais a condução, mesmo. Tirando o "olhos nos olhos, quero ver o que você diz", foi até bacana dançar com ele nas últimas aulas. Ele aprendeu a dar os comandos direito, parou de pegar nas minhas costas como se fosse uma moça e faz todos os passos muito direitinho. A parte engraçada é que às vezes ele dá uma de Sandra Rosa Madalena e faz firulas meio à la Sidney Magal, ainda que sem perceber - mas isso é divertido. E na última aula ele levou o avô dele pra assistir, e meu coração se enterneceu com a maneira com que ele falava com o avô. Sério, achei muito fofo. Cheek to Cheek é um bom rapaz.

Hairspray começou a assistir aulas durante a semana também. Aprendeu novos passos e começou a se achar o Carlinhos de Jesus depois de 20 quilos a mais. Eu comecei a ficar irritada, porque ele começou a falar coisas do tipo "aaah, mas eu sei uns passos que você nem sonha ainda" ou "se você dançar direitinho eu penso em te ensinar coisa nova". Melkoo de azul, né amigão. Tá achando que é jurado do "Dança dos Famosos"? Quando eu disse a ele: "Fulano, toda vez que você se achar pro meu lado eu vou pisar no seu pé, com força", ele parou com a chatice. Ainda bem.

Em janeiro as aulas voltarão, mesclarão duas turmas de nível intermediário, então acredito que o show de bizarrices continua. Eba!

sábado, 8 de dezembro de 2007

The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, by Mark Haddon

"Prime numbers are what is left when you have taken all the patterns away. I think prime numbers are like life. They are very logical but you could never work out the rules, even if you spent all time thinking about them".

"And Father said: Christopher, do you understand that I love you?

And I said "yes", because loving someone is helping them when they get into trouble, and looking after them, and telling them the truth, and Father looks after me when I get into trouble, like coming to the police station, and he looks after me by cooking meals for me, and he always tells me the truth, which means that he loves me".

Christopher é um menino de 15 anos que tem autismo. Sua visão de mundo é muito, muito peculiar. Mas acho que faz tanto sentido...

Obrigada pela recomendação, putão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Matt Damon e celulite num texto sem sentido

Eu acho o nome "Matt Damon" muito sonoro. Não pretendo explanar a respeito - contentem-se com isso, apenas: eu acho um nome sonoro. E acho o Matt Damon lindo, lindo de um jeito não perfeito. O Brad Pitt, por exemplo, é lindo. E perfeito. É tão perfeito que eu não consigo fantasiar um casamento com ele. Nem mesmo uma noite tórrida. É perfeição demais, e homens assim, esteticamente perfeitos, procuram por mulheres (ou homens) esteticamente perfeitos. Não quero dizer que eu tenha algum tipo de chance com Matt (ui) ou com algum sósia dele, só porque ele não tem uma beleza perfeita. Mas, com ele, ao menos consigo imaginar uma noite caliente, um namorico, um casamento... Enfim, consigo fantasiar todas essas coisas bestas que mulheres fantasiam quando não têm mais no que pensar.

A primeira vez em que vi Matt foi no filme "Gênio Indomável". E foi o que bastou para eu me apaixonar - por ele e pelo filme. É um filme que certamente está na lista de meus filmes favoritos. Não é europeu, não é cult, não é o tipo de filme que te deixa com um grande "HEIN" estampado na testa. Mas eu não sou pró filmes intelectualóides, anyway. Aí tem essa cena em que o personagem do Robin Williams (Robin geralmente faz esses filmes sobre ter amor no coração e ser legal, e eu o acho bem chato. Mas esse personagem é bacana) fala pro personagem do Matt Damon sobre sua falecida esposa. E diz que a saudade que ele tinha dela era enorme, mas mais ainda das idiossincracias dela, das coisas que só ele sabia que ela fazia, porque essas coisas e ele saber dessas coisas eram a real intimidade deles. Que o amor dele era tão grande que essas idiossincracias se tornavam a "graça" da relação.

Aí eu estava nesses momentos de profunda reflexão e cheguei à conclusão de que o cara terá que amar minhas idiossincracias. Minhas neuroses. Meu jeito de pensar que às vezes só faz sentido pra mim. Mas, antes de mais nada, ele terá que amar minhas celulites. Porque jemt do cél, ô praga difícil de lutar contra, viu? Estou em processo de abstração, de pensar que meu jeito E as minhas celulites são o que me tornam especial. Sei lá, isso deve surtir algum efeito psicológico.

Eu acho que Matt Damon é o tipo de homem que se preocupa com aparência, mas não liga pruns furinhos aqui ou ali nas coxas e bunda da mulher. Matt, I'd marry you big time! Call me!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Vai trovejar, vai cair, um temporal de amor

(espero que vocês se lembrem dessa maravilha do cancioneiro popular cantada por Zezé di Leonardo e Xororó - eu raramente sei quem é quem)

Eu estava atrasada e tive que pegar um táxi. No meio do caminho, um dos meus alunos me liga pra avisar que nem ele e nem o colega de classe dele irão à aula. Projeto, sei lá, essas coisas chatas de consultores. Não houvesse um terceiro aluno na turma, eu pediria ao taxista que desse meia volta e me levasse novamente para casa, onde eu poderia recolocar meu pijama e voltar a dormir. Mas há o terceiro aluno, e cá estou. A questã é que o tal terceiro também não veio. E não me avisou. Eu ainda não entendi por que raios alguns alunos não me avisam sobre suas ausências em aula. É tão simples não deixar a professora com cara de palhaça esperando por alguém que nunca chegará: basta ligar pro meu celular. Ou mandar sms. Todos os meus alunos têm o meu número - exatamente pra me avisarem acerca de alguma eventualidade. Mas não, alguns preferem me deixar aqui, esperando. É verdade que eu recebo do mesmo jeito; mas, pensem cá comigo: se a pessoa me avisa cedíssimo, eu posso continuar dormindo. E dormir é um das minhas prioridades de vida. Acordar tarde é um privilégio, ainda mais hoje, com essa chuvinha. Então, amiguinhos, aprendam: se vocês tiverem um professor particular e precisarem faltar na aula, avisem-no. Não custa nada e vocês ainda mostram consideração. Não é um mimo?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ay, palomita... Ay córazonzito! Hasta cuando estaré, yo sufriendo?

No blog, tenho sempre visitas de Sudbury, Ontario. Mountain View, California. Boston, Massachusetts. Miami, Florida. Irvine, California. Portugal, Finlândia, México, vez ou outra. Mas hoje eu recebi uma visita de COCHABAMBA, na Bolívia. E adorei. Porque eu tenho esse desejo bastante estranho (eu sei) de ir pra Bolívia algum dia. Uns amigos suíços disseram elogiaram tanto aquele país que fiquei com vontade de conhecer: disseram que falta estrutura turística, que é tudo muito pobre e que eu não devia ir sozinha. Maaaas... Também disseram que foi um dos lugares mais bonitos que eles conheceram na América do Sul. E eles estiveram em quase todos os países da América do Sul. Meu roteiro seria: Pantanal, ônibus até Santa Cruz de la Sierra, trem até Lima, de Lima para Macchu Picchu. Eu gostaria de "dar uma passadinha" no deserto de sal e dar uma mochiladinha por alguns lugares na Bolívia. E, com certeza, passaria por Cochabamba, porque né, com esse nome, eu acho que a cidade realmente merece uma visita.

O título desse post é uma música que, se não me engano, é do folclore da Bolívia. Não tenho certeza. Mas, se não for, é de algum lugar da América Latina. Eu conheço um monte de músicas folclóricas da América Latina porque minha mãe namorou um bom tempo com o percussionista de uma banda brasileira de músicas latino-americanas. É excêntrico, eu sei. Mas minha mãe me fez estudar numa escola onde a professora falava sobre gnomos. Namorar um percussionista de uma banda completamente alternativa é até um ato de normalidade.

Quando eu tiver dinheiro e já tiver ido a todos os outros lugares que são Top 5 na minha lista de viagens, eu irei pra Bolívia. Dar um alô pros cochabambenses (??) e aprender mais algumas musiquinhas folclóricas.

Besa que te mesa, boquita de cereza!
Eu tenho preconceitos com muitas coisas e admito isso sem pudores. Porque sabem, não existe isso de "eu não tenho preconceitos" ou "eu sou sossegado e ok com tudo". Se você é sossegado e ok com tudo você é bem apático, me desculpe. Todo mundo precisa de uma implicanciazinha pra ser feliz ou pra mostrar que consegue não ser uma mosca morta. Eu não suporto gente sonsa/songa monga que está sempre ok com tudo. Preconceito admitido. Detesto com todas as minhas forças pegar ônibus lotado. Sempre detestei. Não gosto de gente roçando em mim, não gosto de desconforto, não gosto de ficar em pé e gosto menos ainda de pessoas que ouvem música no ônibus usando o speaker do celular ao invés dos fones de ouvido. Isso me enerva tanto que eu sempre me imagino dando um salto mortal até chegar no cerumano, seguido de golpes de karatê pra tirar porra do celular que toca algum maldito sertanejo ou famigerado pop rock. Eu não suporto esse termo: pop rock. Tenho preconceito. Porque gostar de pop rock é o mesmo que dizer que é eclético, ou seja, significa que você ouve Metropolitana FM e acha que NX Zero é a nova promessa do rock. Em outras palavras, você não vai além.

E aí, pra corroborar essa teoria inútil de que pop rock é coisa de gente idiota, hoje recebi um scrap da menina citada no post anterior convidando os miguxos para irem à festa de aniversário dela. Numa balada show (mais um preconceito: quem fala "balada" como se fosse o máximo e quem usa "show" como adjetivo para tudo. Essas duas palavras na mesma frase me dão siricoticos) onde haverá duas pistas: uma com pop rock e outra com psy, eletrônica e pancadão. Muito psy pra galere, hein. Aí a çerumana, depois de "pancadão" coloca um "hehehe", como se o pancadão fosse o problema. Gata, problema é tudo, o funk é realmente o de menos. Eu consigo ver mais autenticidade nas "letras" indecentes dos funks cariocas do que em músicas que rimam "amor" e "calor".

No geral, se eu estiver com gente legal eu me divirto com qualquer coisa. O problema não é esse. Eu dou risada do que for, danço o que for, desde que as companhias sejam legais. O problema, pra mim, é não ir além do tal do pop rock. É achar que muito psy pra galera é o máximo. É dançar "fazer amor de madrugada" e completar com "em cima da cama, embaixo da escada" como se isso fosse "UAU, que incrivel". Isso me dá muita, muita preguiça.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

15 anos

Quando eu estava no primeiro ano do magistério, tinha essa menina de 14 anos mas parecia ter 20. Ela era alta, bem fornida e muito brava. Ela não aceitava que você dissesse que não gostava das mesmas coisas que ela, porque as coisas das quais ela gostava eram quase sagradas. Ela gostava do Mickey, idolatrava o Palmeiras, usava adjetivos que normalmente são usados para descrever comida ou superfícies transparentes (crocante e cristalino) e amava o professor de História. Na cabeça dela, se ela gostava do Mickey, do Palmeiras e do professor Cristalino, todos tinham que gostar deles também. E, vocês sabem, aos 14, 15 anos, sua cabeça ainda tem muitos espaços vazios que podem ser preenchidos com idiotices alheias. Resultado: mais da metade da turma falava do Mickey e do professor - que era um ótimo professor, por sinal, um dos melhores que eu tive. Mas ele era feio DEMAIS. Cara de areia mijada, rosto vermelho. Não tinha nada que justificasse aquele furor uterino adolescente.

Eu era bem quieta e bem "na minha". A única coisa que fazia com que eu me exaltasse, naquela época, eram os trabalhos e provas e seminários. Eu era muito, muito nerd e compensava minha inabilidade social com as minhas notas. No último ano do magistério eu já estava um relaxo, mas no primeiro, eu era insuportavelmente CDF. Eu nunca quis gostar do Mickey e nem do Palmeiras. Eu me dava muito bem com o professor Cristalino, mas porque eu era uma boa aluna que fazia todos os trabalhos e professores geralmente gostam de alunos interessados. Um dia, o Cristalino falou pra classe toda que eu era a melhor aluna dos primeiros anos. Eu morri de vergonha, as pessoas me chamaram de CDF e tudo teria acabado aí, não fosse o fato da tal menina bem fornida ter ficado com raivinha. Foi aí que eu vi que ela não era nada esperta: se ela queria a atenção do Cristalino, era só fazer os trabalhos. Simples assim. Além do mais, ele era gay, então nem adiantava querer chamar a atenção dele com a sua bunda enorme. Pra ele a bunda enorme da menina era, sei lá, invisível.

Depois, ela caiu pra fazer um trabalho comigo e não fez nada. Eu estava meio cansada de carregar grupos nas costas, porque eu era idiota e fazia os trabalhos e as pessoas ganhavam nota com o que eu havia feito. Aí resolvi ser escrota: na avaliação do grupo, eu falei pra professora de Geografia que eu havia feito tudo sozinha. Ou seja, eu fodi com a nota da menina bunduda. Ela me odiou, muito, é lógico. Uma baixinha semi raquítica, com óculos fundo de garrafa e inabilidade social, foder com a nota dela? Eu até entendo o ódio. E acho que fui escrota. Mas naquela época eu nem pensei nisso, não tive tempo: a menina começou a ameaçar de me bater. Ela tem 1,80, eu tinha 1,54 na época. 1,54 e 39 quilos. Percebam: eu era MUITO PEQUENA. Tive medo da bunduda, mas depois a raiva dela passou e tudo ficou bem. Mas tudo ficou bem só depois da metade do segundo ano. Até lá, se eu entrasse na sala dela (no segundo ano mudamos de turma), ela começava a falar alto "o que essa magrela insuportável tá fazendo aqui??? Vou tirar essa menina à força". Eu tinha medo dela realmente me bater. E esse foi meu episódio de BULLYING.

Mais de dez anos depois, vem o orkut. E a menina me acha no orkut. A turma do magistério marca um reencontro e eu vou. Lá, a bully girl diz que aquilo são águas passadas e que ela mudou e que nossa, que vergonha ela ter me ameaçado daquele jeito. Esses reencontros são patéticos, mas servem pra você ver que as coisas passam e você muda, e puxa, mudar faz parte do crescimento. Só que vendo o orkut da Cristalina eu vejo que ela continua idolatrando o Mickey, continua usando o adjetivo "cristalino", continua com fanatismos (agora, além do Palmeiras, tem o Charlie Brown Jr - porque Chorão é poeta, vocês sabem. E ela diexa claro no perfil que você não é autorizado a falar mal de Charlie Brown. AME-OS. AGORA). Ela continua achando que é linda (auto-estima é muito importante) e continua usando frases estúpidas do tipo "não gostou de mim? eu não me importo, você não é nada, eu me basto". Sabem, ela tem 29 anos. Charlie Brown Jr e frases de miguxa. Não dá.

Eu tenho essa sensação de que as pessoas pararam no tempo sempre que reencontro alguém das antigas. Parece que as pessoas se congelaram ali, nos idos dos anos 90, e fazem as mesmas coisas, gostam das mesmas coisas. Eu mudei muito nesse tempo. Dos 15 aos 28, é água DEMAIS passando embaixo da ponte. Não freqüento os mesmos lugares de quando tinha 20 anos, não ouço a mesma música que ouvia aos 15. E acho normal. Essa coisa de mudar. É normal. É amadurecimento. Por que, então, as pessoas gostam TANTO de serem as mesmas, negando a ordem natural das coisas? Ninguém aprende com a vida, não?

Eu, hein.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Canalizar é a solução

O que não tem remédio, remediado está. Ditados populares são sábios, vez ou outra. Pois então, como não há solução ou remédio para o que eu sinto, e como nutrir qualquer tipo de sentimento, nesse caso, é bastante inútil, eu decidi pegar esses tais sentimentos que me são completamente inúteis agora (mas que são difíceis de deixar de lado) e canalizá-los em algo que me traga algum benefício, um benefício muito importante, por sinal: ficar gostosa.

É, é isso mesmo. Chega de postergar as idas à academia, chega de inventar desculpas para não me exercitar, chega de jogar o dinheiro já gasto na mensalidade pela janela. O lance é ficar gostosa, porque intelecto conta, mas bunda também - essa é a realidade nua e crua, sejamos francos.

O problema é que eu detesto malhar. Acho chato, muito chato. Eu nunca falto em nenhuma aula de dança, porque é algo que eu amo e me sinto motivada. Então era isso que estava faltando para eu ir à academia: motivação. Estava, não está mais. Porque eu encontrei a motivação que me faltava essa semana: um dos instrutores. Ele tem uns cambitos de saracura e não é malhadão, o que me agrada, já que detesto músculos demais. Ele é bacana e me ajuda em todos os exercícios, o que me agrada, já que gosto de homens atenciosos. Ele não é idiota e nem parece o Paulo Cintura da Escolinha do Professor Raimundo (se você tem menos de 20 anos, talvez não entenda a referência) falando "saúde é o que interessa, o resto não tem pressa, ié ié, iiiiissaaa", o que me agrada, já que eu não consigo achar graça em pessoas que falam "uhu" e têm apenas um neurônio. E, pra coroar, ele é gatinho, o que me agrada, já que se é só pra olhar, que seja pra alguém esteticamente agradável. Ou seja, perfeito: já elegi meu estímulo visual na hora de malhar.

Acho digno me tornar a Garota da Laje 2008.

Reflexão tardia sobre mágoa, amor, raiva e despeito

Outro dia eu li um texto de uma menina cuja história era mais ou menos essa: ela gostava do moço, mas o moço tinha uma namoradinha/pretendente/ficante/coisa que o valha. Não entendi de quem o tal moço gosta, mas o que me chamou a atenção foi a maneira como ela se referia à tal pretendente do pretendente dela: sem graça, sem sal, sem peito e sem bunda. Em outras palavras, ela estava morrendo de ciúmes do moço e com raiva da menina que tinha tantos predicados atraentes. Provavelmente a tal menina cheia de qualidades e atrativos nem era assim, tão sem graça. Ou talvez fosse, vai saber. O fato é que o ciúmes altera a visão e altera o nosso julgamento. Aí vem a raiva e coroa tudo com uma boa dose não só de amargor, mas também de inconformismo. E é nesse ponto que quero deixar clara a minha teoria sobre sentimentos positivos e negativos:

Dizem por aí que a raiva é o sentimento contrário ao amor. Eu acho que isso é um dos maiores engodos do campo sentimental, assim aquela bobagem de "amar é jamais ter que pedir perdão" ou "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Tudo, tudo balela. Raiva passa. Pode até ter conseqüências desastrosas, mas passa. É aquele sentimento incontrolável, que te consome as entranhas e te faz pensar só naquilo. Percebam, essa definição também pode ser usada para paixão, portanto, eu acredito piamente que raiva e paixão são sentimentos opostos, mas que andam lado a lado. Então, o que é oposto ao amor segundo sua teoria inútil? - perguntam vocês, leitores pacientes. Oposto ao amor é a mágoa. É a mágoa que deixa marcas indeléveis, é a mágoa que faz sim com que você pense bastante na situação, mas não de uma maneira violenta, e sim de uma maneira... triste. E a tristeza pode ¨ser devastadora. O amor tem a capacidade de mudar uma pessoa, e equivalente a isso, só a mágoa. A mágoa também muda. Tão profundo quanto o amor, só a mágoa. E tenho dito.

Retomando o assunto do primeiro parágrafo, eu digo que entendo a atitude da autora do texto, de querer depreciar a tal pretendente do rapaz. É inútil, mas é humano. Aliás, é completamente e absolutamente inútil, mas também é inteiramente humano e geralmente compreensível e inofensivo. Não se trata somente de despeito. Trata-se da dor de olhar para alguém que está no lugar que você queria estar, que você tinha que estar, que você só não está porque a vida às vezes faz coisas idiotas. Trata-se da dor de querer estar naqueles braços, no lugar da tal pessoa depreciada (que, na verdade, não tem nada a ver nem contigo e nem com sua dor), e ter plena consciência do quão impossível é esse querer.

E é por isso que deixo aqui um poema da Elizabeth Bishop. Poema que li em algum blog da vida, e que me caiu como uma luva. Assim como eu descobri "Sympathique" do Pink Martini através de um scrap de um desconhecido na página de um desconhecido (e me apaixonei por Pink Martini).


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.


Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

---Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Eu penso em mil assuntos para escrever, mas a verdade é que eu tenho muitos assuntos pra resolver no meu trabalho. Tenho provas pra preparar pra segunda-feira e ainda nem comecei. Tenho também uma tosse seca bizarra que nunca me abandona. Tenho raiva, mas sobre isso ainda escreverei. Só não tenho tempo. E nem é desculpinha.

Eu queria um dia Unibanco - 30 horas.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Bonito






Eu queria muito escrever sobre a viagem, mas sei lá, ainda estou em êxtase. Por que voltar de viagem é tão ruim? E por que viajar é tão fodasticamente bom? Perguntas cretinas, eu bem sei. Mas perdoem-me, eu sou uma mulher recém chegada do paraíso diretamente pra poluição paulistana. Ainda estou em choque. E ainda tenho na cabeça todas as coisas boas demais que fiz e vi em Bonito.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Chuma Marruá


E agora eu vou ali, me encontrar com a Muda, com o Velho do Rio, com o Almir Sater e praticar um pouco de bóiacross.

Bom feriado!

(Essa semana foi uma loucura e não tive tempo pra responder os comentários)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

:~~


*lagriminhas*

Planeta Terra - resumão

A organização do TIM Festival tem MUITO o que aprender com a organização do Planeta Terra Festival. No Planeta não houve atrasos, não houve desrespeito, não faltou água, não faltou comida. Adorei o fato de haver muitas opções de comida, e não só o Piola Eventos e seu monopólio de mini-pizzas ruins e crepes que acabam no meio do evento.

- A Lilly Allen estava estilo Jeremias. Trêbada, esquecia todas as letras, enfim: o show foi uma bosta. No começo eu ainda achei que ela fosse fofa. Fofa o cacete, ela é idiota. Algumas musiquinhas legais, outras muito lerdas e outras em ritmo de ska. Eu acho ska um saco. Só não é pior que reggae, que eu verdadeiramente odeio. Numa hora ela contou uma história de uma música que ela fez pruma menina que costumava bully her. E completou dizendo "é, dane-se aquela menina, agora eu sou uma popstar, sou muito melhor" - então tá. Eu fiquei olhando pra Lilly tropeçando pelo palco e pedindo desculpas por esquecer as letras e pensando: cadê os pais dessa criança? Popstars não têm pais? Nascem de chocadeira? Se eu tiver um filho/filha popstar (ha ha ha) eu vou tomar conta do mesmo jeito. E se reclamar e disser que é um popstar e que pode fazer tudo eu ainda emendo: "popstar o caralho, vai pro chuveiro pra curar essa bebedeira, seu pudim de cachaça". Essa é a minha pedagogia.

- Cansei de Ser Sexy eu não assisti porque estava vendo o "show" da Lilly Allen. Mas não sou chegada no CSS, então nem me fez falta.

- Não vi o Devo porque estava no show do Rapture, mas todo mundo que assistiu o show disse que foi lazer elevado ao cubo. Não sei de quem foi a idéia imbecil de colocar dois shows legais no mesmo horário.

- No Kasabian, eu já estava cansada. Nem prestei a devida atenção. O vocalista falava "Sao Paolo" e "obrigado" a cada dois minutos e isso me irritou. Saí pra comprar pipoca (vendiam pipoca e algodão doce lá. Achei tão... pueril! Adorei).

- Datarock e Tokyo-esqueci-o-resto-do-nome, sorry, não vi. Lamento ter perdido o Pato Fu.

(Chega de festivais de rock por esse ano.)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Pieces of the People we Love

Tem essa música do The Rapture, que eu adoro. Adoro a banda e adoro mais ainda essa música em especial. Sábado, no show, eu pulei muito ao som de "and everybody's gotta a little piece of someone they hide...". Pulei com vontade, pulei com gosto, pulei num momento praticamente meu, em celebração ao que me aconteceu sexta-feira e que me tirou um peso das costas que eu já havia até esquecido que estava ali. Como diria o Ford Prefect em "O Guia do Mochileiro das Galáxias", o ser humano tem uma incrível capacidade de adaptação, principalmente às situações ruins. E foi assim: eu já estava acostumada a carregar um fardo que nunca foi meu. Um fardo que colocaram em minhas costas. Eu já nem me lembrava mais como era respirar sem aquilo. E digo: é bom demais.

I have pieces of all these people I love. I get by with a little help from my friends. Talvez esse post esteja bastante enigmático para muita gente, mas eu sei que vocês, que sabem que fardo foi esse, entenderam. Obrigada por tudo.

Meu Ano Novo já começou. :-D

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Estabelecendo prioridades

Eu tenho que terminar um relatório, atualizar planilha de aulas, marcar médico, mandar fazer meus remédios dermatológicos, tirar xerox para umas aulas, terminar uma aula e mais algumas coisinhas bastante importantes.

Eu acabei de passar uma meia hora preenchendo direitinho meu perfil no Facebook. Como eu nunca fiz no orkut. Porque o Facebook é muito mais legal e você interage muito mais com seus amigos, ou seja, com quem realmente importa. Tambem passei um tempo lendo blogs, respondendo scraps e conversando no MSN.

Porque vocês sabem, perfil do Facebook que só seus amigos - que já te conhecem bem - acessam, é muito, muito importante. É uma grande prioridade. Ler blogs também.

Prioridades? Alguém falou em proscrastinar?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

All the bizarre people, where do they all come from?

ou "Crônicas de uma noite"

No mundo real...

- Roberval já ficou com Amarilda. Uma noite quase mágica, aquela. Legal de verdade. Amarilda, apesar de estar numa fase de desapego, além de se impressionar bastante com Roberval, ainda pensou "com esse vale a pena ficar de novo, com certeza".

- Floyd e Rosinha ficaram uma noite. Começaram a conversar e quando viram, estavam aos beijos. Nada de mais para ela. Mas, para ele, aparentemente foi bastante legal. No entanto, também aparentemente, ambos ficariam novamente.

- Robério e Amarilda nunca tinham se visto na vida. Até que ele a viu no bar. No meio daquele monte de gente que passava. Ele não parava de olhar, ela achou que ele tinha uma vibe meio Roberval, era esteticamente aceitável, por que não retribuir os olhares?

- Bode e Amarilda haviam se visto umas 3 vezes na vida. Em todas ele havia sido bastante antipático. Digamos que ele parecia ignorá-la. Olhava de longe, mas não se dignava nem a cumprimentá-la, sendo que ela havia se reapresentado a ele não tinha nem uma semana. "Ele me acha feia, boba, xixi e cocô", era isso que Amarilda pensava. Enfim, não era o primeiro e nem o último, e ela nem tinha interesse nele.

No mundo bizarro...

- Amarilda estava de visita na cidade de Roberval. Ela de corazón partío, ele havia sido tão legal naquela vez, por que não ficar de novo? Simples: não ficaram de novo na primeira noite porque Roberval chegou ao bar mais bêbado que o Jeremias. Os cabelos desgrenhados e a roupa amarfanhada que lhe renderam a alcunha de Mendigo Bahia só depunham contra sua pessoa. Trançava as pernas, o pobre diabo. Ao se dirigir à Amarilda e sua amiga, ele gritava o nome delas. Dava medo, porque parecia realmente que se ele pudesse, MATARRA MIL. Não ficaram na segunda noite porque, não sabemos se imbuído da vergonha por ter aparecido no evento pior que o Mussum nos áureos tempos ou se imbuído do mais alto grau de molecagem e bipolaridade, Mendigo Bahia resolveu praticamente ignorar Amarilda. Ele não estava "playing cool", ele estava "playing dumbass" mesmo.

- Floyd passou duas noites sem saber se beijava ou comprava uma bicicleta. Ou melhor, se beijava ou via a banda e abraçava os amigos, porque essa era a vibe. Ele não estava numas de fazer companhia à menina que ele havia convidado a visitá-lo. Ele não estava numas de ser homem e dizer "olha, não rola". Ele estava numas de cantar Pink Floyd de olhos fechados.

- Robério olhava. Olhava. Olhava. E nada fazia. Aí olhava de novo. Sorriu para Amarilda. Sorriu para Rosinha. O rapaz era só sorrisos. Mas nada de vir conversar com ninguém. Amarilda se esqueceu como se paquera, Rosinha teve o insight e puxou papo com ele, os três começaram a conversar. Ou ao menos as duas tentaram, porque o rapaz não conseguia juntar 5 palavras numa frase que fizesse algum sentido. Com certeza ele falava palavras num tom que só os cachorros ouvem, no meio das palavras jogadas de suas frases. Culpa das duas, quem mandou não serem cadelas?

- Bode passava com sua cara de mau humor e olhava de canto de olho pra Amarilda. Ela realmente achava que ele a detestasse e a achasse pior que filhote de coruja. Porque né, tanta cara feia, não pode ser coisa boa.

O desfecho...

- Roberval foi gratuito e grosseiro, mas passava por Amarilda e olhava pra ela. Olhava de longe, olhava de perto. Ao ver Amarilda conversando com Robério, ficou por perto e virava o pescoção pra ver o que estava acontecendo. Amarilda parou de conversar com Robério e foi refletir sobre a miséria humana num canto. Roberval passava, olhava e seguia. Sempre com pose de cool. Encontraram-se no bar, começaram a conversar e ele foi gratuito. Grosseiro. Desnecessário (Ele: hoje tomei 5 litros de Coca-Cola. Ela: Pra curar a ressaca ou... Ele não espera ela completar a frase. Já manda um: NÃO! Pra dar ressaca! Que pergunta mais óbvia! E não, o tom não foi de brincadeira, assim disse Amarilda). Há anos Amarilda não passava por uma situação tão idiota. Saiu de perto, afinal, as pessoas têm o direito de não querer. Mas Roberval CONTINUOU a passar por ela e olhar. Olhar de perto e olhar de longe. Faz algum sentido? Se você não acha a pessoa interessante, por que olha tanto?

- Floyd ficou lá, curtindo a banda. Foi alvo de milhares de piadas. E, quando Rosinha já estava cansada e tentando largar Robério a falar sozinho, Floy chega pros amigos e solta a pergunta de um milhão de dólares: "pô, será que se eu chegar na Rosinha ela fica comigo?". Dois dias depois. Duas noites depois. Horas de conversa depois. Depois de largá-la sozinha em vários momentos porque a VIBE era da banda e seus covers de Pink Floyd. Depois de tê-la convidado a ir pra sua cidade. Faz algum sentido? Se você não sabe brincar, não desce pro play. Se você não sabe se portar feito homem, deixando claro se você quer beijar ou comprar uma bicicleta, se você não consegue entender que ficar não é se casar, na boa, vai pra casa ficar vendo DVD de rock progressivo sozinho.

- Robério queria ser chef de cozinha, mas não cozinhava nada e nem pretendia estudar a respeito. Diz que um dia vai criar pratos geniais e ponto final. Robério adora francês, mas não fala nada e nem estuda. Só que escreve músicas em francês, olha que curioso. Não tenta escrever textos, não... Ele já pula pra músicas. Músicas! Usando apenas o dicionário. Robério também contou que cheirava cola e que sua noite anterior tinha sido óótima. Ou seja, Robério é um idiota. Faz algum sentido? Você ocupar lugar no mundo sendo que seu cérebro é menor que o de uma couxe de Bruxelas? Se você não sabe conversar com duas moças, se suas frases não fazem sentido no Planeta Terra... Bem, sei lá, isole-se numa montanha, porque sua existência pífia não faz muita diferença na humanidade. Ou não, né. Você, ao que parece, é igual a 90% das pessoas do mundo: ou seja, estúpido.

- Bode, no final da noite, chega pro irmão do amigo de Amarilda e também pro amigo de Amarilda e diz que quer falar com ela porque acha que ela é uma moça interessante. Sabiamente, o irmão do amigo diz: "ué, vai lá". Ao que Bode responde: "Ah, não, fala pra ela vir aqui". Faz algum sentido? Ignorar a mulher por duas noites, não cumprimentá-la, passar por ela com cara de mau humor. Pra depois querer algo com ela? E mais: faz sentido você falar pra ela ir até você, quando o interessado é... VOCÊ? E não ela? O que é isso? Psicologia reversa? Você finge que não gosta pra mostrar que gosta? Onde isso deu certo? No Timbuktu?

E se você chegou ao final desse texto...

Amarilda e Rosinha passam bem.

E sim, eu sou revoltada. Sim, eu estou indignada. Porque eu não me conformo que o mundo esteja produzindo tanta gente bizarra assim. Sabe o quanto cansa não conhecer gente que saiba conversar? Sabe o quanto cansa conhecer gente com comportamento bipolar? Sabe o quanto cansa conhecer gente que não sabe se fode ou se sai de cima; que não sabe manter uma possível amizade com quem ficou mesmo que não queira ficar mais; ou, ainda, que não sabe se está interessado ou não, mas que, por via das dúvidas, decide ser grosso? Pra quê?

Eu abdico do mundo, sabem.

Castidade é o que há.

domingo, 4 de novembro de 2007

Amy Winehouse Impersonation



Eu cheiro padê e sou bagaceira, mas depilo as axilas regularmente, jemt...
Eu espero jamais chegar ao ponto de dizer que estou velha para determinadas coisas, como ficar ansiosa para shows, festas, viagens, acontecimentos bacanas e coisas assim. Eu não me imagino apática perante a vida dizendo "ai, não, não tenho mais idade pra dançar". Eu não imagino meus amigos assim também. Não imagino nenhum deles se recusando a cantar uma música bem alto só pelo prazer do momento e de dar risada depois.

Eu acho que a maturidade é muito boa e eu me prefiro hoje em dia do que aos 18 anos, sem dúvida alguma. Não há nada como a experiência. Mas eu não acho que a idade cronológica tenha que te impedir de ser feliz, de sentir frio na barriga, de se divertir, de rir e se divertir com os amigos. Há algumas coisas associadas à infância e à adolescência que são, sem dúvida, parte das melhores coisas da vida.

Eu quero mais mil festas como essa cercada pelos amigos que eu amo tanto!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O meu último adeus

"Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus"


Em "O amor nos tempos do cólera", Florentino Ariza se apaixona por Fermina Daza ainda na juventude. Um amor pueril, de cartas, declarações de amor mas nunca, de fato, consumado. Ao menos não na juventude. Fermina se perde em dúvidas, dispensa Florentino friamente e sem explicações e casa-se com o médico rico da cidade. Anos se passam. Muitos anos. Exatamente cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias. E, nesse tempo, Florentino não deixou de pensar em Fermina um dia sequer. E, depois de todos esses anos de espera, finalmente ele tem a chance de consumar na velhice o amor pueril que o alimentou por tanto tempo.

"Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" nos mostrou que, por mais que você queira apagar alguém de sua memória, por mais que você até apele para a ciência para fazer isso, não tem jeito: o que você viveu e te marcou de verdade não vai embora com máquinas ou métodos malucos. O que você viveu e te marcou, as pessoas com quem você viveu uma história e a quem você amou de verdade se manterão contigo pra sempre. Porque por mais que o cérebro comande tudo, é no coração que as lembranças mais bonitas ficam guardadas. E de lá não saem. Você pode querer arrancar dali à força, mas só vai te fazer sangrar mais.

E é assim que me sinto agora: sangrando. Há que se aprender algo com livros e filmes. Há que se tirar uma lição de outras histórias vividas para que não se doa tanto. Não doa TANTO, já que a dor é mesmo inevitável. E se é inevitável, ao menos eu sei que não é para sempre. Tudo sempre passa. Eu achei que aqui já estava passando e que a dor já estava se transformando em outras coisas. Ternura, mais carinho ainda, todos esses sentimentos muito edificantes. Que erro pensar isso.

Eu nunca serei Florentino Ariza, cinqüenta anos a esperar por um amor que talvez jamais se consume. Isso vale para o universo lindo de Gabo, não para o meu. Mas, ao mesmo tempo, eu sei que nem adianta eu querer arrancar o que estou sentindo agora, porque o que eu sinto já é parte de mim. Tudo o que vivemos faz parte de mim. Todos os momentos em que fui insuportavelmente feliz ao seu lado estão aqui comigo pra nunca mais sair. Tudo o que aprendi com você me fez mudar pra sempre. Não há método científico de filme ou terapia alternativa que faça com quem isso saia.

Dentre as muitas coisas que você me ensinou, uma delas foi que a vida segue. E que, ainda que isso soe conformista, temos que pensar que "é a vida". E é assim. Você aí e eu aqui. A vida seguiu para nós dois, apesar da saudade, apesar das promessas de visita, apesar. Já era de se esperar e eu sei que você entende a minha dor (porque já esteve no meu lugar) e entende o meu choque. Se não entender, não tem problema: eu não entendo muita coisa nessa puta vida puta. Só queria que você soubesse que aconteça o que acontecer, não importa onde estejamos ou com quem estejamos, você mudou a minha vida. E já é parte de mim.

Então sigamos, como já estávamos fazendo. Cada um em seu país e vivendo tudo o que a vida nos proporciona. Sigamos como devemos seguir. Talvez eu suma por um tempo, mas tenha a certeza que meu distanciamento nunca será falta de amor. Eu só não quero ser Florentino Ariza. Eu não quero alimentar qualquer esperança que seja, ainda mais agora. Eu não quero chegar ao ponto de querer arrancar as lembranças que tenho de você da minha cabeça, pra ver se a dor diminui. A Bahia, o albergue, os 10 dias a mais que passamos juntos, os shows, os amigos, as praias, a sacada da pousada, você me dando parabéns logo cedo, todas as nossas mil coisas em comum e nosso senso de humor bizarro, todas as nossas conversas, risadas, experiências juntos, descobertas, intimidade, discussões, andanças pela Paulista, danças, seu prazer em me irritar, tudo tudo tudo é o que guardo de mais valioso em mim.

É um último adeus tardio, mas meu timing é diferente do seu. E, se hoje eu dei de cara com o inevitável, eu ainda consigo fechar os olhos e pensar que, enfim, era mesmo inevitável. E não há nada que eu possa fazer. Amo você.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TIM Festival

Eu comecei a gostar de rock um pouco tarde. Eu brinco dizendo que nunca é tarde para amar, mas o fato é que eu me apaixonei pelo rock só depois de ter passado anos e anos e anos e anos só ouvindo MPB e depois R&B. Tarde ou não, minha paixão é legítima. E eu me emociono em shows, me emociono quando ouço algumas músicas, me empolgo pra falar de bandas que gosto. Sei que sou muito crua em muita coisa e não sou conhecedora de muita coisa. Por isso mesmo meus comentários sobre os shows são tão, tão pessoais.

TIM Festival, em termos de organização, foi ruim. Nenhum evento bate o Nokia Trends do ano passado. No TIM faltou água, faltou policiamento (duas amigas foram roubadas), faltou respeito com todo mundo ali que teve que trabalhar hoje e agüentou firmemente todos os atrasos insanos do festival. Killers começando às 4 da manhã é muita, muita mancada. Intervalo de uma hora e meia entre os shows é imperdoável. Seria muito bom se eles parassem de fazer a noite principal do TIM aos domingos e fizessem aos sábados.

Mas valeu cada perrengue, cada centavo, cada minuto. Eu fui feliz ontem. Muito, muito, muito. Eu sempre digo que são poucos os momentos em que somos conscientemente felizes. Esse ano tive alguns momentos assim, de felicidade consciente. Em alguns eu estava tão feliz que beirava a euforia. O show do Killers foi um desses momentos, com toda a certeza. E Lilla, obrigada por estar lá comigo. Sem você não teria tido TANTA graça. Quando o Muse vier, estaremos juntas de novo.

Björk
Björk, me desculpe. Eu te chamei de Piörk, eu imitei você cantando, eu cantei "ei, Björk, volta pro iglu" com os amigos do meu amigo. E eu também chorei de rir com o moço que cantou "Florentina" versão Björk. Tirei fotos fingindo que estava dormindo, tirei fotos com cara de tédio e bocejando. Tudo na hora do seu show. Acho que não sou sensível o suficiente pra gostar de suas músicas. Talvez meu amigo tenha razão e meu ouvido musical não seja tão apurado. Adorei você falando "obrigato", adorei seu vestido de mãe de santo Parada Gay, com todo aquele arco-íris-tropicalista-meu-nome-é-gal. Sério, adorei. E aquelas luzes verdes, adoro verde! O fato é que eu não consigo "pegar amor" pelo seu trabalho. Não que pra você faça diferença, seus fãs são realmente ardorosos e amaram seu show. Eu não amei. Diverti-me, mas ainda preciso de tempo pra apreciar de fato. Ou não.


Juliette and the Licks

Juliette, se você quisesse poderia comer BOA PARTE da população masculina do local. Da feminina também. Espero que você tenha ouvido os gritos de "gostosa" ou, ainda, de "vesga gostosa". Deixa eu te explicar: gostosa means hot and vesga means cross-eyed. Você ahazou corações, honey. Se contorceu no palco feito o Iggy Pop (O Marcelo Camelo escreveu isso e um amigo francês que provavelmente nem faz idéia de quem seja o Sr. Camelo disseram isso e eu aprovei), conversou com a platéia, enfim: você é sapequinha, marota e faz um show muito bacana. Não sou apaixonada/louca pelas suas músicas e wouldn't go gay for you, mas se você quiser, pode me adicionar no orkut.

Arctic Monkeys
Rapazes, pena que entraram tão atrasados. Pena que tiveram só uma hora de show. Porque vocês mandaram bem demais e eu senti a maior falta de um bis. Obrigada por "Dancing shoes", "Fake tales of San Francisco" e "I bet that you look good on the dancefloor".


The FUCKINGLY AMAZING Killers

Gatos, eu esperaria por vocês o tempo que fosse. Adoro Arctic Monkeys e o show deles foi sensacional, mas vocês eram o motivo d'eu estar lá. Vocês eram o motivo de minha ansiedade. E vocês fizeram valer cada centavo gasto e cada minuto esperado. Não consigo descrever o que senti quando vocês entraram no palco e começaram a tocar "Sam's Town". Não consigo descrever o que senti quando ouvi todas as outras músicas. Sei que fiquei emocionada, que fiquei engasgada, que algumas músicas me trouxeram muitas, muitas lembranças. Eu fiquei em êxtase em vários momentos e ficava quieta ouvindo quando o Brandon falava. Também pulei feito cabrita e berrei em todas as músicas. Todas. Só não digo que posso morrer agora porque seria um exagero, uma hipérbole desnecessária. Ainda tenho um livro pra ecsrever, uma árvore pra plantar e um filho para parir. Ainda tenho muito pela frente. Mas caso role um cataclisma ou uma hecatombe hoje, posso dizer que vou-me desse mundo feliz. E Brandon, pega eu. Falaram que seu bigodinho é meigay, mas não tem problema: I'd go gay for you big time. Pena que não teve bis. E obrigada por não cantarem "Why do I keep counting" - meu coraçãozinho de que anda gelado com certeza derreteria. E eu verteria lágrimas até não poder mais.

sábado, 27 de outubro de 2007

Estoy enamorada

Y quiero bailar la salsa para siempre! :-D

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Perca" de glamour

Toda vez que eu sou obrigada a correr para pegar algum ônibus eu sinto que perco pontos na Escala do Glamour. Sinto-me tão... parte da patuléia, sabem? Assim como ônibus extremamente lotado arranca nacos de minha elegância, já que as creiças com cabelo de Kolene passam por nós, pessoas garbosas, arrancando pedaços (isso quando não deixam um pouco de creme de cabelo, mas isso é pesadelo demais pra lembrar). Por isso que tomei uma decisão há algumas semanas que tenho conseguido cumprir: saio 5:50 da manhã de casa, mas não pego ônibus com ceresumanos pendurados na porta. Mesmo porque a logística é impossível: minha bolsa é grande e minha mochila idem, não tem nem como pensar em passar a catraca com essa bagagem e pessoas te esmagando. Sei que estar de pé à essa hora da madrugada é proletariado style, mas não se pode fazer nada contra os ossos do ofício. E quanto a correr pra pegar ônibus, me recuso. A não ser que seja caso de vida ou morte. Mesmo porque as calçadas são esburacadas demais pros meus saltinhos e, vocês sabem, essa cidade é um matadouro para pessoas finas.

Podem me chamar de fresca, eu adoro. Eu só acho que o suor do populacho, depois de trabalhar, passar Très de Marchant e correr pra pegar o transporte público não é o que eu chamo de odor agradável. Pardon.

domingo, 21 de outubro de 2007

Vamos dançar um fox streetzinho

Depois do Cheek-to-Cheek e do Hairspray, hoje dancei com um novo parceiro: o Foxstreet. Foxstreet manda bem pra caramba: sabe conduzir, sabe segurar a dama, dança com ritmo e não perde o passo. Mas, até eu descobrir isso tudo, na minha cabeça só martelava a frase que ele me disse quando veio me tirar pra dançar:

- Vamos lá dançar um fox streetzinho?

É maldade minha, eu sei. Mas aquilo ficou martelando em minha cabeça durante pelo menos metade da música, que, por sinal, era "Cheek to Cheek". Achei ótimo que não dancei "Cheek to Cheek" com CTC, porque não seria dança, e sim metalinguagem. E lá estava eu pensando nos meandros dos passos do fox trote quando Foxstreet começou a deslizar comigo pelo salão - eu esqueci do foxstreetzinho, me concentrei na voz de Ella Fitzgerald que estava começando a cantar "I've got you under my skin" e deixei Foxstreet me conduzir pelo salão. Quem faz dança ou já fez, sabe o quanto isso é gostoso: se o cavalheiro sabe conduzir, parece que você desliza, que você nunca vai errar o passo. E, se errar, não tem problema, porque ambos conseguem retomar a dança.

Claro que também dancei com CTC e com Hairspray. CTC hoje estava mais concentrado em dançar com a loirona bunduda da turma. Eu, no lugar dele, também ia querer dançar com a loira bunduda. E hoje CTC não estava mais concentrado no movimento "olhos nos olhos, quero ver o que você diz". Hoje ele decidiu apreciar meu decotchi. E assim, sendo muito realista, não há muito o que apreciar: eu sou mignon. Não tenho nada "ão". Mas CTC, sapequinha maroto, curtiu a idéia de olhar pro decote da minha regata - eu estava com medo dele trocar o cheek to cheek por cheek to boobs. Foi quando Hairspray me tirou pra dançar, mas hoje ele estava com um problema de ego seríssimo: a cada 5 segundos me dizia que tem muita facilidade em pegar os passos e que já pode fazer uma aula mais avançada. Bocejos.

Foxstreet ganhou uma fã. Ele é gentil, não olha pro decote, dança bem e não se acha, e não fica tentando fazer contato visual. Conversa normalmente, faz perguntas e comenta coisas, tudo numa boa. E ele estuda mandarim. Achei tão diferente! E antes que achem que estou de olho em Foxstreet, já aviso que ele é cabra casado, rapaz de família.

Semana que vem vou fazer um workshop específico de salsa junto com o Hairspray. Espero que ele esteja mais tranqüilo e deixe o ego dele em casa descansando. Torçam por mim, jemt.


(O legal é sair de um workshop de salsa e ir prum show de rock. TIM Festival bombando no próximo fim-de-semana, todo mundo já falando sobre baladas pré festival e eu só quero saber se estarei viva na segunda-feira, depois de salsear sábado e domingo, sair no sábado e pular alucinadamente no show no domingo. Deus me ajude)

Centésimo

Achei de bom tom avisar que esse é o meu centésimo post. Sei lá, vai que alguém aí é supersticioso ou gosta de fazer uma fézinha na Mega Sena. Pode jogar no 1 ou pode fazer alguma conta maluca onde tem algum "noves fora". Eu NUNCA entendi o que é esse tal de "noves fora", mas acho que nunca vou entender mesmo, porque eu sou muito, muito burra com números. E algo me diz que essa coisa de tirar noves (whaddafuck é esse plural?) é mais complicada que declarar imposto.

Eu tinha escrito todo um parágrafo comentando a respeito de ter um blog que é o meu terceiro desde 2002, mas, sinceramente, me deu preguiça. E vocês também teriam preguiça. São emoções demais. Então, fica aqui a dica: número 100, jemt. Joguem no bicho, com noves fora e, se ganharem algo, me avisem que eu passo o número da minha conta por e-mail.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

25 andares


Eu comecei a semana tendo que descer essa altura toda pela escada de incêndio. Ou seja, a semana não começou bem. A única coisa boa é que eu pude usar esse esforço físico feito na segunda-feira (jemt, 25 andares é muito, acreditem) pra não ir à academia nenhum dia nessa semana. A vida precisa de muletas e desculpas esfarrapadas, não é mesmo, minha gente? Por que não foi à academia? Não, não é porque você passou a semana inteira sorumbática e, se feliz você já odeia malhar, imagine quando está desolée. Você não foi à academia porque já fez todo o exercício da semana descendo escadas. Mas amanhã à tarde eu irei. Pra aula de ...
de...
de...
axé.

Agora eu vou ali recuperar minha vergonha na cara e já volto.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Como vai você? Eu preciso saber da sua vida...

Eu só queria dizer que vou começar a responder os comentários, porque acho bacana essa interação, essa comunicação, esse sambalelê, esse ziriguidum, esse tico-tico no fubá entre nós. O Gato faz isso, a Renata também, e eu acho DÁ HORA MANO quando leio resposta pro que comentei.

Então é isso, uma rodada de respostas pra galera, aê.

Agora eu gostaria de saber: como chegaram aqui? É uma curiosidade que tenho há tempos e só agora tive a coragem, a.k.a. cara-de-pau, de perguntar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Uma moça que era a CARA da Evangeline Lilly sentou-se ao meu lado hoje na cafeteria. Fiquei até com receio de olhar demais e ela achar que eu estava querendo algum ziriguidum. Não queria, claro. É que a menina era impressionantemente a cara e o tipo físico da Kate, do Lost. Só não tinha os olhos verdes. Agora, pensem em injustiça divina. Muita injustiça divina. Sim, porque é uma puta injustiça alguém nascer tão parecida com a Evangeline. Tipo que não sobra muito espaço pra reles mortais não tão favorecidas esteticamente - ou seja, o restante da humanidade, incluindo eu e vocês. Sorry, periferia.

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Houve um princípio de incêndio no prédio onde trabalho. Foi controlado, mas, ainda assim, tiveram que evacuar o prédio. Djóia: eu trabalho no 25º andar, o último. E, como tenho uma das vistas mais legais possíveis, nem me lembro que 25 andares é alto pra caralho numa situação de emergência. Aliás, quem pensaria nisso? Foram 25 andares a pé, pela escada de incêndio, encontrando o pessoal que saía dos andares inferioes no meio do caminho. A escada estava sem as luzes de emergência, tudo estava quase um breu e a multidão descendo causava um trânsito meio desesperador. Em outras palavras: se fosse um incêndio grande, que pegasse mesmo boa parte do prédio, todo mundo estaria bem fodido e mal pago. Cheguei ao térreo com as pernas tremendo e estou bem dolorida no momento. Ao menos valeu como a academia do dia.

Em tempo: saindo do prédio, vejo um grupo de pessoas da empresa, incluindo um aluno meu. E eles pareciam desesperados. Cheguei perto, discretamente, porque sou quase mestra em eavesdrop. E aí ouço o motivo do desespero: eles queriam continuar a trabalhar. Queriam ligar os notebooks ali, no meio da praça de entrada pro prédio. Fiquei bege. Porque por mais coxinha extreme hardcore que seja isso, de querer continuar a trabalhar depois de um princípio de incêndio, eu sei que isso acontece por causa dos prazos insanos que eles têm que cumprir. E que o cliente não perdoa. Quase virou churrasquinho? Problema seu, quero meu business plan pronto pra amanhã, e sem nenhuma fuligem. O mundo corporativo é cruel demais.

Muito auto-orgulho nessa vida

Eu não me importo que você se ache: não me diz respeito se você se considera a última fatia crocante de bacon do cheesebacon salad do Joakin's. That's ok, hon. Porque se você se considera assim, tão importante, isso é problema seu, não meu. Quem tem grandes problemas de auto-afirmação é você e não eu, e quem vai gastar dinheiro com alguma terapeuta que vai culpar a sua infância é você, e não eu. Mas eu me importo quando essa atitude de "se achar" ultrapassa o limite do aceitável, ao menos do que EU considero como aceitável. E, vejam bem, eu pareço ser intolerante - e o sou. Mas eu costumo ter uma paciência com o alheio que muitas vezes nem eu acredito que eu tenha, e uma compreensão geral com a situaçã do alheio que nem eu mesma consigo entender - costumo culpar minha criação religiosa (sim, babies, cresci num ambiente absurdamente religioso) e o fato de ter como mãe a personificação de Madre Teresa (embora ela seja Madre Teresa com os outros humanos, e não muito comigo, mas né, isso nem vem ao caso e provavelmente nunca virá).

O fato é que eu tenho paciência, embora diga que não. E eu me irrito sim com mais da metade da população mundial, mas sou um poço te ternurinha muitas vezes. Ternurinha que vai embora correndo quando eu começo a conversar com uma dessas pessoas que se acham e tem orgulho em ficar contando vantagem. Mas, pior que contar vantagem, é aquele tipo de pessoa que desfaz do que você faz pra se sentir melhor. Nas duas últimas semanas topei com dois tipos assim. No primeiro caso eu não podia e nem posso responder nada, até porque a pessoa é dessas que vai gastar muito dinheiro à toa em terapia algum dia. Aí eu sinto uma certa empatia pela pessoa, porque, afinal, terapeutas custam caro. E a supracitada não se achou pro meu lado, então tudo bem. Desde que eu não seja alvo de seus problemas internos, não me incomodo que você me diga a cada cinco minutos que é top 10, que é muito importante, que tem certos privilégios que outros não têm e que você é top 10, mais uma vez, em um looping que chega a ser divertido depois que você se acostuma com ele. Mais um pouco e eu ia perguntar se top 10s fazem cocô fedido como os que não são top 10, porque, afinal, se você é tão 10 assim seus excrementos devem seguir seu exemplo - nada de odores desagradáveis, apenas o mais puro aroma de lavanda.

Problema é, às 7 e meia da matina, numa conversa completamente burocrática (como foi o feriado, foi bom, viajei, fiquei por aqui, descansei, legal, lembranças aos seus) com uma das professoras de espanhol daqui, ouvir que os alunos dela não faltam. Que lindeza de Deus, os meus faltam, aqueles danadinhos. E aí eu ouço a continuação da frase, a explicação para que os alunos não faltem: eles adoram a aula dela. Adoram ela. "Nossa, sabe, não sei se é a minha aula, se sou eu, se é o fato d'eu cobrar de maneira carinhosa, mas eles sempre vêm. Tem um aluno que gosta tanto de mim que vem pra cá só pra ter aula comigo, isso porque ele podia ter aula na filial". UAU, hein, gatzinha. É muito "teaching mojo" pruma pessoa só. Preciso de um pouco desse mel, será que sua mamãe te passou o talquinho-da-didática quando você era bebê? As pessoas dizem coisas assim como se fossem inocentes. Como se estivessem apenas falando delas. Mas não estão. Há sempre maldade por trás, sempre. Porque quando você faz uma colocação dessas, tão auto-fervorosa, depois que sua coleguinha de trampo, na esperança de não ser obrigada a falar sobre o tempo, fala que alguns de seus alunos faltam; você está sendo maldosa sim.

Tirando a minha cara de "foda-se" enquanto ouvia as maravilhas das aulas dessa pessoa, eu um pouco decepcionada comigo. Eu costumo ter respostas na ponta da língua e costumo conseguir usar a ironia ao meu favor. Dessa vez eu só escutei e fiquei quieta. Só respondi "nossa, que bom". Ontem um amigo meu, que me conhece muito bem, disse que acha que eu ando fechada demais. Maybe. Possibly. E isso é bom, até. Só não é bom quando você fica com cara de tacho depois que a pessoa que te falou uma imbecilidade sai da sala. Eu me incomodo mais com o meu silêncio do que com o que a pessoa me falou. E, na boa, eu acho um saaaaaaco esse tipo de disputa de "quem dá uma aula melhor". Melkoo de azul. Faça muito bem o seu trabalho, tchutchuca, que ele será reconhecido sem que você precise dizer que o que você faz é esplendoroso e sem precisar se auto-afirmar de maneira tão 5ª série pra cima de moi, alguém que, além de intolerante com ceresumanos, é bastante mal-humorada com esse tipo de atitude.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Filtro social

Se eu colocasse em palavras ditas todos os meus pensamentos toscos eu com certeza não poderia conviver em sociedade. Ainda que muitas vezes eu fale mais do que devia, faça alguma piada infame muito fora de hora ou solte algum palavrão, eu obviamente só faço isso entre amigos. Entre conhecidos também. Mas não em ambiente de trabalho ou pessoas sem referência (pessoas sem referência são aquelas que chegam a você através das circunstâncias da vida: trabalho, curso de sei lá o que, academia, etc. Não chegam através de seus amigos, ou seja, não têm indicação nenhuma ou nenhum selo de qualidade. Porque, convenhamos, pessoas que chegam através de amigos já têm um puta passo à frente no quesito "possivelmente é legal"). No entanto, apesar desse filtro social, aqui é o meu espaço pra soltar o verbo. Então aí vão 3 situações em que eu me calei, mas que minha mente quase entrou em curto-circuito por eu ter que segurar a língua.

1) Na academia, o instrutor me explicando como fazer um exercício com pesos nas canelas e posição ingrata:

Instrutor: Isso. Agora fica de quatro e eleva o quadril.
Eu: Arrãm. Tá. De quatro. Assim?
Instrutor: Isso. Agora eleve a perna, bla bla bla, panturrilha, bla bla glúteos.

O que eu pensei em responder, mas não respondi:

Instrutor: Isso. Agora fica de quatro e eleva o quadril.
Eu: De quatro, professor? Sem nem me levar pra jantar antes, sem nem pegar nos peitinhos, sem bolinação? Que rapidez!

2) No trabalho, conversando com a professora de Espanhol:

Ela: Então, vão pegar os nossos laptops e criar login para acesso à impressora.
Eu: Nossa! Que ótimo! Como você conseguiu isso? A Fulana-Motivacional-do-RH tinha dito que não poderia...
Ela: Ah, eu tive que insistir muito.
Eu: Só assim que as coisas funcionam, né. Na insistência.

O que eu pensei em comentar, mas não comentei:

Ela: Então, vão pegar os nossos laptops e criar login para acesso à impressora.
Eu: Caralho! Que ótimo! A Fulana-Motivacional-do-RH tinha dito que não poderia, aí dei uma brochada de acesso à impressora.
Ela: Ah, eu tive que insistir muito.
Eu: É foda, só batendo muito o pau na mesa pra conseguir as coisas.

3) No trabalho, com um funcionário que possivelmente se tornará meu aluno:

Ele: Então você é a professora de Inglês?
Eu: Isso mesmo! *sorriso simpático*
Ele: Eu quero ter aulas, mas acho que perdi o período de inscrição, agora só no ano que vem.
Eu: Ah, mas converse com o RH. Você é nível gerencial? Às vezes eles podem abrir uma exceção. Pra mim não há problema algum!

O que eu queria ter perguntado, mas não perguntei:

Ele: Então você é a professora de Inglês?
Eu: Isso mesmo! Saindo da empresa mais de nove da noite, só professor, faxineiro, escravo ou executivo que fica vendo putaria na internet! *sorriso simpático*
Ele: Eu quero ter aulas, mas acho que perdi o período de inscrição, agora só no ano que vem.
Eu: Ah, mas converse com o RH. Você é pica grossa aqui dentro? Às vezes eles podem abrir uma exceção, sendo picudo pode tudo. Pra mim não há problema algum!

AINDA BEM que existe o filtro social, não é mesmo minha gente?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Desabafos de uma professora

São duas coisas.

Eu gostaria muito que as pessoas entendessem o conceito de professor particular de idiomas. Vamos lá, eu sou didática, vou explicar direitinho: o professor vai até o seu local de trabalho. Ele prepara as aulas especialmente pra você. Ele te dá uma atenção exclusiva. Você não precisa ir até uma escola nem se adaptar a uma turma. Você não recebe um ensino pasteurizado de franquias e nem precisa engolir um capítulo de livro a cada duas aulas por causa do cronograma, porque não há um cronograma definido pelos donos da escola. O cronograma é definido de acordo com o seu ritmo. E, caso você tenha dificuldade em um ou outro tópico, o professor vai trabalhar sua dificuldade até que tudo esteja resolvido. Ele vai trazer materiais adicionais, exercícios adicionais, vai dançar o tchan em cima da mesa se assim for necessário. Só pra você, gatinha manhosa e gatinho maroto. É um ensino individualizado e completamente "tailor made". Ou seja, não deixa de ser um certo luxo.

Dito isso, preciso também esclarecer de uma vez: professores não trabalham por hobby. Eu sei, eu sei, uma hora e pouco em sua presença, em sua companhia, tendo o prazer de te ensinar não deveria ter preço. Mas, ops, tem. Porque por mais que professor, na maioria das vezes, trabalhe também por vocação e por amor ao que faz (meu caso), ele também precisa comer, pagar contas, ir ao cinema e viajar (também meu caso). Ou seja, se fosse pra ganhar pouco ou receber 50 reais por mês, eu trabalharia em alguma ONG no meio da favela ou em alguma creche fazendo trabalho voluntário (como já fiz durante 3 anos da minha vida). Sei que é uma grande surpresa que professores particulares precisem de dinheiro, afinal, que vida boa nós levamos, não é mesmo?

Acordar 5 da manhã, estar feliz antes das 7, estar sempre de bom humor, ter uma disposição que nunca acaba, planejar aulas, preparar aulas, dar aulas até 9 da noite - quem não quer essa vida? Eu faço o que gosto, eu escolhi essa profissão depois de muito penar pensando que eu trabalharia em nem sei o quê. Eu posso não ter estudado no exterior, mas eu estudei muito e me esforcei muito pra saber o que eu sei. Eu aprendi muito do que sei sozinha, porque quando comecei a me interessar por idiomas, especialmente o Inglês, eu não tinha dinheiro pra pagar nenhum curso. Nem Cultura, nem Pink and Blue, nem Fisk. Pra completar meus estudos, eu arrumei emprego numa escola de Inglês grande de São Paulo porque sabia que teria bolsa de estudos. Eu levo o que faço a sério e penso o tempo todo em como posso melhorar, que cursos eu posso fazer, como seria lindo se eu já estivesse seguindo carreira acadêmica na área. Por mais informal que eu seja, por mais que eu não tenha um lindo diploma da PUC ou da USP pendurado na minha parede, por mais que eu diga que não é fácil ser professora (e não é mesmo) eu gosto do que faço e faço direito.

É por isso que eu fico LOUCA da vida quando sou chamada numa empresa pra falar sobre aulas particulares e enfrento olhares de reprovação quando discutimos preço. Porque me sinto um produto, parece que as pessoas acham que eu tenho que ser altruísta e cobrar muito pouco porque, afinal, elas têm contas a pagar. Eu também tenho. Eu não vou a um médico e fico calculando quanto será que ele ganha por mês - coisa que fazem comigo freqüentemente. E eu não viro pra um profissional e falo: "nossa, mas você vai ganhar tanto, tá bom, não tá?", como se aquele profissional estivesse fazendo algo errado em cobrar pelo serviço que presta. O que me deixa mais puta dentro das calças é que eu sou camarada, eu negocio, eu renegocio, eu entendo a situação da pessoa, eu dou desconto. Não chego no lugar botando nenhum tipo de banca, não sou inflexível em nada do que faço. É por isso que me sinto desrespeitada quando alguém regateia o preço das aulas de maneira depreciativa, como se eu tivesse a orbigação de cobrar 10 reais a hora aula porque se eu cobrar mais eu vou ganhar dinheiro.

E é por causa do meu comprometimento com o que faço que fico também muito puta da vida quando alunos falam comigo como se eu não fizesse picas nenhuma da minha puta vida. Afinal, eu SÓ dou aulinhas. Tenho horários livres durante o dia, estou à inteira disposição da galera. E quando eu explico, calmamente, que não, não poderei adiantar a aula pra hora que a pessoa bem entender hoje porque eu tenho compromissos e aulas pra preparar, a pessoa me olha meio incrédula. Como se fosse má vontade minha. E quando eu, mais uma vez calmamente, que eu preciso preparar as aulas antes, enfrento outro olhar de incredulidade que, nem tão no fundo assim, diz "preparar o quê? Não é só chegar e abrir o livro"? Não, gata, não é. Não significa que eu fique horas preparando o que preciso, não significa que eu não sei do que estou falando. E sim, se necessário, eu sou uma improvisadora ótima, tiro leite de pedra se for necessário. Mas é muito melhor dar uma aula com tudo preparado, pensado e planejado.

Então, fica aí a dica a quem lê este blog e teve paciência para ler até aqui: se você quer aulas particulares, se você quer um tratamento individualizado, se você quer ter a certeza de que o professor não vai chegar na sua aula só com o livro sem nem ter dado uma olhada no que deve fazer, desculpe, mas você terá que não só respeitar o trabalho desse professor e entender que ele não dá aulas por hobby, como também pagar pelo serviço. Eu não concordo com o valor exorbitante que muitas escolas cobram, e esse foi um dos muitos motivos para eu me desvincular de uma. Mas eu também não concordo que as pessoas achem que 50 reais por mês pagam um mês de trabalho. Se é isso que você espera, melhor ir procurar alguma escola que ensine Inglês em 8 semanas. Você não vai aprender porra nenhuma, mas vai pagar o preço baixo que eles cobram e ainda vai sobrar pra cervejinha.

domingo, 7 de outubro de 2007

Hairspray

O cara que melhor dança no curso de dança de salão que faço é:

Gordinho. Barrigudo. Baixinho. Careca.

Ele é o único que consegue conduzir a dama (ui) sem perder o passo. Foi o único que conseguiu fazer os passos do foxtrote sem parecer uma geladeira indo pra frente e pra trás. E quando ele erra o passo básico, faz piada e tudo bem. Tem um cara que também dança bem, mas além dele rebolar mais que minhoca no anzol, ele gosta de se exibir pros professores, aí me arrasta pela sala pra dançar na frente deles.

Eu acho o Hairspray muito digno.

sábado, 6 de outubro de 2007

Soneto LXVI

Eu não costumo gostar de poesias, salvo raras exceções. Eu acredito que pra escrever poesia tem que ter um talento que poucos têm e eu acho um saco gente que fala que escreve poesias e tudo o que faz é rimar amor com dor. Poetas têm uma capacidade de síntese que eu nunca vou ter e eu admiro demais isso, claro, nos poucos poetas de quem eu li algo. Neruda é um deles. Desde que assisti "O Carteiro e o Poeta" me apaixonei por ele, mas sempre acabo deixando-o de lado em nome de minha paixão pela prosa. E por Gabo. E por Nick Hornby. Hoje, por acaso, encontrei um dos Sonetos de Amor de Neruda que, puxa, diz tanta coisa.

Eu não estou confusa. Eu não estou perdida e nem me sinto perdida. Eu só estou vivendo a minha vida, porque o que não tem remédio, remediado está - já dizia minha avó, sempre muito sabiamente. Mas tem horas em que tudo se aperta aqui dentro. E é bom ler algo que diz o que eu gostaria de dizer - me tira a responsabilidade da autoria, a responsabilidade de externalizar algo tão, tão forte, que tudo o que tenho feito é só me esforçar pra deixar guardado. Pego emprestadas as palavras de Neruda, só por um tempo. Só até daqui a pouco. Só até eu conseguir guardar de novo isso que eu tanto me esforço pra guardar. Porque eu quero viver. Quero seguir em frente. Quero continuar sã. Porque "é a vida, e não tem jeito".



No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Pink Martini na malhação, ou seja: uma rodada de Pink Martini pra galera! Aeeee!*

Ontem eu saí de casa para trabalhar às 05:50, dei aulas, fiz várias coisas durante o dia, dei aula de novo e, teoricamente, meu dia deveria terminar às 21:00. Mas eu decidi ir para a academia. Não, não é amor à malhação, não é "Projeto Garota da Laje 2008", não é porque quero arrasar nas areias escaldantes no verão. É porque é a terceira academia a que eu me associo em pouco mais de um ano e, convenhamos, isso é uma vergonha. Então eu estou tentando levar a sério, por mais que ache malhar uma coisa muito, muito chata. E, se não for pela vergonha de nunca levar isso a sério ou pela necessidade de perder uma certa camada adiposa que se instalou em minha barriga, é pelo dinheiro gasto. Eu prezo meu dinheiro, sabem. Pagar e não ir é o mesmo que rasgar dinheiro, e todos sabem que quem rasga dinheiro é louco. E, por mais que algumas pessoas possam contestar isso, eu afirmo que ainda não atingi a insanidade.

Então lá estava eu, 9 e caralhada da noite, com roupinha de ginástica, puxando aparelhos e suando a camisa cercada por homens bombados e mulheres que gostam de deixar a barrigucha de fora. Eu não dou a mínima. Eu só me incomodo demais com a música que é tocada nas academias. Ops, perdão. Com a "música", e, caso vocês queiram, podem acrescentar quantas mais aspas quiserem. Aquele tuts tuts insano e muito alto me deixa zonza, então não há meios d'eu malhar se não estiver com meu MP3 player. Não há nada como se exercitar ao som de The Killers ou de algumas músicas do Le Tigre. Mas ontem eu resolvi inovar e fiquei lá, suando o top e a camiseta ao som de Pink Martini. Já falei deles aqui uma vez, e, para quem quiser conhecer, eu recomendo o álbum "Hang on Little Tomato". Uma mistura de músicas latinas, chansons françaises, músicas em Inglês, Italiano, enfim, uma deliciosa mistura lingüística e de ritmos. Tenho várias músicas deles que ouço no "repeat", e ontem foi a vez dessa, que tem uma letra que sempre, sempre me faz suspirar. Difícil foi conter minha vontade de cantar e dançar bem devagarzinho.

Gardens of Sampson and Beasley

Under Orion's starry sky
I lie in the moonlit garden
Wondering where to cast my eye
For all that I see is heaven
Oh why does it have to end
I wish we could still pretend
You're near
, just around the bend
In the gardens of Sampson and Beasley

Last time we were in this place
Your face had a certain sadness
And oh how I've wondered since
What you've done with all that sadness

Oh why did it have to end
I wish we could still pretend
Our love was around the bend
In the garden of Sampson and Beasley


(Oh, I wish...)


* - Acho que não é todo mundo que vai sacar a referência tosca, então a explicação: existe uma comunidade no orkut que tira sarro da novelinha Malhação, em que, aparentemente, toda hora alguém naquela lanchonete cenográfica fala "uma rodada de suco pra galera!" e toda a galerinha animada pronta pra aprontar altas aventuras responde "Aeeeeee". Aí, na comunidade, todos os tópicos só falam isso: "aeeeeee". Referências toscas são a minha especialidade.

PS: Estou na empresa e não posso acessar o YouTube, mas com certeza há algum vídeo com essa música lá.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Footloose, kick off your Sunday shoes

Então que sábado eu tinha aula de dança, cinema e sorveteria com minhas amadas e baladzinha. Tudo na seqüência, sem a chance de ir em casa me trocar e me glamourizar, ou seja, eu deveria ir para a aula já com uma roupa/sapatos adequados para todas as ocasiãs. Optei por um sapato roxoluxopuro de verniz, com salto baixo.


Elegantzi, pheeno, glamouroso, salto baixo. Daria pra dançar, ir ao cinema, enfrentar a multidão do Milo Garage e pular ao som de rockzinhos bacanas. Certo? Noooooooot. Eu sofri, minha gente. Esse glamour todo arrasou meus dedos, apertou tudo, no final eu estava andando feito um ganso manco pela Paulista. Meus pés doíam dicunforça. Minha amiga que estava comigo nesse momento de dor ontem me perguntou se eu havia jogado meus sapatos pela janela para todo o sempre. Jemt, até parece que não me conhece. Olhe para meus sapatos belezinha. Desde quando eu jogo glamour pela janela? Never, eu vos digo. Eu posso querer perder a linha e ficar descalça no meio da festa (como já fiz uma vez), posso jurar que nunca mais uso nada que cause desconforto, posso fazer promessas vãs aos meus pés dizendo que vou maneirar no salto. Mas é tudo coisa de momento. Porque a verdade é que eu sou apaixonada por sapatos e penso mil vezes antes de descer do salto, tanto literalmente quanto no sentido figurado.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Me amarrota que eu tô passada - ou - mais uma história envolvendo puteiros

Quando eu acho que estou perdendo a capacidade de me surpreender ou de me chocar, já que me chocar é algo realmente difícil, lá vêm eles, meus alunos, para me jogar na cara que eu ainda consigo. Eu ouço histórias mirabolantes às vezes, e, vez ou outra, alguém me conta algo que me deixa realmente de queixo caído. Principalmente as alunas, quando me contam suas desventuras amorosas - a quantidade de filhos-da-puta no mundo só aumenta, meu povo. E lá fico eu com minha cara de teacher-mãe-psicóloga, querendo ligar pro corno casqueré sanguinolento e dizer umas poucas e boas.

Mas hoje eu fiquei meio bege quando um aluno me perguntou o que é um PUB. Tipo, leu no livro, não tinha a menor noçã do que era e queria uma traduçã. Morador de São Paulo, com vinteepoucosanos, aparentemente solteiro e esteticamente aceitável, a pessoa não sabe o que é um pub. Comassim? Que nunca tenha ido num, que odeie sair à noite, que goste de rezar o Pai Nosso de cueca em casa, ok. Mas nem fazer idéia do que seja... Fiquei chocada.

Aí eu lembrei que há pouco mais de um ano tive uma aluna que não sabia que nos puteiros as putas iam para quartos e, pasmem!, entregavam seus corpos em troca de uns caraminguás ali mesmo. Gentem, elas vendem suas jóinhas ali, nos quartos mesmo, elas fazem um amor gostoso com desconhecidos naquele ambiente onde, cinco segundos antes, estavam esfregando as partes pudentas em algum rapaz! HOW SHOCKING IS THAT? Sem nem um cineminha antes?

Ela achava que as moças das casas de tolerância marcavam um encontro pra depois. E o papo todo começou porque um aluno da turma disse que teve que levar uns amigos gringos ao Bahamas e ela disse, animada "ai, sempre quis ir lá! Me leva? Sempre ouvi falar dessa balada, tava querendo ir com umas amigas". O aluno, muito escolado na arte da malandragem, me olhou divertido e respondeu para a moça, tentando ficar sério: "Levo, claro, mas é melhor eu levar uns amigos para protegerem também suas amigas". Foi quando eu vi a cara de interrogação dela e resolvi revelar que o Bahamas era um puteiro. Whore house, darling. E aí ela me revela aquilo que vocês já leram no parágrafo anterior e. A cara da menina de choque quando soube que putas dão no puteiro só perdia para a cara de pasmem do aluno e para a minha de "cadê a câmera escondida?". Tive certeza que aquilo era Pegadinha do Mallandro.

Semanas depois, mesma aluna, mesma sala, mesmas pessoas. Ela me conta que foi num ensaio de escola de samba e, perto dela e das amigas, havia um grupo de gays dançando muito entusiasticamente. Travas muito loucas aprontando altas jogações muito dignas na escola de samba. Ahazaram, bees! Minha ex-aluna, novamente em choque, disse que ficou perplexa com a soltação de penas e completou que prefere ir em casa de suíngue que em buatchy gay. Eu não me contive, confesso. Soltei sonora gargalhada, enquanto perguntava se ela tinha noção de que casa de suíngue não é balada pra dançar com muito suingue e malemolência. E aí fui obrigada a explicar o que é uma casa de suingue e dizer que, se ela prefere ir ali, ok, mas que ela esteja ciente do que terá pela frente. Mais uma vez ela ficou chocada (pessoas fazem SEXO? ALI? TROCA DE CASAIS? ISSO EXISTE?), o aluno estava com a cara mais chocada ainda (você tem 26 anos e não sabia o que era um puteiro e uma casa de suingue?? HOW COME?) e eu tive a certeza de que, em se tratando de dar aulas, eu sempre, sempre terei mil motivos para me surpreender. E até mesmo me chocar.

No fim, acho que foram as aulas mais informativas que dei na vida. E aposto que nenhuma outra professora que minha ex-aluna tiver vai explicá-la tão didaticamente sobre as coisas da vida. Eu prometi levá-la à Augusta, porque, acreditem, ela nunca passou por ali no lado neon da coisa. E o legal é que ela encarou tudo tão numa boa que, meses depois no aniversário dela, fez questão de me apresentar ao namorado dizendo: "amor, essa é minha professora, aquela que me ensinou o que é puteiro".

Jemt, tenho orgulho, sabe? Ao menos alguma coisa eu tenho certeza que ensinei direito e pra vida toda: o que é um puteiro.

domingo, 23 de setembro de 2007

Cheek to cheek

Eu comecei a fazer aulas de dança de salão aos sábados. Não só porque eu amo dançar (quantidade de vezes em que essa frase foi escrita nesse blog: 736.438), mas também porque a dança funciona para mim como terapia. Como eu sou meio descrente de terapeutas e psicólogos em geral, preferi me entregar a algo em que realmente acredito: nada como fazer coisas prazeirosas para si mesmo para se sentir bem. Simples, não?

Já sei os passos básicos de forró, merengue e samba de gafieira. Por passos básicos entendam que eu sei apenas andar pra frente e pra trás, pra um lado e pro outro, no ritmo da música e fazendo algumas trocas de pé, isso juntamente com um parceiro. Não é nada. Na semana passada em que fiz um curso ultra-rápido de samba rock, e que tivemos que aprender o básico e os giros todos em 3 horas, aí sim eu senti que estava dançando. Mas, por enquanto, nas aulas de dança de salão, eu só sinto que sei andar no ritmo das músicas.

Músicas lindas, viu minha gente. Outro dia era "Let it be" em espanhol e em ritmo de merengue. Não perguntem, até agora eu não compreendi. Já teve, obviamente, muito Fala Mansa, para meu desespero. Teve também Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Beth Carvalho, e eu gosto deles, mesmo. Melhor mesmo foi ontem, que tocou Katinguelê. Um clássico do pagode brega dos anos 90, ou seja, eu sabia a música inteira e cantei todinha enquanto tentava marcar os passos com um dos meus parceiros de dança.

Cada aula dançamos com no mínimo dois parceiros diferentes, numa promiscuidade dançante sem igual. É legal ver a democracia fazendo escola: gordinhos, magrinhos, bombados, senhores de idade, gente com ritmo, gente sem ritmo, pessoas desajeitadas, pessoas que conseguem seguir as aulas. É uma diversidade que deixaria a ONU feliz. E, nesse troca-troca de cavalheiros, há dois sábados eu danço com o cheek-to-cheek.

Cheek-to-cheek já comprou sapatos específicos para dança, o que mostra que ele está a fim de levar a sério. Mas eu ão precisaria olhar pros sapatos pra saber que ele está a fim de levar a sério. Nosso amigo CTC (só pros íntimos, bees) é o estereótipo do geek de filme americano que quer desabrochar na vida - quase uma mariposa. E, vocês sabem, geeks costumam levar as coisas a sério. Eu sou uma e sei disso. Ele usa óculos fundo-de-garrafa e é só um pouco mais alto que eu, o que significa que toda vez que CTC me olha, eu vejo seus olhos maiores do que são. E CTC é bacana, é esforçado e eu acharia legal dançar mais com CTC não fossem dois detalhes: primeiro que ele quer dançar merengue de rostinho colado. Gato, não rola. Merengue é pra rebolar e querer ser o Ricky Martin, pra se imaginar dançando com maracas e camisa de cetim aberto, bem sensual (cof cof cof). Não há meios de fazer um cheek to cheek ternurinha dançando merengue. Pois bem, a distância de minha bochecha e da dele, distância imposta silenciosamente por mim, o fizeram desistir da idéia. E é aí que entra o segundo detalhe, detalhe esse que realmente me incomoda: ele quer dançar tudo, absolutamente tudo, olhando bem fundo nos olhos. E aí eu vejo os olhos arregalados pelas lentes e fico me achando um ser humano horrível, desses que eu chamo de cerumano mesmo, por achar ruim esse clima "olhos nos olhos, quero ver o que você diz". Mas assim: jemt, eu não estou lá para fazer amigos e influenciar pessoas, muito menos pra entrar num esquema dança sensual com um cara que não me atrai em absolutamente nada. Eu só quero dançar sem errar muito. Olha que desejo mais prosaico.

Agora, toda vez que CTC me tira pra dançar, eu começo a ficar nervosa porque sei que ele vai ficar me olhando, e aí eu danço olhando por chão e pros meus pés, ou então pro espelho. Aí o professor fala pra gente ter postura e erguer a cabeça, no que eu obedeço, para então dar de cara com aqueles olhos arregalados para mim. Aí ele tenta puxar papo, e aí desconcentra dos passos, ele erra e eu erro, conseqüentemente, já que na dança de salão é o homem quem conduz tudo. E eu fico rezando pro professor fazer a troca de pares, mas geralmente ele deixa a gente dançando mais umas 3 músicas, e eu me sinto mal porque não quero conversar e nem olhar nos olhos e nem fazer cheek to cheek com o Cheek-to-Cheek; mas eu sei que ele só está se esforçando também. Talvez ele tenha objetivos mais sociais que os meus, mas ele também quer dançar direito e aprender, assim como eu.

Ai, que difícil.

Aluna

Ontem eu saí com dois amigos da escola onde trabalhei, para uma noite de fofocas, bebidas, risadas e mais fofocas. E aí eu soube que uma ex-aluna minha, queridona, lê meu blog e falou pra minha amiga que adora. Eu fiquei toda prosa, sabem?

Milena, tenho saudade das nossas fofocas matutinas! :-))))

Meu mimimi de domingo

A vida segue seu rumo, eu continuo seguindo o meu e vivendo a minha vida, bem e na medida do possível, aproveitando o que posso. É um misto de conformismo e praticidade, já que o México não mudou de lugar e continua sendo muito, muito longe; então, o que posso eu fazer? Mas tem horas em que a saudade é tanta e tão grande que eu penso haver uma parte de mim reservada única e exclusivamente para ela, que se alojou aqui de mala e cuia pra nunca mais sair. E eu fico me achando a pessoa mais bipolar do mundo, porque eu consigo separar tudo o que vem me acontecendo dessa saudade toda que eu sinto. Nada se mistura. Mas é domingo à noite e, nesse momento, eu só queria poder mandar minha praticidade à merda e dizer que tudo o que eu mais queria era o seu abraço.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Wonder Years


Winnie Cooper nunca me deixa só. Se vou para a cozinha, ela me segue. Se fico na sala, ela fica em meu colo. E se estou usando o computador, ela fica nos meus pés ou faz graça em cima da mesa: sobe e fica me olhando com essa cara de Gato de Botas do Shrek. Fala se essa foto não causa sérios ataques de ternurinha?


Ao lado de Winnie, "O amor nos tempos do cólera". Eu venho ensaiando pra falar sobre o Gabriel García Márquez aqui. É o terceiro livro dele que leio em um mês e pouco. A partir daí vocês percebem o FUROR - ou seja, quando eu começar a falar sobre ele, não vou parar mais. Gabo me emociona.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

My story about Love Story

Há umas duas semanas eu saí com dois amigos que trabalharam comigo na escola. Começamos a noite num bar no meu bairro, de lá fomos ao O' Malley's e encerramos a conta e passamos a régua na famigerada Love Story. O' Malley's, para quem não é de São Paulo ou então viveu nessa cidade, porém numa bolha nos últimos 10 anos, é um pub irlandês bem conhecido por servir Guinness, ter muitos gringos perdidos sedentos por um ambiente onde possam falar mais que "uma ceveja, pourrr favouuur", ter pessoas diversas (as in bizarras) e bandinhas que tocam suuu-ces-sos. Love Story, para quem não é de São Paulo ou então viveu nessa cidade, porém freqüentando igrejas e conventos, é uma pré casa de tolerância. Pense que lá não há quartos para as moças da vida venderem seu amor por algumas horas (essa frase ficou tão sutil que chego a orgulhar-me de mim mesma, haha); mas há uma pista de dança enorme, com alguns ambientes e palcos com mastros (ui) para as mesmas moças da vida poderem fazer suas dancinhas sensuais e seu pole dance de cada dia e, quem sabe, sair de lá com algum programinha garantido. Dizem por aí que o som de lá é muito bom, melhor do que em muita buatchy da cidade. Dizem por aí que é um ambiente até legal, muito interessante e mais light que puteiros. Por "dizem por aí" vocês entendam "meu amigo dinamarquês e freqüentador me disse".

Pra quem já foi em puteiro na Augusta acompanhada do ex, tomou drinks e viu show de strip, boate no Centro é café pequeno. Além disso, eu sou muito curiosa e gosto de conhecer coisas diferentes, não importando se o diferente é bizarro ou exótico. E lá fui eu e meus dois amigos, que prometeram me "proteger" caso algum rapazola mais afoito quisesse tocar em minhas partes. Chegamos lá umas 2:30 e o lugar estava apinhado. Apinhado de gente feia. Eu gosto de tipos variados e acho o máximo ambientes onde as pessoas são diferentes entre si ou simplesmente diferentes. Não era o caso ali: vi um monte de gente que eu posso ver diariamente no ônibus às 6 da manhã, no Largo 13 ou da Batata e no Vale do Anhangabaú. A diferença é que ali o pessoal estava arrumado pra baladzinha, ou seja, um perfume tosco pairava no ar, a quantidade de gel no cabelo, colares de côco, calças jeans de popozuda, pílsins e pancinhas de fora eram o padrão. The horror, the horror.

Eu sou da filosofia de que se você está no inferno, pode e deve abraçar o capeta. Talvez eu tenha ido no meu dia errado, talvez eu devesse ter voltado pra casa logo que entrei no ambiente e aquela música tuts tuts insana quase estourou meus tímpanos. Eu não gosto de dance music e pra eu achar graça nisso tenho que estar no nirvana do meu bom humor, bondade e bem-querer com a vida. Não era o caso. O ambiente lotadíssimo, os caras uó, as meninas dançando nos palcos e tendo que escolher entre o menos pior para lhes passar a mão na buzanfa não foi algo exatamente divertido. Quem sabe se eu voltar lá uma outra vez, preferencialmente na próxima encarnação, eu consiga me divertir. Continuo achando que o puteiro foi muito mais roots e divertido (porque levar um casal de australianos e um mexicano num puteiro na Augusta tem muita graça, viu zentzie). Só sei que toda aquela música, aquelas pessoas, aquele lugar, o sofá vermelho de plástico grudento, as creiças se beijando pra atrair os hômi, tudo isso só me preparou para que eu ficasse bastante irritada quando, ao cruzar a multidão cheirosa, eu tivesse minhas partes pudentas apertadas algumas vezes. Foi fom-fom nos peitos e fom-fom na bunda, numa sinfonia coroada por "que zoooolhos*, hein gatinha". Pensem em corredor polonês. Agora pensem em creiços nesse corredor, passando a mão em todo ser portador de seios e vagina (fina, mais uma vez). Poi zé: era isso.

Sábado passado saí com meu amigo dinamarquês, que sempre disse que ia me levar a essa Sodoma e Gomorra do mau gosto. Contei que finalmente havia conhecido o Love Story e que só voltaria lá em outra encarnação ou pra levar algum amigo gringo que eu amasse muito - porque só por amor, viu, minha gente. E aí meu amigo ficou meio indignado me achando fresca. Disse que eu não devia estar no clima e que uns fom-fons na bunda não traumatizam ninguém. Ah, meu, péra lá. Lembre-se de suas bolas dinamarquesas e pense se você ia gostar de passar por um local onde pessoas fizessem um fom-fonzão ali sem você nem pedir. Pense se você ia curtir uns bafos fedidos no seu cangote importado. Eu fui lá porque quis e por curiosidade, agora posso dizer com propriedade que aquilo ali é uó. E eu não acho que meus peitos e minha bunda fiquem traumatizados com apertões, mas eu tenho o péssimo hábito de escolher bem o fazedor de fom-fom. Vê lá se eu sou desfrutável pra achar graça em creiços apertando minha bunda. Era só o que me faltava.



* "que zolhos" é uma frase que marca minha vida. Toda vez que passo por uma construção ou algum lugar digamos assim, mais popular, essa é a frase que eu ouço. Porque eu tenho olhos verdes e aí os moços querem elogiar. Essa frase já ficou tão famosa que eu tenho até uma amiga que me cumprimenta assim no msn: "oi gata. ki zolioooos!!!11". Acho digno. Miru, te dedico!