terça-feira, 8 de abril de 2014

Eu queria escrever aqui sobre o final de HIMYM; como as pessoas hoje em dia acham que só o que elas pensam é certo; queria contar sobre as aulas de circo; sobre a dieta que eu tento seguir e como eu não acredito em nada restritivo; e também comentar como as pessoas acham que são melhores que as outras até por causa da dieta que fazem; e também como me enche o saco radicais de direita e radicais de esquerda; sem deixar de comentar que as pessoas acham que suas vidas e seus trabalhos são a coisa mais importante do mundo, e ficam ininterruptamente falando sobre isso sem ouvir o outro. Queria escrever sobre essa polêmica nova da Popozuda, da prova, do professor, do funk. E como eu REALMENTE acho que o preconceito com o funk é porque é música de pobre. Tenho muito a falar sobre tudo isso.

Mas estou atrasada pra dar uma aula.

É isso.

quarta-feira, 19 de março de 2014

(hashtag) 365empreendedoras e Plano Feminino


Não canso de me surpreender com o desenrolar da vida. Por causa de duas indicações para aula, conheci a Viviane Duarte, dona e idealizadora do Plano Feminino, um portal sobre empreendedorismo feminino. Fizemos uma reunião para que eu apresentasse o trabalho da minha empresa, a Evolve Languages. A Vivi queria aulas, e eu estava lá pra falar sobre isso. Apresentei meu trabalho, e desandamos a conversar. Contei a ela como o negócio funciona, como eu cuido de tudo sozinha, como desenvolvi a filosofia de ensino, e por aí vai. Conversa boa!

Umas semanas depois, a Vivi me contatou com uma proposta muito, muito legal. Irrecusável. Ela tem um projeto chamado #365empreendedoras, onde mulheres que abriram seu próprio negócio, na garra mesmo, falam um pouco a respeito. E eu seria parte desse projeto. Tomei na hora, claro! E saí do encontro me dando uns beliscões pra ver se era mesmo verdade.

Pode parecer pouco. Mas não para mim. Eu realmente quase perdi tudo duas vezes, e foi bem difícil levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Ainda estou dando essa volta, na verdade. Durante muito tempo eu relutei em me chamar de empresária ou empreendedora. Na verdade, meu marido e algumas pessoas próximas foi que me disseram "então, sabia que você é uma mulher empreendedora?". Não, sou só uma professora com um micro-negócio, só isso.

Achava que precisava melhorar muita coisa antes de divulgar minha empresa. Não tenho nem escritório fixo ainda. E meus tutores do CELTA (certificação de professora da Cambridge University), será que vão achar que faço um bom trabalho? Passei alguns anos só pensando "um dia eu divulgo, ainda não estou pronta". Até que ele, sempre ele, meu marido, me deu uma chamada séria. "Camila, você TEM que aprender a se vender. Você depende disso".

Não sou louca ególatra, então tudo pra mim tem um limite. Mas eu aprendi, na marra, a vender o meu trabalho, a me impor, a mostrar que o trabalho que fazemos é sim um trabalho legal. E por causa dessa mudança de postura, eu consegui novos clientes. E por causa dessa mudança de postura, a Viviane achou meu trabalho diferente, legal, e me chamou para ser uma das 365 empreendedoras. Desde ontem eu estou que não caibo em mim de felicidade. A empresa é micro, mas é minha. Fui eu que construí a reputação boa que ela tem. Fui eu quem organizou a filosofia de ensino. Acho que posso, pelo menos por um tempinho, ficar orgulhosa de mim. Não posso?

A matéria você lê aqui.

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Depois eu posto aqui a entrevista toda, que eu respondi. A Vivi colocou só algumas partes, pra ficar mais conciso (eu falo demais e escrevo demais), mas eu acho que a entrevista ficou bacana! :)

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Eu fiquei meio sem graça com isso de "venceu um câncer". Essa parte d'eu ter ficado doente foi uma parte bem pequena da entrevista. Eu sei o que eu passei, mas sempre acho que quem teve que fazer quimioterapia, por exemplo, é que realmente superou a doença. Eu passei por um câncer, mas superação mesmo é do pessoal que passa por cirurgias maiores, que passa meses em tratamento. Uma amiga minha teve câncer de mama no ano passado, e foi difícil. Tudo foi difícil. Mas como dizem por aí, cada um sabe onde seu calo aperta, e o meu Voldemort, que foi Voldemortzinho, foi ruim também. Acho que a superação maior ali foi superar aquele ano maledeto, onde o câncer foi só a cereja de merda do bolo de chorume.

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Sempre acharei que a minha maior superação de vida foi a história do meu pai. Foi lidar com tudo aquilo e ainda continuar uma pessoa sã e que consegue se relacionar com as pessoas. Mas isso eu não ia falar na entrevista, né. Essa história eu deixo pra um livro que algum dia eu escreverei.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Pequeno momento

Eu no computador com mil abas abertas, meu sogro jogando pôquer online, música alta, meu marido cantando alto, minha cunhada no quarto com uma renca de amigos, minha sogra e a avó do meu marido cozinhando e conversando sem parar. Tudo ao mesmo tempo, mas cada um num cômodo das casas. Parece bobeira, e nem sei explicar o motivo, mas esse foi um dos meus momentos favoritos do dia. Talvez pelo contraste total com o horário do almoço, todos juntos falando ao mesmo tempo. Ou pouco antes, quando eu tentava trabalhar e todo mundo falava comigo. É bom cada um fazer suas coisas numa casa cheia de gente, cada um na sua. Mas é bom saber que logo mais estaremos todos falando alto e ao mesmo tempo de novo, em volta da mesa de jantar.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Reencontrar, pra quê?

Eu gosto de reencontrar amigos e amigas, pessoas que foram próximas de mim. Mas não sou a favor de reencontro de colégio, por exemplo. Já tive a minha fase de ir a reencontros só pra tombar com a gente horrorosa que me tratava mal, mas isso passou. Ótima fase em que me achei muito bonita e fiz a Tieta retornando ao sertão, de echarpe ao vento, várias vezes. Agora, pra mim, isso não faz mais sentido. Digam que é frieza, e pode até ser um pouco, mesmo. Mas pra que eu vou agitar reencontro com as loucas que estudaram comigo há mais de 15 anos? Qual é a necessidade disso? Marquei um reencontro há dez anos, e as pessoas reclamaram que marquei em "lugar gay". Me desculpe, kiridinha, mas reencontro no Habib's é coisa de gente uó, e eu sou apenas maravilhosa.

Tive a fase da dança de salão e eu tinha uma turma grande lá. Sempre soube que daquelas 20 pessoas, só umas 3 ficariam em minha vida, se muito. Foi exatamente isso, ficaram três, um é um irmão pra mim, mas aquele montão de gente a vida levou. A vida leva mesmo. E as afinidades vão se tornando cada vez menores. Era um grupo bem heterogêneo e cheio de coisinhas que me incomodavam, mas era divertido estar com as pessoas. Mais que isso, eu precisava estar com pessoas naquela época. Aí comecei a namorar, casei, e tudo seguiu. Eis que sei lá por que caralhos o grupo da dança está querendo voltar aos velhos tempo. Thanks, but no thanks. Meu amor pela dança será eterno, mas já passei da idade de ter turma grande seja onde for.

Não tem como resgatar uma fase que passou há tanto tempo. Simplesmente não tem. Pessoal do colégio fica lá no Facebook delirando falando pra marcar reencontro e eu só penso "kenhe voseeeeeeeee kiridinha?". Não lembro de metade das pessoas de lá. E quando mandam "saudade"? Sério, galerinha? Saudade de que, exatamente? Eu sinto saudade das minhas amigas próximas da época, e só. De resto, não foi um tempo bom pra mim. Saudade meu cu de azul. E as doidas do grupo da dança mandando que têm saudade de todos? Brother, nem, hein. Tô de boas disso aí que vocês tão sentindo.

Podem me chamar de azeda. Mas acho que seria bem melhor pra todos se as pessoas vissem que grupos grandes não evoluem juntos. Que são poucos os que ficam - então vamos gastar energia com quem vale a pena? Nem tô a fim de ir e fazer cara de quem está se importando?

Vamos desapegar desse passado aí, mores. Vamos deixar passar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A saga dos exercícios físicos

Mentira, se fosse uma saga eu estaria ao menos feliz com a aventura e ainda poderia contar minha história cantando, e com a barriga sarada. Mas não é saga, nem aventura, nem epopéia, é só tristeza mesmo. A tristeza de sempre achar que ficar em casa vale muito mais do que sair pra fazer exercícios. Couch beats gym, sempre. Eu tentei, hein. 3 meses de academia em 5 anos, 4 aulas de yoga, zumba em casa, Focus T25 em casa. Se tivessem me mandado estudar matemática talvez eu tivesse melhores resultados.

Academia é a coisa mais chata da face da terra. Fico irritada com a música, com a galera que se olha no espelho o tempo todo, com os caras que levantam peso e fazem barulhos que levemente me lembram o de atores pornôs na hora do orgasmo. Eu fico morrendo de vontade de rir. Sem contar as fias que vão pra academia com umas roupas que deixam os peitos quase todos de fora, calças atochadas e etcs. Numa muito boa, se for pra ver pata de camelo marcada na calça, peitos quase de fora e homens fazendo barulho de orgasmo eu prefiro ver pornô em casa, o que nos leva à minha afirmação do parágrafo anterior: sofá 1 x 0 academia.

A yoga eu realmente achei que fosse rolar. Pffffffffff, brinks, não achei, mas o importante é acreditar, já dizia a Xuxa. Na quarta aula eu percebi que a yoga despertava o pior em mim, e que toda aquela calma e aquele monte de respiração e paz interior tinham o efeito inverso. Fiquei com medo de me tornar psicopata. Minha vontade era falar "vamos agitar esse treco, bota uma Beyoncé aí, um Bollywood, vamos fazer uma dança indiana, chega dessa merda toda de ficar nessa posição duas horas morrendo de dor". Desisti, claro.

Exercícios em casa são legais, e foi o que mais gostei até o momento. Mas com o hipotiroidismo nas alturas, quando estou em casa eu só quero me sentar e ficar contemplativa, olhando pro infinito, sem mexer nem no controle remoto.

Aí na semana passada eu fui fazer uma aula de crossfit. Uma excelente ideia para quem é sedentária, realmente eu me superei nessa empreitada. Acabou a aula, eu não terminei o treino, e minha vontade era de me deixar cair no chão feito maria mole, espatifada, e aí chorar de boca aberta. Aquilo não é coisa de quem tem mãe, gente. É coisa de quem foi criado por um militar. É sofrimento. Tem gente que vomita. Como querer, de livre e espontânea vontade, ir num lugar onde algumas pessoas vomitam por causa do treino, outras têm vertigem, e outras querem chorar jogadas no chão, enquanto chamam pela mãe? Sandra de Sá ensinou a todos nós e devemos levar a sério: EU NÃO TÔ AQUI PRA SOFRER.

Ainda não desisti do projeto crossfit, porque entre academia e crossfit, fico com o último. Mas hoje eu me lembrei de dois tipos de exercícios que dão um excelente condicionamento: tecido acrobático e pole dance. Podem rir. Sei que amigas minhas vão achar absurdo eu pensar em pole dance. Mas eu só penso que é um tipo de dança, que vai me permitir treinar força e equilíbrio e vai me dar tônus. É só isso.

Vou testar as duas coisas essa semana. A vantagem de qualquer um dos dois é: se tudo der errado, ou eu fujo com o circo, ou viro stripper. E na vida, não há nada melhor do que ter opções de futuro.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lista de livros

Na semana passada rolou um meme no Facebook, onde um amigo marcava seu nome e você deveria fazer um post com os 10 livros que mais marcaram sua vida. Ninguém me marcou pra eu fazer minha lista, mas em vez de fazer a *magoada* lá no Facebook, vou é colocar minha lista aqui - com mais de 10 livros, porque yo soy rebelde.

1. Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato. Foi o primeiro livro muito grande que eu li, eu devia ter uns 8 anos. Eu retirava livros na biblioteca com regularidade, e embora isso seja visto como coisa de criança nerd, na minha escola isso era normal. Eu amava a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, muito!

2. Alta fidelidade, Nick Hornby. Foi o primeiro livro mais pop que eu li. Quem me falou sobre o Nick Hornby pela primeira vez foi o Marco Aurélio, com toda a delicadeza do mundo ele disse algo como "lê esse autor que você vai amar, caralho". Verdade, eu li e amei e li muitos outros dele. Alta fidelidade ficou marcado por ser o primeiro e por ter frases geniais como "você ouvia música pop porque estava triste, ou estava triste porque ouvia música pop?". Esse livro também me fez parar para refletir sobre preconceitos musicais e literários, e toda vez que eu começava a pensar em "nossa, mas fulano gosta DISSO?" eu pensava em Rob Fleming e como ele foi pedante em vários momentos do livro.

3. A insustentável leveza do ser, Milan Kundera. Virou meu mundo amoroso de cabeça pra baixo e nunca mais eu olhei para homens e encontros com os mesmos olhos. Valeu, Tomas, pela sua teoria dos 3 encontros ou 3 semanas. Valeu mesmo.

4. As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley. Li os 4 livros umas 3 vezes. Minha tia falava muito da Morgana quando eu era criança e eu ficava super curiosa pra ler. Mas ela dizia que era livro de adulto. Aí com uns 19 anos, me achando muito adulta, eu li. E não consigo nem descrever o fascínio que essa saga despertou em mim. Eu vivia Rei Arthur, eu respirava Lancelot, eu amava Morgana, eu desprezava Gwenwyfar (Guinevere, aquela desenxabida). Por anos meu ideal masculino foi o Lancelot. Eu chorava porque queria ir pra Inglaterra, tentar descobrir onde era Avalon, e não tinha como por motivos de não tinha dinheiro.

5. As crônicas de Artur, Bernard Cornwell. Bernard é um historiador que retratou a história de Artur de maneira mais direta, menos mística, mais real, mais suja e fedida. Porque naquela época, geral era fedido mesmo. Mas Bernard, esse danado, escreve tão bem, mas tão bem, que só ele fez meu amor por Lancelot acabar. Larguei de mão. Bernard abriu meus olhos pra verdade: Lancelot era um bundão, um manipulador mesquinho. Bom mesma era sabe quem? Artur. Artur era um homem de honra. Um homem de verdade. E, ainda por cima, escovava os dentes e era limpinho. Até hoje acho que Artur era O cara.

6. A hora das bruxas, Anne Rice. É, pessoal, eu curto um misticismo, uma bruxaria, uns espiritinhos dominando a parada. Não vou negar. A saga das bruxas Mayfair também me deixou loucona, eu pensei até em me mudar pra New Orleans. Cheguei a ver programa de bolsa da faculdade e coisa e tal (ainda bem que não levei adiante, pois uns anos depois rolou o Katrina). As bruxas, o espírito maligno Lasher, que dominou as bruxas por séculos, gentê. Morri mil vezes por essa trilogia maravilhosa. A Anne Rice pirou o cabeção, eu sei. Mas acho que ela nunca foi boa das ideias, é só pensar nos livros que ela escreveu. De qualquer maneira, Anne mora em meu coraçãozinho.

7. Capitães da Areia, Jorge Amado. Chorei, como chorei com esse livro. De soluçar. Foi o livro que me fez ter vontade de ir pra Salvador.

8. Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez. Por que eu li esse livro a primeira vez? Porque minha mãe me disse que chegou a pensar em me chamar de Amaranta, de tanto que gostou desse livro. Atiçou minha curiosidade. Quem seria Amaranta? Uma grande heroína? Foi uma decepção descobrir que ela era a personagem que ficou pra titia, e ficou tão pra titia que sentia desejo pelo sobrinho. Aí foi lá e queimou as próprias mãos. Amaranta era amargurada. Apesar de não entender o que leva uma mãe a querer esse nome pra filha (mas gente, não pensou que o nome podia trazer pra filha toda a vibração amarga da personagem? Não? Eu que sou doida? Eu jamais chamaria minha filha de uma personagem que morreu com o útero seco sem nunca ter trepado). A verdade é que eu fiquei tão fascinada pelos Buendía, inclusive pela Amaranta, que li e reli esse livro já umas 3 vezes. Que livro lindo, que história linda, Gabo, eu te amo.

9. O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Marquez. Essa história. Esse livro. Florentino dizendo que todos os amores vão pro caralho e eu chorando e pensando "é verdade, Florentino, é verdade". Li na pior época amorosa da minha vida - na verdade, época não amorosa. Foi um sofrimento enorme, mas eu precisava ler tudo e expurgar meu desamor, eu precisava concluir que jamais queria esperar por alguém por mais de 50 anos. Eu chorei de doer o corpo com esse livro, mas foi uma das leituras mais importantes da minha vida. Ninguém merece ser Florentino Ariza.

10. Crônica de uma morte anunciada, Gabriel García Marquez. TALVEZ eu goste muito do Gabo, só talvez. Esse livro é GENIAL. Tipo, de verdade, e não o genial super usado de hoje em dia, em que café de coador é genial. Tô falando aqui de uma história que começa pelo fim e te prende e você quer investigar e ufa! Livro maravilhoso, faça um favor a você mesmo e leia esse livro.

11. Incrivelmente alto, extremamente perto, Jonathan Safran Foer. Que.livro.lindo.puta.merda. Eu não sei se eu chorei mais pelo menino ou pela mãe do menino, só sei que chorei muito, e quando vi o filme chorei mais. Talvez seja um dos filmes em que chorei mais. Meu marido disse que esse é campeão junto com "Não me abandone jamais".

12. Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis. Outro livro que achei genial, mas genial de gênio mesmo, d'eu parar pra refletir sobre o livro, durante a leitura, e pensar que o Machadão era tipo fodido de maravilhoso. A narrativa é incrível, e a ironia, ah, a ironia. Por que coxa, se bonita; por que bonita, se coxa?

13. Stardust, Neil Gaiman. Fábula liiiiinda, com uma personagem principal desbocada e impaciente. Eu me identifiquei muito com Yvaine. S2

14. O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams. É tipo Monty Python, em livro. E tem frases memoráveis. E tem golfinhos que são mais inteligente que os homens. So long and thanks for all the fish. Tem a resposta para o sentido da vida, do universo, e tudo mais. E a resposta é 42 e ninguém sabe por que. Eu só odeio porque eu emprestei meu livro prum amigo, aí ele casou, se mudou e nunca devolveu meu livro.


Certeza que tem mais. Eu sempre li muito, mas de uns anos para cá, eu deixei de ler. Tenho lido bem pouco. Não dou conta de trabalho, casa, comida, trabalho, vida pessoal, seriados. Mas não estou feliz com isso, sinto que estou emburrecendo. Será que estou emburrecendo? Por um tempo eu cheguei a achar que não conseguia mais ler livros. Eu me distraía com tudo, tudo mesmo. Aí um amigo meu me disse que eu não devia me cobrar, porque se é algo que eu realmente amo, uma hora eu voltaria a ler muito. Porque tudo são fases, e não adianta me forçar a nada. Ele tem razão. Mas eu sinto falta de me apaixonar por uma história. Por um personagem. De enlouquecer e querer ir pro lugar onde a história se passa.

E vocês, têm uma lista de livros marcantes?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Aquele vexaminho gostoso no Natal

Sempre passo o Natal com a família do meu marido, no interior do Ridijanê. Pensem num lugar quente. O calor do Rio é dureza porque não é só o calor, é a umidade, é aquele suadouro quando você acaba de sair do banho, é aquela coisa do corpo todo ficar molhado o tempo inteiro, e não de uma maneira sensual. Não tem como ser sensual quando seu buço sua o tempo todo. Sério.

Resolvi usar uma blusa de alcinha, e pensei que a melhor alternativa para conter os peitos era aquele invisible bra. Aquela parada que cola nas tetas, isso mesmo. Já usei em casamentos e deu certo, por que não daria certo lá, com uma simples alcinha?

Já foi difícil aquele trem colar com a transpiração no stop. Mas colei. Passei parte da noite me certificando que estava tudo no lugar - pensando agora, eu acho que as pessoas devem ter achado que tenho algum TOC com relação aos meus peitos.

A prima do meu marido levou o videogame e tinha jogo de dancinha. GEN-TEM, vocês sabem o quanto eu amo dancinhas? E jogo de dancinha? Pois bem, eu amo, não resisto. Já fiquei com torcicolo por me dedicar muito à coreografia de "Whip my hair" - o pescoço quase deslocou, mas minha pontuação foi máxima, SCORE.

Estávamos lá pulando horrores, dançando. Uma música, ok. Duas músicas, o sutião começou a dar uma soltadinha. Três músicas e eu dançava com uma mão livre a outra segurando um peito, mas parar de dançar, jamais. Quatro músicas e PAH, pari um sutiã. O danado escorregou e caiu pela blusa, caiu no chão, e a a família olhando pra mim. Recolhi aquele pedaço de borracha cor-da-pele do chão, chacoalhei no ar e disse "Ih, gente, caiu tudo, tá tudo solto aqui".

Guardei o invisible bra na bolsa. E como se nada tivesse acontecido, com a maior cara lavada do mundo, voltei à dancinha. Pulei menos, mas ganhei o jogo.

Flawless victory.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um ano

Eu sou boa com datas em geral e tenho boa memória para coisas marcantes. A ponto de lembrar até da roupa que eu estava usando, ou que outras pessoas estavam usando. Há um ano eu estava de jeans e com uma bata amarela. Estava um dia nublado, e eu achei que era uma boa ideia ir buscar o resultado do meu exame a caminho da aula da noite. Também achei que seria uma boa ideia abrir o exame no laboratório. Lembro exatamente da minha sensação de desespero e do chão se abrindo, das lágrimas pulando, eu lendo de novo pra ver se era aquilo mesmo. Uma senhora de cabelos brancos, sentada ao meu lado, me perguntou se eu estava bem. Mas o resto das pessoas, me vendo desesperada, chorando, com um exame nas mãos, não fez nada. Nada. Liguei pro meu marido, quis ir embora dali mas não tinha forças pra chamar um táxi. O segurança do laboratório me amparou até um táxi que parou, pediu ao motorista que cuidasse de mim. O motorista, me vendo chorar, repetia "pra onde vamos??????". Impaciente. Liguei pra Lilla, chorei desesperada, o motorista ouvindo e perguntando "Que caminho a senhora prefere?".

Os dias seguintes foram tristes e estranhos. Até hoje eu penso quase todos os dias da mesma maneira que comecei a pensar naquele dia, naquele 11 de outubro: "dos males o menor". Fiz muito esforço para não fazer drama, para ser positiva, para me manter bem, porque tudo isso é essencial. E todos os dias eu pensava "dos males o menor, que bom que não é um tipo pior de câncer, que bom que não farei quimioterapia". Eu precisava desse consolo. E preciso dele até hoje.

Um ano depois eu posso confessar que eu fiquei apavorada. Muito apavorada. Eu tive crise de ansiedade. Crises. Eu sabia que não ia morrer, mas é horrível saber que tem uma coisa daquelas no seu corpo, que pode se espalhar. Eu tive sorte de ter um tipo de câncer que raramente se espalha. Mas existe câncer de tireoide que é mortal. Existe sim. Ou quando ele está grande, ele passa pros ossos, e aí fode tudo. Eu não tive isso e sou agradecida por isso. Mas eu fiquei apavorada. Quando eu fiz a cirurgia acordei da anestesia, a médica veio me dizer que tiveram que tirar tudo pois eu estava com os dois lados da tireoide comprometidos. Eu chorei e ela dizia "você vai ficar bem...". Eu estava chorando de alívio. Puro alívio. Porque aquele monstro estava fora do meu corpo.

É essa a sensação: que você tem um monstro crescendo dentro de si. Um monstro que assusta você, e apavora quem está com você. Eu chamei meu monstro de Voldemort. Eu até brinquei que ia dar um avada kedavra no meu Voldemort pessoal e aquilo ia acabar. Mas meu Voldemort foi e deixou pequenas consequências físicas. E, claro, psicológicas. Quem lê meu blog sabe que 2012 foi um ano horroroso em todos os sentidos possíveis. Minha vida pessoal estava uma zona, minha vida profissional e financeira estavam indescritivelmente ruins, eu me sentia sozinha, me sentia desamparada.

Sei que estou dando voltas e voltas e não chegando a lugar nenhum, mas sabem quando você precisa escrever? Fico pensando que 2013 está sendo ótimo. Mas está sendo normal. Só que nenhuma desgraça aconteceu e eu tenho plantado bem meus frutos profissionais. É isso que eu queria: um ano normal.

Essa semana um aluno meu, novinho, 23 anos, estava me falando que tem crises de ansiedade porque não sabe bem como conduzir a própria carreira. Fiquei conversando com ele e ouvindo, e comigo pensando "se ele conseguisse ao menos imaginar o quanto a vida ainda vai dar uns tapas na cara dele e depois ajudá-lo a levantar...". Só falei "você vai ver que a vida vai simplesmente acontecendo e não temos controle sobre algumas coisas. Just let go".

O que ficou do que passei ano passado é que a vida é esse exercício diário de desapego. De deixar acontecer. Ainda estou aprendendo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O que vestir

Desde pequena eu sofro com a síndrome d'o que vestir. Lembro que eu deixava já separada na minha mente toda a roupa que usaria no Natal e Ano Novo, dos sapatos à calcinha - e eu tinha o quê? Uns 7, 8 anos? Era uma preocupação com estar bonita aliada à ansiedade da data e o fato d'eu não ter taaaantas roupas assim. Então eu tinha que deixar separada a que usaria, pra não repetir. Imagine, repetir roupa?

Os anos passaram, eu comecei a comprar minhas roupas, eu passei a ser uma das principais responsáveis pelo lucro da Renner e da C&A, e a síndrome continuava. Balada na sexta? Ai, meu deus, o que vestir? Jantar no domingo? Ai, meu deus, o que vestir? Ida ao parque? Ai, meu deus, o que vestir? Fico tensa até hoje - até porque pagar aluguel fez com que eu comprasse bem menos roupas - e sofro um pouco calada por não ter tantas opções de variações de modelitos. Porque, imagine, repetir roupa?

Tenho a festa de um amigo nessa sexta e já sei que precisarei de uma blusa nova para ir, porque com esse grupo de amigos já esgotei meu estoque limitado de peças. "Tenho" que comprar uma blusinha nova, né? "Preciso". "Mereço". Ops, esse último, sem aspas: mereço. MEREÇO. Tenho um casamento na outra semana, e é claro que a roupa está decidida, até porque é meu único vestido de festa. Mas sofri levemente quando fui convidada, porque é casamento no fim da tarde, e puxa, será que o longo é apropriado? E pro casamento de uma das minhas melhores amigas, em dezembro? Já tenho duas opções de roupas. Natal? Usarei o vestido que eu não usar no casamento da melhor amiga (é casamento informal, né, gentz. Não vou de longo pro Natal).

Tudo isso pra contar que eu entendo, perfeitamente, quando tenho esse tipo de diálogo com uma amiga:

Eu: Então, daqui DOIS ANOS provavelmente vai rolar esse evento tal, importante.
Ela: Legal!!!! E já sei até o que vestir.
Eu: Hahahaha, que bom!
Ela: Sim, e tenho duas opções de vestidos.

Amiga, eu te entendo. E estamos juntas nessa!