quarta-feira, 15 de maio de 2013

That's how I roll

Ontem foi minha primeira aula de yoga. E no meio daquela dificuldade toda de uma pessoa que está quase sem flexibilidade conseguir virar um pretzel, eu vi uma coisa. Uma moça com um sovaco tão cabeludo que eu tenho certeza que ela aduba aquilo ali toda semana. Não eram pelinhos de quem está há umas duas semanas sem depilar, e sim um considerável jardim de quem cultiva aquele matinho com carinho.

Foi o bastante para que os portões do inferno da minha cabeça se abrissem e eu começasse toda uma sessão de questionamentos silenciosos do tipo: "mas e o suor no verão, faz como?", "e o cecê, minha gente?" ou "mas é protesto? É contra o patriarcado? Ou será preguiça?".

Vejam bem: o sovaco é da moça. Eu não tenho nada a ver com os cabelos dela. Mas não consigo não ficar pensando em todas essas coisas. E penso demais assim em qualquer situação. Qualquer coisa diferente que vejo, qualquer pessoa mais fora do padrão que vejo e lá estou eu, obcecando em elucubrações.

Aí passou a obsessão do sovaco cabeludo alheio. Beleza, tô lá sentada num calcanhar e levantando o outro pé. Tá super confortável, tá uma delícia, quando começo a sentir aquele doce aroma de chulé. O cheirinho vinha dos tapetes de yoga. Não era dos meus pés, tenho certeza, porque uso um produto que bloqueia o suor E o chulezinho (Dr. Scholl FTW).

Mais uma vez os portões se abriram. "Mas por que não lavam os pés antes da aula?", "será que não podiam deixar álcool gel na sala e cada um limpa seu pé com toalhinha?", "acho melhor trazer meu colchão na próxima aula, mas ninguém traz, e se me acharem esnobe? E se chulé for algo que se compartilha na yoga?".

E assim foi minha primeira aula de yoga. Metade da aula eu me perdi com as posturas e a outra metade me perdi na minha pequena loucura.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Beber vinho em casa

=

ser possuída pelo ritmo ragatanga e querer sair dançando pela sala toda e qualquer música minimamente "sedutante".

Na última vez em que bebi sozinha, quando percebi estava assistindo vídeo-aula de como fazer todos os passos de "Love on Top". Por razões meramente alcoólicas isso não deu certo, aí fiquei cantando "Irreplaceable" incessantemente. Essa música está no meu top 5 Beyonça, e se você discorda, to the left, to the left.

Mas sempre termino essas maravilhosas sessões à base do néctar dos deuses (vinho, geite) com QUALQUER COISA do Justin Timberlake. Pode ser Justin de cueca tocando piano, sério, tá valendo. Justin, parabéns por ess saúde maravilhosa.

No momento estou na parte de Irreplaceable. É um ciclo importante. Beijos.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Herança materna

Minha mãe me ensinou a arrumar a casa quando eu tinha uns 8 ou 9 anos. A cozinhar acho que foi antes, porque eu queria aprender a fazer bolo. Comecei com bolos de caixinha, depois pros tradicionais mesmo. Quando eu tinha 11 anos, meu irmão nasceu. E, aos 12, eu sabia não só fazer de tudo dentro de casa - faxina, comida, passar (inclusive camisa social) - como também sabia cuidar do meu irmão, que era bebê. Aprendi tudo por necessidade, mas minha mãe dizia que eu tinha "que saber me virar" sozinha. Que tinha que ser independente. Que tinha que saber cozinhar pra não ficar com fome e tinha que saber arrumar e limpar a casa porque casa bagunçada demais é coisa de gente porca.

Durante muitos anos eu não dei valor ao fato de saber cozinhar. As pessoas sabiam dos meus talentos domésticos e de faxina porque eu sempre reclamava de ter que passar os meus sábados limpando a casa junto com minha mãe, mas eu não comentava sobre cozinhar porque não cozinhar era meu ato de rebeldia numa fase de relacionamento difícil entre mim e minha mãe. Eu tinha tantas obrigações em casa, inclusive financeiras, não ia ter mais uma. De jeito nenhum. Além disso, comida de mamãe é coisa linda, né. Eu não cozinhava por rebeldia mas também porque mamis sempre, sempre cozinhava. E a comida era sempre boa.

Anos se passaram, eu cresci agora sou mulher tenho que encarar com muita fé, e comecei a namorar meu marido. Quando ele vinha pra São Paulo, eu cozinhava. Porque minha mãe não tem obrigação alguma de cozinhar pro casal apaixonado, né? Aí, vez ou outra, eu ia e cozinhava. E uma chama foi se reacendendo. Eu sempre achei cozinhar muito legal, quando era criança passava horas vendo livros de receitas com figuras lindas e apetitosas. Comecei a cozinhar, timidamente, pros amigos. Um risoto pra minha prima, uma torta de limão pra amiga de coração partido. Ah, vai ter almoço na casa da Renata? Eu levo a sobremesa. Pavê. Mousse. Torta.

Quando me casei, cozinhar se tornou necessidade. Mas também prazer. Eu cozinho porque comer é necessidade básica do ser humano e sair pra comer sempre é inviável - engorda e empobrece. E como eu realmente gosto de cozinhar, como a chama se reacendeu e virou uma fogueira, eu procuro arriscar, tentar muitas coisas diferentes. Eu gosto de saber sobre a culinária de outros países e gosto de experimentar coisas fora do trivial. Meu marido também. Então, por que não tentar? E nisso a coisa vai evoluindo. E você vê que como cozinha desde criança, como cresceu vendo a mãe cozinhar, como vem de uma família em que o avô cozinhava bem, os tios cozinham bem, as tias idem, algumas primas também e até o irmão preguiçoso se arrisca na cozinha; cozinhar não tem aquela pecha de "oooooohhhhh, que difícil". Você lê a receita, vai lá e faz. Se der errado, paciência. Se der certo, maravilha.

As pessoas falam pra mim "uau, tá cozinhando muito, aprendeu agora?". Não, eu sei cozinhar desde pequena, por isso, talvez, seja algo simples pra mim. Também falam "fica exibindo seus pratos em fotos, né?". Fico mesmo. Tenho orgulho do que faço, geralmente fica gostoso, por que não tirar foto? Não é pra fazer inveja, porque não tenho 12 anos, e nem pra mostrar como eu cozinho bem e sou independente e etc, porque não tenho 12 anos. É só porque sinto orgulho de saber usar as mãos pra fazer comidas gostosas. É porque cozinhar me deixa mais próxima à minha família, me faz lembrar da minha avó e do meu avô, é porque eu acho que existe uma bagagem sentimental enorme no MEU ato de cozinhar. Quando eu cozinho pros amigos, pra família, pro meu marido, pra mim, é um ato de entrega, um ato de amor. Se eu falar que vou cozinhar pra você, tenha certeza de que eu gosto de você e que farei algo de coração mesmo. Então por que não mostrar as fotos de coisas que fiz com tanto amor?

Além de tudo isso, eu acho que saber se virar na cozinha é importante. É necessário. Já vi pessoas se orgulhando de não saber fazer nada na cozinha, e eu acho que essas pessoas são meio burras, na verdade. Porque não tem orgulho nenhum em ter que gastar horrores em restaurantes. Nossa cidade está absurda de cara. Saber fazer uma omelete, um macarrãozinho alho e óleo podem salvar. É só tentar, começar, e saber que todo mundo erra.

No fim, agradeço minha mãe por me fazer ser independente em casa. Por ter me ensinado como lavar, passar, limpar e cozinhar. Porque ela NUNCA me falou que seria importante pra quando eu me casasse. Ela SEMPRE me falou que era importante pra eu ser independente em casa. Essa é uma herança que levarei comigo pra sempre. Ser independente na vida é o máximo, mas dentro da sua casa é tão bom quanto.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Da delícia de voltar pra casa

Cheguei às 3 e tantas da manhã, meio bebinha, feliz e cansada depois de ter dançado por algumas horas. Tomei meu banho e deitei. Ele estava lá há algum tempo já. Tinha ido dormir antes mesmo d'eu sair. Assim que deitei ele se virou pro meu lado, me abraçou e fez a conchinha em que dormimos todas as noites, há dois anos e meio.

Voltei às 3 da manhã e quando saí da balada, com meu amigo, falei "quero ir embora porque estou cansada, mas também porque estou com saudade do Thiago". Não sei se as pessoas ficam com vontade de vomitar quando falo essas coisas muito fofas de relacionamento, mas meu amigo pareceu levar numa boa. Ele é um fã desse casal Camila e Thiago. Então acho que falar aquilo foi ok. Além disso, eu sou bem reservada no quanto exponho meu relacionamento - tanto a parte boa quanto a parte ruim - então quando eu tropeço e solto uma fofurice acho que é tranquilo.

Nós fazemos coisas separados. Não é um hábito, tipo "vamos combinar que toda semana faremos algo separado". Até porque trabalhamos tanto, quando chega o fim-de-semana o bom mesmo é "ficar no grudado", sabem? Mas sábado passado ele teve um encontro de meninos e Rockband que durou o dia todo, eu tive um almoço de Saint Patrick's day o dia todo, e quando voltamos eu já me arrumei para sair e ir ao aniversário de uma amiga. Acho muito bom fazer coisas só minhas. Acho muito bom ele fazer coisas só dele. Mas acho que sabemos que estamos no caminho certo quando fazemos nossas coisas mas ainda assim sentimos aquele friozinho na barriga em voltar pra casa. Nem que seja pra cair na cama e dormir de conchinha.

É sempre bom voltar pra casa. É sempre bom voltar pra ele!

segunda-feira, 11 de março de 2013

O caminho do meio

Tem me assustado muito o quanto o mundo anda polarizado. Preto ou branco. Sim ou não. Direita ou esquerda. Amor ou ódio. Outro dia li um tweet de alguém que dizia que estamos esquecendo dos milhares de sentimentos que existem entre o amor e o ódio. Venho pensando nisso há dias.

Eu não sou a favor de radicalismo nenhum. Nem religioso, nem político, nem alimentício, nem de nada mesmo. Eu acho que o radicalismo cega. Mas quem escolhe ser radical escolhe isso, né? Escolhe ser cego e tomar a sua verdade como a verdade absoluta. E não quer nem saber de opiniões contrárias porque quem pensa diferente só pode ser burro.

Fico incomodada com os ativistas pró vegetarianismo que consideram qualquer comedor de carne um assassino cúmplice de crimes. Fico incomodada com o pessoal de esquerda defendendo o PR cegamente e acusando a direita. Fico incomodada com a direita atacando tudo o que o PT faz e só apontando o dedo pra tudo que eles acham que é merda. Fico incomodada com a militância religiosa pró Jesus mas me assusta bastante a ATEA e similares defende do o ateísmo e considerando pessoas de fé como pessoas burras. Fico incomodada com i fato de, em seus radicalismos, não verem que o problema não é a fé, e sim justamente isso: o radicalismo.

Ando bem incomodada com o mundo em geral. Com o fato de hoje em dia ser quase um crime você querer não ser radical. Eu opto sim pelo caminho do meio. Não tenho problema nenhum em me posicionar. Só não quero comprar a ideia de ninguém e ficar cega apenas acusando o mundo ao meu redor.

Seria possível?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Escova a laser

Numa dessas promoções do Groupon eu comprei uma tal de escova progressiva a laser. O preço normal era mais de 500 reais e, na promoção, ficava em torno de 59 incluindo uma hidratação. Pela descrição, meus fios ficariam como fios de seda fiados por freiras manetas do alto das montanhas sagradas, então comprei. Tenho fios mais lisos, mas tenho muuuitos fios novos, que nascem arrepiados e me dão aquele aspecto de ter uma jubinha quando não estão domados.

Achei aquilo de escova a laser uma inovação, uma maravilha. Pensei que seriam tipo sabres de luz potentes que, ao serem passados em meus cabelos, já os deixariam domados, brilhosos e incríveis. Cheguei ao salão e vi que estava rolando uma linha de produção das progressivas. Ok, afinal, quem não curte uma pechincha? Ainda mais se for para Luke Skywalker das produções capilares passar o sabre de luz (no pun intended) nas minhas madeixas?

Quem me atendeu foi um travesti. Não sei se já comentei aqui, mas tenho a maior simpatia por travestis. Queria ter uma amiga trava mas nenhuma quis ser minha BFF até hoje. Pensei que aquela moça me deixaria incrível e maravilhosa. Até que ela começou a lavar meus cabelos. Lavar não, puxar os fios embaraçados como mãe que quer desembaraçar seus cabelos quando ela está brava com você. DOÍA. Olha, eu lavo meus cabelos diariamente e passo shampoo de duas a três vezes. Eu sei que é possível lavar os cabelos sem sentir dor.

Fomos lá pra cadeirinha e eu ansiosa pensando no holofote laser a que eu seria submetida, quando Rafa e suas mãos tão suaves quanto a de um lenhador começou a passar um produto. Que é basicamente o mesmo produto que passam em mim em escovas tradicionais. Cadê a porra do laser? Pensei "ah, vai ver é só depois de seco, tipo uma chapinha com laser selante (??)". Eis que a fia começa a secar com secador. Puxando como se estivesse puxando cera de depilação, sabem? Aquela força. E encostava o secador pelando no meu couro cabeludo, queimando. Eu tava quase chorando.

E cadê a porra do laser?

Até que perguntei. E descobri que a escova progressiva a laser é APENAS uma escova progressiva normal em que, no final, eles passam um aparelhinho de luz azul nos fios. Sem nem encostar neles. Parece que estão dando passe com uma luz azul. Nada de holofotes, nada de sabre de luz. Nem de Luke Skywalker. E ainda tive meus cabelos puxados.

"Ah, mas você pagou só 59 reais".

Não. Paguei mais 50 porque o produto que eles passam é daqueles de deixar 3 dias nos fios. Não posso com isso, isso faz mal. Aí, pra que eu pudesse lavar os fios quando quisesse, deveria passar um neutralizador, que custava 50 reais.

Fica a lição. Escova a laser é non ecxiste e promoção de progressiva do Groupon é coisa do capeta.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O tal do hormônio

Fevereiro foi um mês incrível. Logo no primeiro dia meu endocrinologista viu a última leva de milhares de sangue que fiz pós cirurgia e ouvi as palavras mais belas que eu poderia ouvir de um endocrinologista: "seus exames estão ótimos, seu TSH está baixo e por esse outro resultado aqui posso concluir que não há resquícios de células tireoidianas no seu organismo. Vamos aumentar a dosagem do hormônio pela última vez".

O TSH é o hormônio que estimula a tireoide. Quando ele está alto é sinal de hipotireoidismo, aquela doença em que você acumula líquidos, incha, sente muito sono e muito cansaço. É o que eu tinha. E por esses sintomas foi que eu procurei o médico, e por causa dessa ida ao médico foi que descobri o câncer. Esse tipo de Voldemort não dá sintomas. Eu podia não ter descoberto ele por anos. Foi por causa dos sintomas do hipotireoidismo que, indiretamente, eu descobri o que tinha que descobrir. Er... Obrigada, herança genética de hipo?

Agora que não tenho mais tireoide, tenho que tomar hormônio sintético todos os dias pro resto da vida. Tive sorte de chegarmos à dosagem quase certa em cerca de um mês e meio. Até chegar a essa dosagem eu estava bem lerda. É um cansaço que te dá e você não sabe de onde vem, só sabe que seu corpo não reage mesmo que você queira levantar do sofá e agitar todas.

Em fevereiro, com a dosagem certa de hormônio, foi que eu percebi há quanto tempo eu estava mole, lerda e não sendo eu mesma em algumas coisas. No ano passado eu passei por muita coisa ruim, mas havia um algo a mais ali, uma indisposição constante, um desânimo constante, que eu não entendia. Seria início de depressão? Não sabia.

Muito era tristeza mesmo. Mas havia uma boa parcela de problemas físicos mesmo. A disposição que tenho agora é algo que eu não tinha há um bom tempo. Não sou uma pessoa agitada "vamos acordar às 7 no domingo e caminhar", mas não sou também aquilo que eu estava no ano passado.

Nunca pensei que fosse tão bom ter a dosagem hormonal certa. Eu volto a me reconhecer em mim mesma. Sinto que volto a ser quem eu não era há algum tempo e eu sentia falta desse eu. Por isso, crianças, cuidem bem de suas tireoides. Vocês não imaginam o quanto o bom funcionamento delas é importante. :)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Fotonovela: um dia paulistano

Sexta-feira, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Um dia lindo lá fora, mas a preguiça aqui dentro de mim era grande. Amo muito ficar em casa, mesmo quando tenho que limpar, lavar e etc - coisas que tive que fazer no feriado. Meu marido começou a ficar igual criança impaciente que quer ir pro playground. "O dia está lindo, vamos dar uma volta!". Aproveitando que eu estava num dia hormonalmente funcional (por causa da tireoidectomia e reposição hormonal eu tenho me sentido muito cansada e indisposta), decidimos ir pra Liberdade.


Logo na saída do metrô do bairro tradicionalmente oriental, índios bolivianos davam um show. Um chinês muito fora da casinha estava alucinado cantando e dançando. Não sei o que estava melhor: o show dos índios ou o show do chinês.



Hum... O melhor mesmo era esse menininho aqui ó:




Catem esse estilão! Ele era lindo e muito fofo. Até quando a mãe dele arrumava sua fantasia ou cabelo ele conseguia ser muito fofo.



Ele até encantou uma moça que acabou ficando toda torta pra tirar foto dele.


Eu tenho uma memória fotográfica insuportavelmente boa. Quando estava postando essas fotos no Facebook, vi que essa moça aí é uma conhecida moça de Twitter/redes sociais/internet. Fui ao Instagram dela (ela é bem conhecida) e pá! - lá estava a foto que ela tirou do menino lindo. Contei a ela que eu tinha essa foto, ela pediu para ver e postou-a na página dela. Coincidências dessa cidade que é enorme mas que às vezes parece um ovo. No meio da multidão e de um monte de lugares para ir e ver, você acaba vendo um rosto conhecido da internet. Ou conhecido de conhecido mesmo - já aconteceu comigo muitas vezes.





Depois de ver o show, fotografar o pequeno artista (e os grandes também) e de dar uma colaboração monetária para que eles continuem a tocar músicas típicas e não Celine Dion na Praça da Sé, ficamos com fome e procuramos algum restaurante aberto. Thiago queria me levar num lugar chinês com uma sopa de noodles excelente.





Achamos o restaurante. Na fachada, fotos dos pratos. Nome em chinês - nenhuma informação em português. Entramos e perguntei à garçonete, chinesa, qual era o nome do local. "Chinês" - ela respondeu. E só. Fizemos nosso pedido. Sopa de camarão e guioza. Pessoas começaram a chegar ao restaurante e, no fim, éramos os únicos ocidentais. Todos falavam chinês, exceto nós, claro. Todos começaram a ser servidos antes de nós. Eu e Thiago absolutamente hipnotizados por tudo ao nosso redor, nem ligamos para o fato dos nossos pratos demorarem mais. Estávamos nos sentindo turistas e estrangeiros, estando em nossa cidade.


E lá estávamos nós, num restaurante sem nome em português, cercados por imigrantes chineses que eram servidos bem antes que nós. A garçonete não entendia muito bem o que falávamos. Os pratos das outras mesas eram bem mais vistosos. Mesmo assim, comemos o melhor guioza da nossa vida. E a sopa de camarão estava deliciosa!

Restaurante chinês, com cardápio em chinês, rodeada por chineses, no meio de São Paulo. Podem falar o que for dessa cidade, e provavelmente tudo o que falarem de mal é verdade. É feia, é cinza, é caótica, é cansativa. Mas é acolhedora. É aqui que essa colônia chinesa consegue não só viver mas preservar, de certa maneira, sua cultura. E é assim com várias culturas. E milhares, milhões de pessoas de outros estados.

São Paulo acolhe sim. E nem é só pelo trabalho. É uma bagunça tão grande, um caos tão grande, que no final ela só fala "vem, gente, cabe mais um, a gente dá um jeito". E assim, a cidade que acolhe a todos cresce de maneira desorganizada, parecendo mesmo um cortiço daqueles da Mooca, onde é aquela zona enorme (meus avós moraram em um cortiço - foi lá que se conheceram - então eu tenho histórias sobre a bagunça toda!), com tudo misturado, com famílias misturadas, sem planejamento algum - mas onde as pessoas se ajudam de certa forma.

No fim, sempre lembro do Anthony Bourdain num episódio que gravou aqui na cidade. Ele começa dizendo que, à primeira vista, tinha odiado aqui. Tudo cinza, tudo concreto. Aí conheceu as pessoas, e os lugares, e levarem ele pra comer aquele sanduíche, aquele espetinho, tomar aquela cerveja, comer aquela feijoada. Com gente legal, que abre a casa, que faz caipirinha. No final, ele estava apaixonado por São Paulo. 


Eu amo minha cidade sim. É onde nasci, cresci, onde posso fazer várias coisas e onde, sem luxos, eu vivo bem. Odeio com todas as minhas forças a especulação imobiliária alucinada que faz com que cobrem 5000 de aluguel num apartamento de 3 quartos e menos de 100m², odeio todo o caos dos transportes públicos, odeio o trânsito e o fato de tudo virar um inferno quando caem 5 pingos de chuva. Ainda assim, foi essa cidade que acolheu meus bisavós quando vieram da Itália. Foi aqui que meu avô conseguiu construir uma casa pros 4 filhos. Aqui foi onde minha família toda cresceu, sempre viveu. Foi essa a cidade que acolheu meu marido tão bem.


Sim, não tenho como não amar São Paulo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

True Story


Coloquei isso hoje no Facebook:

Por tudo que é mais sagrado pra vocês, parem de compartilhar fotos de animais que sofreram maus tratos. Apareceu aqui uma sequência de fotos de um gatinho que me fez chorar de desespero. Compartilhar foto de agressores mostrando o que fizeram é dar moral pros caras e fazer gente que tem coração passar mal.

Encaminhem fotos pra delegacia de proteção aos animais. Isso sim é fazer algo que preste.

E não é?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Update do post anterior

Anônimo que comentou que lê meu blog e gosta, obrigada!!!! Eu entendi seu comentário, não achei sua pergunta sacanagem não. Mas acho que pra você não apareceu a imagem. Aquele parágrafo era referente a uma imagem! Sem a imagem fica estranho mesmo. :)

Dani, eu e ele nem temos mais contato, duvido que ele saiba direito o que é blog e ele nem sobha que eu tenho um. :)