sexta-feira, 3 de abril de 2009

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No fim-de-semana da Páscoa completará um ano do dia que mudou o resto da minha vida. E, obviamente, tenho pensado muito, muito, muito em tudo que fiquei sabendo no fatídico dia 13 de abril de 2008. E hoje, sei lá por que caralhos, reli os arquivos da época. Reli alguns textos de julho, depois junho e aí criei coragem e fui direto na ferida: abril. Quanta, quanta dor. Era tanta dor que eu, que vivi aquilo tudo, não consigo mais mensurar o tanto que eu sofri. Só consigo dizer que foi muito. Doía, fisicamente. Eu achei que fosse enlouquecer. Achei que fosse me perder pra sempre e nunca mais fosse encontrar um meio de ser feliz. Eu quis ferir, fisicamente, algumas das pessoas envolvidas no rolo que é o meu passado. Eu senti tanto ódio e chorei tanto, e tão alto... Diariamente. Por meses. Eu quis fugir do Brasil, faltou pouco pra eu não fazer uma loucura e arranjar dinheiro sei lá como e ir embora. Eu tentei mesmo ir embora, arrumar emprego em outro país, entrei em desespero quando o entrevistador me reprovou por causa de altura. Chorei, na frente dele. Porque a pouca esperança que eu tinha, ele tirou de mim.

E eu tive que ficar aqui e tive que encontrar, nem sei como, forças pra chorar menos e sofrer menos. Porque eu tinha que trabalhar. Aí eu perdi meu emprego. E tudo desabou. Mas quando tudo terminou de desabar eu já estava num estado de "foda-se" tão grande que nem muito abalada eu fiquei. Tendo que conseguir muitos alunos em pouco tempo, eu tive que deixar toda a questão paterna reservada pra depois. Um "depois" que eu não sabia quando viria. Não vivi todo o luto que devia ter vivido, porque era um luto grande. Era a descoberta da identidade do pai 29 anos depois e, depois, a morte dele. Era saber que meus irmãos existiam. Que eu os conhecia. Era coisa demais.

No final do ano eu não aguentei e surtei, levemente. Eu queria tanto que o ano acabasse, tanto. Eu basicamente só pensava nisso. Parecia que minha felicidade dependia da chegada de 2009. Porque eu precisava de alguma esperança e precisava acreditar que era possível deixar toda aquela desgraceira pra trás. Que era possível recomeçar.

Sim, era possível recomeçar.

Agora, quase um ano depois, eu ainda choro. Chorei relendo os posts, chorei escrevendo esse. Talvez essa dor fique comigo pra sempre, e só eu sei o quanto ela dói e o quanto ela é minha. Dói não ter como culpar os envolvidos, porque um deles morreu e teve uma vida desgraçada e a outra é a minha mãe. Não tenho mais idade pra culpar minha mãe pelos meus problemas. Analisando, de leve, tudo isso, acho que o melhor foi mesmo eu não ter ido embora. Porque só assim eu consegui, à minha maneira, encarar as coisas, resolver o que tinha pra resolver, melhorar MUITO meu relacionamento com meu irmão, aceitar um pouco mais algumas coisas em minha mãe. Eu precisava disso. Eu precisava de alunos novos pra me reapaixonar pela minha profissão. Eu amo o que eu faço. Atualmente tenho somente alunos bacanas, que não me dão calote, que particpam das aulas, que melhoram, que gostam de mim.

Foda-se se tudo isso soa como alguma merda de texto de superação. Eu odeio essas coisas de "eu superei", aqueles textos que viram powerpoint com música cafona. Mas isso tudo realmente aconteceu comigo e eu ainda preciso falar a respeito. Eu ainda tenho muito o que expurgar. Eu ainda tenho muito o que dizer, o que repensar, o que mudar, o que aprender.

Um dos textos que escrevi dizia que eu não estava mais sentindo quase nada. Que eu não queria nenhum relacionamento, não queria sentimentos, não queria nada. Dizia que minha maneira de encarar as coisas havia mudado. Realmente mudou. Prefiro a minha versão atual, sem sombra de dúvidas. Mas é bom ver que, apesar de toda a história fodida, bizarra e incompreensível que atende pelo nome de "minhas origens", eu consigo sentir coisas hoje em dia, coisas boas. Amor. Eu achei que não fosse conseguir.

(E com certeza outros textos sobre o assunto virão. Paciência, amigues)

4 comentários:

Renata Fern disse...

Adorei!
Ter fé e coragem no amor!
No meio de tantas intempéries... lá está vc lutando por vc mesma, pra ser apenas feliz! Só essa tentativa já faz valer a sua vida!
Grite, chore, extravase... sinta tudo à flor da pele e sorria, com certeza, o seu melhor momento!

Beijo.

Anônimo disse...

Keep Fighting. Street Fighter.

Tomara que você supere o máximo que puder. Você não perde nada se superando.

O sofrimento fortalece, porque ele te faz valorizar o alívio. Mas a tristeza só incomoda e te impede de enxergar a felicidade.

Srta.T disse...

Chuchuza, vc é uma moça de aço. Dava pra fazer um gibi sobre sua vida, fácil. E seria um gibi que eu colecionaria.

=**

Caco disse...

Você é uma pessoa corajosa por enfrentar essas situações - e expô-las de modo tão maduro e pujante.
Fica bem.
Um beijo
CACO