terça-feira, 15 de março de 2011

Recomendação de escola de inglês

Outro dia alguém que não me lembro o nome comentou aqui me pedindo uma recomendação de escola de Inglês. Eu li o comentário no meu email e deixei para responder depois. Só que eu apaguei o email e agora não encontro onde está o comentário aqui no blog. Portanto, perdão a você que comentou me pedindo ajuda! Eu ia te escrever email mas ficou impossível por eu não achar seu comentário. Por isso, a resposta vai aqui mesmo. E me desculpe por não me lembrar seu nome. Minha memória é boa, mas eu só consigo me lembrar que você mora no ABC (São Caetano, não é?) e quer estudar Inglês sem perder tempo em escola sem qualidade.

Bom, se for para dar uma recomendação, claro que eu recomendo a minha escola, né, MWAHAHAHAHA! Mas como eu atendo apenas empresas, vou te dar umas dicas sem mencionar nomes de escolas porque não seria ético de minha parte.

Minha primeira dica é: fuja de escolas que prometem fluência em X meses. Isso é safadeza. Jogo de marketing. Conversa pra boi dormir. Existe uma grande e tradicional escola que começou a oferecer Inglês em 18 meses. Eu li a proposta deles e acho que, dos cursos relâmpago que li, é a única que vale. Porque ela não promete fluência. Promete um curso BÁSICO de CURTA DURAÇÃO com foco na comunicação oral - está bem claro que essa escola, que, por sinal, eu respeito profundamente, não está prometendo o impossível. Está prometendo básico de curta duração. Isso é bem diferente de prometer FLUÊNCIA. Fluência é um termo bastante controverso, por sinal. Você pode ter fluência dentro do nível em que você está. O que as pessoas buscam com o tal do Inglês fluente é a proficiência. Todas aquelas certificações que existem (ECPE, CPE, CAE, TOEIC) comprovam sua proficiência no idioma, e não sua fluência. Mas isso é meio técnico demais, por isso aceita-se fluência como "nivelador universal" (argh) e blablabla.

Eu sou absolutamente contra escolas que propagandeiam fluência em x meses porque isso NON ECXISTE. E o seu ritmo de aprendizagem? E suas dificuldades? Como é que a escola pode atestar que você estará super comunicativo em x meses? E se você tiver a maior facilidade? E se você tiver muita dificuldade em produzir (falar e escrever) mas tiver muita facilidade em ouvir e ler? O que você faz? Senta e chora? É claro que fica difícil, quase impossível até, para grandes escolas e franquias levarem em conta o individual de cada aluno. Principalmente em salas cheias. Mas apressar o aprendizado, forçar o aluno a correr porque tem que cumprir os 18 meses, não é legal. O que acontece, de maneira bem generalizada, é que o aluno termina os 18 meses conseguindo se comunicar, só que cometendo erros considerados básicos. E por quê? Porque a base, que deveria ter sido trabalhada com todo o carinho e atenção, foi dada às pressas pra cumprir cronograma.

Então, se você tiver pressa e quiser um curso mais rápido, você tem duas opções: faça um intensivo individual, daqueles mais caros mesmo, mas onde você fará aulas várias vezes na semana e com um professor focado em ti; ou então opte por esse curso BÁSICO de curta duração dessa grande escola. Mas tenha a certeza de que isso não é o suficiente e que você terá que continuar estudando, sempre. No entanto, cumprir um curso básico de curta duração te dará uma base para se comunicar bem.

Outra dica: fuja de escolas que oferecem material didático a preço de ouro. Já soube de escolas "fluência em x meses" que oferecem material para esses 18 meses por 2000 reais. DOIS MIL. E se você entrar no intermediário, problema seu. Terá que adquirir o pacote todo. Eu vi o material - é muito bom, visa a comunicação oral e não parece nada sacal. Só que é sacanagem das brabas ganhar tanto em cima disso. Se a escola quis produzir o próprio material, legal, ponto pra escola. Só que escalpelar futuros alunos por conta disso é mancada.

Última dica: a escola anuncia "foco apenas em comunicação oral"? A escola promete que você não terá que escrever nada durante o curso? A escola se orgulha de seguir uma metologia específica, tipo "communicative approach" ou "lexical approach"? Hum. Analise. O que você precisa? Por que você está querendo fazer esse curso? É para viajar a lazer ou a trabalho? É para a sua vida ou porque seu trabalho exige? Se for para lazer, não vejo problema em fazer um curso que foque em comunicação oral. Tenho reservas, mas, no vai da valsa, não é de todo mau. Se você precisa para viajar a trabalho, para negócios ou para a sua vida de maneira geral, pense duas vezes antes de ficar feliz com o fato de você não ter que escrever durante o curso. Porque no seu trabalho você terá que escrever. Na sua vida, idem. Emails simples, que sejam. Mas a comunicação escrita será necessária.

É claro que eu não tenho nada contra metodologias. Eu as adoro, na verdade. O que eu acho um pouco falho nas escolas é decidir adotar uma única metodologia e seguir somente com aquela. Isso limita o professor, limita as aulas, limita o desenvolvimento do aluno. Entendo que comercialmente haja a necessidade de falar sobre abordagens e metodologias. Mas de que adianta dizer que segue o lexical approach? Não é muito melhor dar uma pequena explicada bem geral ao invés de sair nomeando? E, melhor ainda, não é mais produtivo apresentar aos professores um leque de possibilidades metodológicas para que eles tenham ferramentas para trabalhar com alunos diferentes na mesma turma? Eu não acredito que uma metodologia funcione, eu acredito que várias, juntas, e usadas com bom senso, funcionem. As escolas mais "modernas" e em sintonia com as mudanças e avanços no ensino de idiomas utilizam metodologias diferenciadas, sem focar apenas num único skill*, por exemplo.

Por fim, se você for tímido, não escolha escolas com 20 alunos por turma. Você não conseguirá falar e as aulas não serão produtivas.

Resumindo, é tudo isso: não escolha escolas que prometem o impossível, cuidado com os valores dos materiais didáticos, pense direitinho naquilo que você quer para não ir pruma escola com foco em apenas uma habilidade e, se você for tímido, não entre em turmas com muitos alunos em sala.

UFA. espero ter ajudado um pouco!


*são 4 skills: listening, reading, writing e speaking. Listening e reading são chamados de receptive skills. Writing e speaking de productive skill. O curso ideal é aquele que consegue balancear os 4 skills sem dar ênfase demais a um específico - a não ser que você precise de um curso específico, mas aí é assunto pra outro post.:)

5 comentários:

Lannusa disse...

Oi! Não fui quem pediu a recomendação, mas me caiu como uma luva! Obrigada mesmo!

O coruja disse...

Puxa vida Chu, muito obrigado e parabéns pela prestação de serviço!!! Apesar de também não ter sido eu quem pediu a recomendação adorei o texto.

Dri disse...

Continuando o seu tratado, é preciso que as pessoas saibam a diferença entre FLUÊNCIA e PRECISÃO. Porque a grande maioria das pessoas acha que ser fluente em uma língua é falá-la sem erros. Bem, se assim fosse, não seríamos fluentes nem em português, não é mesmo?

Outra coisa: Não há como aprender qualquer língua sem um mínimo de gramática. Não. Há. Como. Já falei com pessoas que me avisaram que não tinham o menor conhecimento de inglês, mas queriam aulas de conversação. E diante da minha resposta direta "Não há como", retrucaram com "Mas o lugar tal disse que é, sim, possível". Mais uma vez: não há como.

Para terminar, Maria, do BBB, deu a seguinte declaração:

"Maria conta que aprendeu a falar inglês nas viagens que fez ao exterior: “Eu aprendi muito com viagens. Já percebi que, se eu estudar aqui e não praticar, eu esqueço”."

Viajar ajuda, sim. Mas, por favor, amiguinhos, a Austrália está coalhada de brasileiros! (E o sotaque é uó!)

Beijos!

Dri disse...

Voltei!

Lembrei de uma história ótima:

Na primeira vez que viajamos para o Canadá, fomos de excursão. Mamãe fez propaganda do meu inglês e acabei virando a intérprete não-oficial do grupo. So far, so good (quer expressão mais professorinha?! rs.). Tinha um cara que supostamente sabia falar inglês muito bem também. Atentou para o "supostamente"? Porque, ele vinha falar comigo e eu não entendia nada, nada mesmo, do que ele estava falando. E olha que naquela época eu não era intolerante como sou hoje, então eu realmente me esforçava para me comunicar com ele. Pois bem, uma manhã, no meio de mais uma tentativa de conversa, o tal cara me interrompeu.

- Tem certeza que você terminou seu curso de inglês?

Eu respondi. Bufando, mas respondi. Disse que fazia aulas de inglês desde os meus 7 anos (eu estava com 17) e que tinha terminado meu curso, sim. Ele continuou.

- Tem certeza? Porque eu acho o seu inglês estranho. E eu posso falar já que aprendi inglês sozinho, DECORANDO O DICIONÁRIO.

Fiz cara de come again, certamente, porque ele me deu mais detalhes sobre esse fabuloso método de ensino:

- Cinco meses antes da viagem, eu comecei a decorar o dicionário. Dediquei 6 horas diárias de estudo, para o aprendizado (????) das palavras, e 1 hora diária de conversação (??????). Então, está tudo bem fresquinho na minha cabeça.

Eu batizei esse método de aprendizagem patchwork: você costura palavras e sai falando inglês!

IMPORTANTE: Não tentem reproduzir isso em casa, amiguinhos!

Patricia Scarpin disse...

Chu, querida, que bacana esse post, super útil!