quarta-feira, 21 de maio de 2014

HONY e trabalho



"I separate and fold the linen."
"How'd you get that job?"
"Prayed for it."

- Eu separo e dobro roupas de cama.
- E como você conseguiu esse trabalho?
- Eu rezei por ele.

"Humans of New York" - ou HONY, para os íntimos - é, sem sombra de dúvidas, a minha página favorita no Facebook. Eu admiro profundamente o criador do site, acho o projeto dele incrível (confesso que sinto muita vontade de fazer algo parecido aqui em São Paulo, mas não tenho tempo e nem sou tão boa assim em jogar conversa fora até arrancar uma confissão que faz a gente chorar) e sempre me emociono com as fotos e com o que as pessoas falam. 

E aí que hoje eu tive um dia ruim. Outro. Em poucas palavras, eu perdi meu maior cliente na quinta passada, pois a empresa foi vendida. 4 turmas que pagavam bem. E hoje, no fim da tarde, uma outra turma, de outra empresa, me avisou que vai parar o curso. Eu não sou mais uma pessoa trabalhando sozinha. Eu tenho pessoas que trabalham comigo, e precisam da grana. Assim como eu. E isso de ter pessoas que precisam da grana, pessoas legais que você não quer perder de jeito nenhum, é uma responsabilidade do caralho.

As coisas foram acontecendo comigo. Eu fui deixando as coisas acontecerem, conforme as oportunidades surgiam. Meu sonho de juventude era ser tradutora, não empresária. Mas a vida é assim, e eu abracei com toda a minha força os caminhos que apareceram. 

Hoje foi um dia ruim, mais um em menos de uma semana, em que eu me questionei muito. Estou há dias assim. Por mais que toda empresa esteja sujeita a perdas, isso é normal, é mais difícil lidar com isso quando a responsabilidade é sua, e quando você não tem meios de dividir esse ônus - nem o financeiro e nem o da responsabilidade em si. Fico perguntando ao meu marido se isso tudo vale a pena, quando na verdade eu sei a resposta. Só quero um carinho em forma de resposta. Vale a pena, por mais que doa. 

A questão é que sempre que as coisas começam a melhorar, quando eu começo a planejar coisas novas, quando eu estou realmente bem, SEMPRE acontece algo que revira tudo. A vida, essa puta velha, adora curtir com a minha cara. Ela fica lá, gargalhando de boca com a boca aberta, aquela boca já quase sem dentes. Já perdi TUDO de um dia pro outro duas vezes. Uma em 2008, outra em 2012, e agora essa. Mas dessa vez eu não perdi tudo. Eu ainda tenho alguma coisa.

Tenho professores incríveis que estão comigo, tenho contatos, e, acima de tudo, tenho uma gana que nem sei de onde vem pra correr atrás das coisas. Pode levar um tempinho e devo ficar apertada de grana, mas eu não perdi tudo dessa vez. Esse ano não será 2012 de novo. Nunca. Não admito. Penso assim, mas estou triste, né. Não tem como. Triste e preocupada. Não quero perder nenhum professor, e não quero que ninguém passe perrengue. EU não quero passar pelos perrengues que já passei.

Então eu estava lá, no Facebook, aquele Triângulo das Bermudas, quando vi essa foto e li a legenda que a acompanhava. Fiquei emocionada. Longe de mim dizer que enquanto eu choro por cliente perdido, esse homem agradece a Deus por dobrar roupas de cama. Esse tipo de análise é tão raso que nem vou explicar. Fiquei emocionada porque achei bonito ele rezar por um emprego e conseguir. Fiquei emocionada porque sei que por mais puta velha que a vida seja, ela nos sorri muitas vezes. Mesmo que seja um sorriso tímido, discreto. Melhor esses pequenos sorrisos do que a gargalhada escancarada de escárnio. Então, se eu puder rezar por algo, é por isso: que a vida me sorria sempre. Com sinceridade. Ainda que discretamente algumas vezes.





2 comentários:

Georgia disse...

Você vai me achar uma doida, porque sempre leio, mas nunca comento e logo o meu primeiro comentário é pra dizer que fiquei feliz quando soube que o motivo do dia ter sido ruim foi de trabalho. Fiquei aliviada porque pensei que poderia ser algo relacionado a doença. Bom, boa sorte nos negócios, espero que fique tudo bem!

Patricia Scarpin disse...

Nem conheço a Georgia e ia escrever o que ela comentou. O_O

Força, querida.