Cheguei às 3 e tantas da manhã, meio bebinha, feliz e cansada depois de ter dançado por algumas horas. Tomei meu banho e deitei. Ele estava lá há algum tempo já. Tinha ido dormir antes mesmo d'eu sair. Assim que deitei ele se virou pro meu lado, me abraçou e fez a conchinha em que dormimos todas as noites, há dois anos e meio.
Voltei às 3 da manhã e quando saí da balada, com meu amigo, falei "quero ir embora porque estou cansada, mas também porque estou com saudade do Thiago". Não sei se as pessoas ficam com vontade de vomitar quando falo essas coisas muito fofas de relacionamento, mas meu amigo pareceu levar numa boa. Ele é um fã desse casal Camila e Thiago. Então acho que falar aquilo foi ok. Além disso, eu sou bem reservada no quanto exponho meu relacionamento - tanto a parte boa quanto a parte ruim - então quando eu tropeço e solto uma fofurice acho que é tranquilo.
Nós fazemos coisas separados. Não é um hábito, tipo "vamos combinar que toda semana faremos algo separado". Até porque trabalhamos tanto, quando chega o fim-de-semana o bom mesmo é "ficar no grudado", sabem? Mas sábado passado ele teve um encontro de meninos e Rockband que durou o dia todo, eu tive um almoço de Saint Patrick's day o dia todo, e quando voltamos eu já me arrumei para sair e ir ao aniversário de uma amiga. Acho muito bom fazer coisas só minhas. Acho muito bom ele fazer coisas só dele. Mas acho que sabemos que estamos no caminho certo quando fazemos nossas coisas mas ainda assim sentimos aquele friozinho na barriga em voltar pra casa. Nem que seja pra cair na cama e dormir de conchinha.
É sempre bom voltar pra casa. É sempre bom voltar pra ele!
quinta-feira, 21 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
O caminho do meio
Tem me assustado muito o quanto o mundo anda polarizado. Preto ou branco. Sim ou não. Direita ou esquerda. Amor ou ódio. Outro dia li um tweet de alguém que dizia que estamos esquecendo dos milhares de sentimentos que existem entre o amor e o ódio. Venho pensando nisso há dias.
Eu não sou a favor de radicalismo nenhum. Nem religioso, nem político, nem alimentício, nem de nada mesmo. Eu acho que o radicalismo cega. Mas quem escolhe ser radical escolhe isso, né? Escolhe ser cego e tomar a sua verdade como a verdade absoluta. E não quer nem saber de opiniões contrárias porque quem pensa diferente só pode ser burro.
Fico incomodada com os ativistas pró vegetarianismo que consideram qualquer comedor de carne um assassino cúmplice de crimes. Fico incomodada com o pessoal de esquerda defendendo o PR cegamente e acusando a direita. Fico incomodada com a direita atacando tudo o que o PT faz e só apontando o dedo pra tudo que eles acham que é merda. Fico incomodada com a militância religiosa pró Jesus mas me assusta bastante a ATEA e similares defende do o ateísmo e considerando pessoas de fé como pessoas burras. Fico incomodada com i fato de, em seus radicalismos, não verem que o problema não é a fé, e sim justamente isso: o radicalismo.
Ando bem incomodada com o mundo em geral. Com o fato de hoje em dia ser quase um crime você querer não ser radical. Eu opto sim pelo caminho do meio. Não tenho problema nenhum em me posicionar. Só não quero comprar a ideia de ninguém e ficar cega apenas acusando o mundo ao meu redor.
Seria possível?
Eu não sou a favor de radicalismo nenhum. Nem religioso, nem político, nem alimentício, nem de nada mesmo. Eu acho que o radicalismo cega. Mas quem escolhe ser radical escolhe isso, né? Escolhe ser cego e tomar a sua verdade como a verdade absoluta. E não quer nem saber de opiniões contrárias porque quem pensa diferente só pode ser burro.
Fico incomodada com os ativistas pró vegetarianismo que consideram qualquer comedor de carne um assassino cúmplice de crimes. Fico incomodada com o pessoal de esquerda defendendo o PR cegamente e acusando a direita. Fico incomodada com a direita atacando tudo o que o PT faz e só apontando o dedo pra tudo que eles acham que é merda. Fico incomodada com a militância religiosa pró Jesus mas me assusta bastante a ATEA e similares defende do o ateísmo e considerando pessoas de fé como pessoas burras. Fico incomodada com i fato de, em seus radicalismos, não verem que o problema não é a fé, e sim justamente isso: o radicalismo.
Ando bem incomodada com o mundo em geral. Com o fato de hoje em dia ser quase um crime você querer não ser radical. Eu opto sim pelo caminho do meio. Não tenho problema nenhum em me posicionar. Só não quero comprar a ideia de ninguém e ficar cega apenas acusando o mundo ao meu redor.
Seria possível?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Escova a laser
Numa dessas promoções do Groupon eu comprei uma tal de escova progressiva a laser. O preço normal era mais de 500 reais e, na promoção, ficava em torno de 59 incluindo uma hidratação. Pela descrição, meus fios ficariam como fios de seda fiados por freiras manetas do alto das montanhas sagradas, então comprei. Tenho fios mais lisos, mas tenho muuuitos fios novos, que nascem arrepiados e me dão aquele aspecto de ter uma jubinha quando não estão domados.
Achei aquilo de escova a laser uma inovação, uma maravilha. Pensei que seriam tipo sabres de luz potentes que, ao serem passados em meus cabelos, já os deixariam domados, brilhosos e incríveis. Cheguei ao salão e vi que estava rolando uma linha de produção das progressivas. Ok, afinal, quem não curte uma pechincha? Ainda mais se for para Luke Skywalker das produções capilares passar o sabre de luz (no pun intended) nas minhas madeixas?
Quem me atendeu foi um travesti. Não sei se já comentei aqui, mas tenho a maior simpatia por travestis. Queria ter uma amiga trava mas nenhuma quis ser minha BFF até hoje. Pensei que aquela moça me deixaria incrível e maravilhosa. Até que ela começou a lavar meus cabelos. Lavar não, puxar os fios embaraçados como mãe que quer desembaraçar seus cabelos quando ela está brava com você. DOÍA. Olha, eu lavo meus cabelos diariamente e passo shampoo de duas a três vezes. Eu sei que é possível lavar os cabelos sem sentir dor.
Fomos lá pra cadeirinha e eu ansiosa pensando no holofote laser a que eu seria submetida, quando Rafa e suas mãos tão suaves quanto a de um lenhador começou a passar um produto. Que é basicamente o mesmo produto que passam em mim em escovas tradicionais. Cadê a porra do laser? Pensei "ah, vai ver é só depois de seco, tipo uma chapinha com laser selante (??)". Eis que a fia começa a secar com secador. Puxando como se estivesse puxando cera de depilação, sabem? Aquela força. E encostava o secador pelando no meu couro cabeludo, queimando. Eu tava quase chorando.
E cadê a porra do laser?
Até que perguntei. E descobri que a escova progressiva a laser é APENAS uma escova progressiva normal em que, no final, eles passam um aparelhinho de luz azul nos fios. Sem nem encostar neles. Parece que estão dando passe com uma luz azul. Nada de holofotes, nada de sabre de luz. Nem de Luke Skywalker. E ainda tive meus cabelos puxados.
"Ah, mas você pagou só 59 reais".
Não. Paguei mais 50 porque o produto que eles passam é daqueles de deixar 3 dias nos fios. Não posso com isso, isso faz mal. Aí, pra que eu pudesse lavar os fios quando quisesse, deveria passar um neutralizador, que custava 50 reais.
Fica a lição. Escova a laser é non ecxiste e promoção de progressiva do Groupon é coisa do capeta.
Achei aquilo de escova a laser uma inovação, uma maravilha. Pensei que seriam tipo sabres de luz potentes que, ao serem passados em meus cabelos, já os deixariam domados, brilhosos e incríveis. Cheguei ao salão e vi que estava rolando uma linha de produção das progressivas. Ok, afinal, quem não curte uma pechincha? Ainda mais se for para Luke Skywalker das produções capilares passar o sabre de luz (no pun intended) nas minhas madeixas?
Quem me atendeu foi um travesti. Não sei se já comentei aqui, mas tenho a maior simpatia por travestis. Queria ter uma amiga trava mas nenhuma quis ser minha BFF até hoje. Pensei que aquela moça me deixaria incrível e maravilhosa. Até que ela começou a lavar meus cabelos. Lavar não, puxar os fios embaraçados como mãe que quer desembaraçar seus cabelos quando ela está brava com você. DOÍA. Olha, eu lavo meus cabelos diariamente e passo shampoo de duas a três vezes. Eu sei que é possível lavar os cabelos sem sentir dor.
Fomos lá pra cadeirinha e eu ansiosa pensando no holofote laser a que eu seria submetida, quando Rafa e suas mãos tão suaves quanto a de um lenhador começou a passar um produto. Que é basicamente o mesmo produto que passam em mim em escovas tradicionais. Cadê a porra do laser? Pensei "ah, vai ver é só depois de seco, tipo uma chapinha com laser selante (??)". Eis que a fia começa a secar com secador. Puxando como se estivesse puxando cera de depilação, sabem? Aquela força. E encostava o secador pelando no meu couro cabeludo, queimando. Eu tava quase chorando.
E cadê a porra do laser?
Até que perguntei. E descobri que a escova progressiva a laser é APENAS uma escova progressiva normal em que, no final, eles passam um aparelhinho de luz azul nos fios. Sem nem encostar neles. Parece que estão dando passe com uma luz azul. Nada de holofotes, nada de sabre de luz. Nem de Luke Skywalker. E ainda tive meus cabelos puxados.
"Ah, mas você pagou só 59 reais".
Não. Paguei mais 50 porque o produto que eles passam é daqueles de deixar 3 dias nos fios. Não posso com isso, isso faz mal. Aí, pra que eu pudesse lavar os fios quando quisesse, deveria passar um neutralizador, que custava 50 reais.
Fica a lição. Escova a laser é non ecxiste e promoção de progressiva do Groupon é coisa do capeta.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
O tal do hormônio
Fevereiro foi um mês incrível. Logo no primeiro dia meu endocrinologista viu a última leva de milhares de sangue que fiz pós cirurgia e ouvi as palavras mais belas que eu poderia ouvir de um endocrinologista: "seus exames estão ótimos, seu TSH está baixo e por esse outro resultado aqui posso concluir que não há resquícios de células tireoidianas no seu organismo. Vamos aumentar a dosagem do hormônio pela última vez".
O TSH é o hormônio que estimula a tireoide. Quando ele está alto é sinal de hipotireoidismo, aquela doença em que você acumula líquidos, incha, sente muito sono e muito cansaço. É o que eu tinha. E por esses sintomas foi que eu procurei o médico, e por causa dessa ida ao médico foi que descobri o câncer. Esse tipo de Voldemort não dá sintomas. Eu podia não ter descoberto ele por anos. Foi por causa dos sintomas do hipotireoidismo que, indiretamente, eu descobri o que tinha que descobrir. Er... Obrigada, herança genética de hipo?
Agora que não tenho mais tireoide, tenho que tomar hormônio sintético todos os dias pro resto da vida. Tive sorte de chegarmos à dosagem quase certa em cerca de um mês e meio. Até chegar a essa dosagem eu estava bem lerda. É um cansaço que te dá e você não sabe de onde vem, só sabe que seu corpo não reage mesmo que você queira levantar do sofá e agitar todas.
Em fevereiro, com a dosagem certa de hormônio, foi que eu percebi há quanto tempo eu estava mole, lerda e não sendo eu mesma em algumas coisas. No ano passado eu passei por muita coisa ruim, mas havia um algo a mais ali, uma indisposição constante, um desânimo constante, que eu não entendia. Seria início de depressão? Não sabia.
Muito era tristeza mesmo. Mas havia uma boa parcela de problemas físicos mesmo. A disposição que tenho agora é algo que eu não tinha há um bom tempo. Não sou uma pessoa agitada "vamos acordar às 7 no domingo e caminhar", mas não sou também aquilo que eu estava no ano passado.
Nunca pensei que fosse tão bom ter a dosagem hormonal certa. Eu volto a me reconhecer em mim mesma. Sinto que volto a ser quem eu não era há algum tempo e eu sentia falta desse eu. Por isso, crianças, cuidem bem de suas tireoides. Vocês não imaginam o quanto o bom funcionamento delas é importante. :)
O TSH é o hormônio que estimula a tireoide. Quando ele está alto é sinal de hipotireoidismo, aquela doença em que você acumula líquidos, incha, sente muito sono e muito cansaço. É o que eu tinha. E por esses sintomas foi que eu procurei o médico, e por causa dessa ida ao médico foi que descobri o câncer. Esse tipo de Voldemort não dá sintomas. Eu podia não ter descoberto ele por anos. Foi por causa dos sintomas do hipotireoidismo que, indiretamente, eu descobri o que tinha que descobrir. Er... Obrigada, herança genética de hipo?
Agora que não tenho mais tireoide, tenho que tomar hormônio sintético todos os dias pro resto da vida. Tive sorte de chegarmos à dosagem quase certa em cerca de um mês e meio. Até chegar a essa dosagem eu estava bem lerda. É um cansaço que te dá e você não sabe de onde vem, só sabe que seu corpo não reage mesmo que você queira levantar do sofá e agitar todas.
Em fevereiro, com a dosagem certa de hormônio, foi que eu percebi há quanto tempo eu estava mole, lerda e não sendo eu mesma em algumas coisas. No ano passado eu passei por muita coisa ruim, mas havia um algo a mais ali, uma indisposição constante, um desânimo constante, que eu não entendia. Seria início de depressão? Não sabia.
Muito era tristeza mesmo. Mas havia uma boa parcela de problemas físicos mesmo. A disposição que tenho agora é algo que eu não tinha há um bom tempo. Não sou uma pessoa agitada "vamos acordar às 7 no domingo e caminhar", mas não sou também aquilo que eu estava no ano passado.
Nunca pensei que fosse tão bom ter a dosagem hormonal certa. Eu volto a me reconhecer em mim mesma. Sinto que volto a ser quem eu não era há algum tempo e eu sentia falta desse eu. Por isso, crianças, cuidem bem de suas tireoides. Vocês não imaginam o quanto o bom funcionamento delas é importante. :)
domingo, 27 de janeiro de 2013
Fotonovela: um dia paulistano
Sexta-feira, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Um dia lindo lá fora, mas a preguiça aqui dentro de mim era grande. Amo muito ficar em casa, mesmo quando tenho que limpar, lavar e etc - coisas que tive que fazer no feriado. Meu marido começou a ficar igual criança impaciente que quer ir pro playground. "O dia está lindo, vamos dar uma volta!". Aproveitando que eu estava num dia hormonalmente funcional (por causa da tireoidectomia e reposição hormonal eu tenho me sentido muito cansada e indisposta), decidimos ir pra Liberdade.
Logo na saída do metrô do bairro tradicionalmente oriental, índios bolivianos davam um show. Um chinês muito fora da casinha estava alucinado cantando e dançando. Não sei o que estava melhor: o show dos índios ou o show do chinês.
Hum... O melhor mesmo era esse menininho aqui ó:
Catem esse estilão! Ele era lindo e muito fofo. Até quando a mãe dele arrumava sua fantasia ou cabelo ele conseguia ser muito fofo.
Ele até encantou uma moça que acabou ficando toda torta pra tirar foto dele.
Eu tenho uma memória fotográfica insuportavelmente boa. Quando estava postando essas fotos no Facebook, vi que essa moça aí é uma conhecida moça de Twitter/redes sociais/internet. Fui ao Instagram dela (ela é bem conhecida) e pá! - lá estava a foto que ela tirou do menino lindo. Contei a ela que eu tinha essa foto, ela pediu para ver e postou-a na página dela. Coincidências dessa cidade que é enorme mas que às vezes parece um ovo. No meio da multidão e de um monte de lugares para ir e ver, você acaba vendo um rosto conhecido da internet. Ou conhecido de conhecido mesmo - já aconteceu comigo muitas vezes.
Depois de ver o show, fotografar o pequeno artista (e os grandes também) e de dar uma colaboração monetária para que eles continuem a tocar músicas típicas e não Celine Dion na Praça da Sé, ficamos com fome e procuramos algum restaurante aberto. Thiago queria me levar num lugar chinês com uma sopa de noodles excelente.
Achamos o restaurante. Na fachada, fotos dos pratos. Nome em chinês - nenhuma informação em português. Entramos e perguntei à garçonete, chinesa, qual era o nome do local. "Chinês" - ela respondeu. E só. Fizemos nosso pedido. Sopa de camarão e guioza. Pessoas começaram a chegar ao restaurante e, no fim, éramos os únicos ocidentais. Todos falavam chinês, exceto nós, claro. Todos começaram a ser servidos antes de nós. Eu e Thiago absolutamente hipnotizados por tudo ao nosso redor, nem ligamos para o fato dos nossos pratos demorarem mais. Estávamos nos sentindo turistas e estrangeiros, estando em nossa cidade.
E lá estávamos nós, num restaurante sem nome em português, cercados por imigrantes chineses que eram servidos bem antes que nós. A garçonete não entendia muito bem o que falávamos. Os pratos das outras mesas eram bem mais vistosos. Mesmo assim, comemos o melhor guioza da nossa vida. E a sopa de camarão estava deliciosa!
Restaurante chinês, com cardápio em chinês, rodeada por chineses, no meio de São Paulo. Podem falar o que for dessa cidade, e provavelmente tudo o que falarem de mal é verdade. É feia, é cinza, é caótica, é cansativa. Mas é acolhedora. É aqui que essa colônia chinesa consegue não só viver mas preservar, de certa maneira, sua cultura. E é assim com várias culturas. E milhares, milhões de pessoas de outros estados.
São Paulo acolhe sim. E nem é só pelo trabalho. É uma bagunça tão grande, um caos tão grande, que no final ela só fala "vem, gente, cabe mais um, a gente dá um jeito". E assim, a cidade que acolhe a todos cresce de maneira desorganizada, parecendo mesmo um cortiço daqueles da Mooca, onde é aquela zona enorme (meus avós moraram em um cortiço - foi lá que se conheceram - então eu tenho histórias sobre a bagunça toda!), com tudo misturado, com famílias misturadas, sem planejamento algum - mas onde as pessoas se ajudam de certa forma.
No fim, sempre lembro do Anthony Bourdain num episódio que gravou aqui na cidade. Ele começa dizendo que, à primeira vista, tinha odiado aqui. Tudo cinza, tudo concreto. Aí conheceu as pessoas, e os lugares, e levarem ele pra comer aquele sanduíche, aquele espetinho, tomar aquela cerveja, comer aquela feijoada. Com gente legal, que abre a casa, que faz caipirinha. No final, ele estava apaixonado por São Paulo.
Eu amo minha cidade sim. É onde nasci, cresci, onde posso fazer várias coisas e onde, sem luxos, eu vivo bem. Odeio com todas as minhas forças a especulação imobiliária alucinada que faz com que cobrem 5000 de aluguel num apartamento de 3 quartos e menos de 100m², odeio todo o caos dos transportes públicos, odeio o trânsito e o fato de tudo virar um inferno quando caem 5 pingos de chuva. Ainda assim, foi essa cidade que acolheu meus bisavós quando vieram da Itália. Foi aqui que meu avô conseguiu construir uma casa pros 4 filhos. Aqui foi onde minha família toda cresceu, sempre viveu. Foi essa a cidade que acolheu meu marido tão bem.
Sim, não tenho como não amar São Paulo.
Logo na saída do metrô do bairro tradicionalmente oriental, índios bolivianos davam um show. Um chinês muito fora da casinha estava alucinado cantando e dançando. Não sei o que estava melhor: o show dos índios ou o show do chinês.
Hum... O melhor mesmo era esse menininho aqui ó:
Catem esse estilão! Ele era lindo e muito fofo. Até quando a mãe dele arrumava sua fantasia ou cabelo ele conseguia ser muito fofo.
Ele até encantou uma moça que acabou ficando toda torta pra tirar foto dele.
Eu tenho uma memória fotográfica insuportavelmente boa. Quando estava postando essas fotos no Facebook, vi que essa moça aí é uma conhecida moça de Twitter/redes sociais/internet. Fui ao Instagram dela (ela é bem conhecida) e pá! - lá estava a foto que ela tirou do menino lindo. Contei a ela que eu tinha essa foto, ela pediu para ver e postou-a na página dela. Coincidências dessa cidade que é enorme mas que às vezes parece um ovo. No meio da multidão e de um monte de lugares para ir e ver, você acaba vendo um rosto conhecido da internet. Ou conhecido de conhecido mesmo - já aconteceu comigo muitas vezes.
Depois de ver o show, fotografar o pequeno artista (e os grandes também) e de dar uma colaboração monetária para que eles continuem a tocar músicas típicas e não Celine Dion na Praça da Sé, ficamos com fome e procuramos algum restaurante aberto. Thiago queria me levar num lugar chinês com uma sopa de noodles excelente.
Achamos o restaurante. Na fachada, fotos dos pratos. Nome em chinês - nenhuma informação em português. Entramos e perguntei à garçonete, chinesa, qual era o nome do local. "Chinês" - ela respondeu. E só. Fizemos nosso pedido. Sopa de camarão e guioza. Pessoas começaram a chegar ao restaurante e, no fim, éramos os únicos ocidentais. Todos falavam chinês, exceto nós, claro. Todos começaram a ser servidos antes de nós. Eu e Thiago absolutamente hipnotizados por tudo ao nosso redor, nem ligamos para o fato dos nossos pratos demorarem mais. Estávamos nos sentindo turistas e estrangeiros, estando em nossa cidade.
E lá estávamos nós, num restaurante sem nome em português, cercados por imigrantes chineses que eram servidos bem antes que nós. A garçonete não entendia muito bem o que falávamos. Os pratos das outras mesas eram bem mais vistosos. Mesmo assim, comemos o melhor guioza da nossa vida. E a sopa de camarão estava deliciosa!
Restaurante chinês, com cardápio em chinês, rodeada por chineses, no meio de São Paulo. Podem falar o que for dessa cidade, e provavelmente tudo o que falarem de mal é verdade. É feia, é cinza, é caótica, é cansativa. Mas é acolhedora. É aqui que essa colônia chinesa consegue não só viver mas preservar, de certa maneira, sua cultura. E é assim com várias culturas. E milhares, milhões de pessoas de outros estados.
São Paulo acolhe sim. E nem é só pelo trabalho. É uma bagunça tão grande, um caos tão grande, que no final ela só fala "vem, gente, cabe mais um, a gente dá um jeito". E assim, a cidade que acolhe a todos cresce de maneira desorganizada, parecendo mesmo um cortiço daqueles da Mooca, onde é aquela zona enorme (meus avós moraram em um cortiço - foi lá que se conheceram - então eu tenho histórias sobre a bagunça toda!), com tudo misturado, com famílias misturadas, sem planejamento algum - mas onde as pessoas se ajudam de certa forma.
No fim, sempre lembro do Anthony Bourdain num episódio que gravou aqui na cidade. Ele começa dizendo que, à primeira vista, tinha odiado aqui. Tudo cinza, tudo concreto. Aí conheceu as pessoas, e os lugares, e levarem ele pra comer aquele sanduíche, aquele espetinho, tomar aquela cerveja, comer aquela feijoada. Com gente legal, que abre a casa, que faz caipirinha. No final, ele estava apaixonado por São Paulo.
Eu amo minha cidade sim. É onde nasci, cresci, onde posso fazer várias coisas e onde, sem luxos, eu vivo bem. Odeio com todas as minhas forças a especulação imobiliária alucinada que faz com que cobrem 5000 de aluguel num apartamento de 3 quartos e menos de 100m², odeio todo o caos dos transportes públicos, odeio o trânsito e o fato de tudo virar um inferno quando caem 5 pingos de chuva. Ainda assim, foi essa cidade que acolheu meus bisavós quando vieram da Itália. Foi aqui que meu avô conseguiu construir uma casa pros 4 filhos. Aqui foi onde minha família toda cresceu, sempre viveu. Foi essa a cidade que acolheu meu marido tão bem.
Sim, não tenho como não amar São Paulo.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
True Story
Coloquei isso hoje no Facebook:
Por tudo que é mais sagrado pra vocês, parem de compartilhar fotos de animais que sofreram maus tratos. Apareceu aqui uma sequência de fotos de um gatinho que me fez chorar de desespero. Compartilhar foto de agressores mostrando o que fizeram é dar moral pros caras e fazer gente que tem coração passar mal.
Encaminhem fotos pra delegacia de proteção aos animais. Isso sim é fazer algo que preste.
E não é?
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Update do post anterior
Anônimo que comentou que lê meu blog e gosta, obrigada!!!! Eu entendi seu comentário, não achei sua pergunta sacanagem não. Mas acho que pra você não apareceu a imagem. Aquele parágrafo era referente a uma imagem! Sem a imagem fica estranho mesmo. :)
Dani, eu e ele nem temos mais contato, duvido que ele saiba direito o que é blog e ele nem sobha que eu tenho um. :)
Dani, eu e ele nem temos mais contato, duvido que ele saiba direito o que é blog e ele nem sobha que eu tenho um. :)
Sunday secrets on Tuesday
Só que eu imagino que é o Anthony Bourdain. Porque Bourdain é amor e sarcasmo, sem gritaria. E aí acho que Tony, além de elogiar minha comida, vai sentar-se à mesa, curtir a refeição enquanto trocamos figurinhas sobre a vida, sobre os lugares que ele visitou, e aí ele riria das coisas que meu marido conta. No final ficaríamos embriagados e ele diria que somos os melhores amigos dele. Da vida. Toda.
Preparem-se para a loucura. É assim. Meu melhor amigo de infância é meu meio irmão. Mas quando éramos amigos, não sabíamos que éramos irmãos. Mas nos tratávamos como irmãos, de verdade, de tão amigos que éramos. Eu só soube disso depois de adulta. Eu ainda não sei o que ele sabe, mas não sei o quanto ele sabe e nem se ele sabe que eu sei. E depois as pessoas acham que eu exagero quando eu digo que minha vida daria um filme do Almodóvar. Sim, o que contei aqui é real.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
34
Leio no Facebook as primeiras mensagens de "Feliz aniversário" e a mensagem privada perguntando onde vai ser a comemoração e me pergunto: "como cheguei aos 34 tão depressa?". Não sei. Só sei que esses 34 voaram. Eu pisquei e estava com 30, pisquei de novo e cá estou. Lembro-me de ter brincado muito aos 24 dizendo "daqui um ano terei um quarto de século". Daqui um ano terei 10 anos a mais que um quaro de século. Só não calculo a relação entre 100 e 35 porque bem, sou professora de inglês, se manjasse de matemática estaria sendo uma engenheira ou coisa assim. (desculpinha)
O pior dos 34 não é a disposição cada vez menor, a paciência cada vez menor, a maturidade, as rugas mais evidentes, vasinhos nas pernas mais estourados e os peitos mais caídos. O pior dos 34 é sentir-se com 29. Não me sinto com essa idade toda. Minha referência de 34 anos é mulher já estável na vida e com filhos. Que estabilidade uma professora particular tem? Filhos só daqui 2 anos no mínimo por causa do câncer. Nem que eu queira agora posso engravidar.
Minha mãe com a minha idade já era minha mãe há 11 anos. E já tinha o meu irmão há um ano. Eu me lembro claramente da minha mãe com a minha idade. Ela era uma mulher. Com responsabilidades enormes, gigantescas. Ela não estava fazendo as mesmas brincadeiras que fazia aos 25. Não estava pensando em sair pra dançar com o marido e amigas no fim-de-semana. Eu estou pensando nisso. Penso também que precisarei dormir à tarde no sábado para aguentar ir até de madrugada, mas isso é nada.
A impressão que tenho é que como estamos vivendo mais, estamos deixando pra envelhecer depois. Mentalmente, eu digo. Porque fisicamente a ladeira está lá, só levando minha carcaça pra baixo. Mas mentalmente eu tô tchutchuca ainda. Sabem? E nem me venham com a ladainha de "idade é coisa de cabeça" e "o que importa é que você aproveite a vida". Preguição.
Então tô aqui, balzaca, sem a menor possibilidade de engravidar agora, ou plantar uma árvore, ou escrever um livro, ou comprar uma casa, todas coisas que todos dizem que enobrecem a alma e nos tornam mais maduros. Sinto-me jovem ainda, jovem ainda. Mas consigo sentir também o peso da idade. Queria ter meus 29 de novo. O frescor dos 29. Com menos rugas e mais chance de poder comer brigadeiro no dia do aniversário sem culpa nenhuma. 29 e a vida que tenho hoje. Não seria nada mal.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O dia em que Almir Sater me ajudou
Duas da manhã e eu acordada. Desde a cirurgia que eu não durmo direito. No dia, por motivos óbvios. Aquele soro dá uma vontade bizarra de fazer xixi, então eu acordava quase de hora em hora pra esvaziar o reservatório. Nos dias seguintes, em casa, dormi mal pois tinha que dormir reclinada, e não deitada. Teve o dia da porcaria do jogo da porcaria do Corinthians (odeio futebol, não sei se ficou claro), em que ceresumanos desprovidos de polegar opositor (só isso explica) começaram a soltar fogos às SEIS DA MANHÃ. Nem eu dormi, nem mais ninguém. Em pleno domingão.
Quando pude, finalmente, dormir deitada, comecei a sentir dores na área da cicatriz. Aí toca levantar, tomar remédio, deitar de novo. Isso sem contar que tenho crises horrorosas de tosse seca, em que não sei se o pior é a tosse ou a dor que a tosse causa. De qualquer maneira, vou tossindo segurando o curativo, aí fico sem ar, aí meu marido acorda e sai correndo pra buscar água pra mim e por aí vai.
Pois bem. Já contei o bastante para vocês entenderem o meu drama.
Essa noite demorei a pegar no sono. Devo ter conseguido dormir mais de 3 da manhã. Às 6, dor. Remédio. Mais uma vez demorei a pegar no sono. Quando finalmente estava naquele sono gostoso e confortável, começa uma música alta pra caralho vinda da vizinha. "Você diz que vai me deixar, que me ama, bla bla bla" - algum sertanejo genérico. Olho o relógio: 8 horas da fucking manhã. Dia útil, eu sei, mas ainda assim, cedo. Penso que vai parar. Não, segue outra música de corno. E outra. E outra. Muitos decibéis de cornitude.
Levanto da cama desgrenhada, andando torta por causa do sono, calço os chinelos e desço, com muita simpatia no olhar e amor no coração. Toco a campainha da vizinha. Explico. Senhora Faxineira da Vizinha, sua música está muito alta, não estamos conseguindo dormir, estou me recuperando de uma cirurgia, ó o curativo aqui ó, tem como abaixar o volume, por toda a gentileza desse mundo que vai acabar?
A moça pede desculpas e diz que vai abaixar o som. Subo, volto pra cama e fico lá esperando a moça fazer o prometido. Ela abaixa tipo um decibel. Começa "eu quero tchuuu, eu quero tchaaaa, eu quero tchu tchu tcha tcha tchu" meu cuuuuuuuuu, não consigo dormir. Penso em descer de novo e chorar, mas talvez fosse uma escolha muito dramática. Fico lá, xingando muito a mulher no meu twitter mental, até que começa a tocar Almir Sater.
Pô, Almir é respeito. Sério, respeito mesmo. Ele fez Pantanal, Ana Raio e Zé Trovão e depois fez aquela novela da Globo em que ele chamava a nêga de "minha prenda". Acho isso muito de gabarito. Comecei a prestar atenção na música. Ó chalana sem querer... Tu aumentas minha dor... Nessas águas tão sereeenas vai levando o meu... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
E foi assim que Almir Sater me fez dormir. Aquela musiquinha suave, conhecida, que não estupra seus ouvidos me fez pegar no sono e dormir até quase 11 da manhã. Obrigada, Almir! Vou fazer um CD seu e dar de presente praquela moça!
Quando pude, finalmente, dormir deitada, comecei a sentir dores na área da cicatriz. Aí toca levantar, tomar remédio, deitar de novo. Isso sem contar que tenho crises horrorosas de tosse seca, em que não sei se o pior é a tosse ou a dor que a tosse causa. De qualquer maneira, vou tossindo segurando o curativo, aí fico sem ar, aí meu marido acorda e sai correndo pra buscar água pra mim e por aí vai.
Pois bem. Já contei o bastante para vocês entenderem o meu drama.
Essa noite demorei a pegar no sono. Devo ter conseguido dormir mais de 3 da manhã. Às 6, dor. Remédio. Mais uma vez demorei a pegar no sono. Quando finalmente estava naquele sono gostoso e confortável, começa uma música alta pra caralho vinda da vizinha. "Você diz que vai me deixar, que me ama, bla bla bla" - algum sertanejo genérico. Olho o relógio: 8 horas da fucking manhã. Dia útil, eu sei, mas ainda assim, cedo. Penso que vai parar. Não, segue outra música de corno. E outra. E outra. Muitos decibéis de cornitude.
Levanto da cama desgrenhada, andando torta por causa do sono, calço os chinelos e desço, com muita simpatia no olhar e amor no coração. Toco a campainha da vizinha. Explico. Senhora Faxineira da Vizinha, sua música está muito alta, não estamos conseguindo dormir, estou me recuperando de uma cirurgia, ó o curativo aqui ó, tem como abaixar o volume, por toda a gentileza desse mundo que vai acabar?
A moça pede desculpas e diz que vai abaixar o som. Subo, volto pra cama e fico lá esperando a moça fazer o prometido. Ela abaixa tipo um decibel. Começa "eu quero tchuuu, eu quero tchaaaa, eu quero tchu tchu tcha tcha tchu" meu cuuuuuuuuu, não consigo dormir. Penso em descer de novo e chorar, mas talvez fosse uma escolha muito dramática. Fico lá, xingando muito a mulher no meu twitter mental, até que começa a tocar Almir Sater.
Pô, Almir é respeito. Sério, respeito mesmo. Ele fez Pantanal, Ana Raio e Zé Trovão e depois fez aquela novela da Globo em que ele chamava a nêga de "minha prenda". Acho isso muito de gabarito. Comecei a prestar atenção na música. Ó chalana sem querer... Tu aumentas minha dor... Nessas águas tão sereeenas vai levando o meu... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
E foi assim que Almir Sater me fez dormir. Aquela musiquinha suave, conhecida, que não estupra seus ouvidos me fez pegar no sono e dormir até quase 11 da manhã. Obrigada, Almir! Vou fazer um CD seu e dar de presente praquela moça!
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