segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bom senso, a gente não vê por aí não. Infelizmente.

Fato 1: No fim-de-semana logo após o Natal as praias do Rio não estavam muito amigáveis. Sábado a água de Ipanema parecia caldo de cana. Domingo a praia do Leblon parecia diarréia marrom. Desculpem, é a única definição que faz juz à realidade. Sábado só caminhamos pela orla. Domingo fomos guerreiros e fomos ao Leblon - obviamente só soubemos da condição da água ao chegar lá. A situação, já calamitosa, se agravava com os comentários do pessoal ao redor. Ouvir que a água está oleosa e que uma criança viu dois toroços de cocô não te encorajam nem a dar uma molhadinha na ponta dos pés. Mas fazia calor. CALOR. E nas praias urbanas não venta. A impressão era de que a pele estava derretendo, juntamente com seu cérebro. Solução: usar o chuveiro coletivo que estava a poucos metros de nós. Solução não é bem a palavra, pois havia fila, e fila só é solução quando me chamarem pruma fila de distribuição de 50 mil reais por pessoa. Não era o caso.

Entrei na fila. Ao lado do chuveiro havia uma comunidade inteira, uns 15 ceresumanos, todos juntos, muitas cadeiras, muitas cangas, muitas crianças barulhentas, muitas tias falando alto com a Creide, que estava na fila. É bonita a vida em comunidade, né? NOT. Cada pessoa que entrava no chuveiro tinha seu banho de água fresca interrompido por uma senhourita da comunidade, que, com o baldinho de prásco que ela pegou do Valciscleison, pegava metade da água que saía. Isso mesmo. Ela colocava o baldinho ACIMA da cabeça das pessoas que estavam no chuveiro, deixando apenas meio fluxo de água pra pessoa. A outra metade era dela. Ela queria se refrescar jogando água no corpitcho. Só que a mulher era GRANDE. Precisava de uma caixa d'água, não do baldinho do Valciscleison. Imaginem quantas vezes ela encheu aquela porra de troço prásco. A resposta é: inúmeras. Depois que a gata dourada estava refrescada, ela empurrava a Gleycianny, pequerrucha de uns 2 anos, para o meio das pernas de quem estivesse no chuveiro. Pelo que entendi, ela só fez isso com pessoas conhecidas dela, o que é menos pior. Mas, ainda assim, BOM SENSO, cadê você, eu vim aqui só pra te ver! Alguém da comunidade reclamou com a senhourita rechonchuda ladra de água dizendo que ela não devia fazer aquilo. Resposta dela: "TEM ÁGUA PRA TODO MUNDO AQUI!

E meu PAVOR dela fazer isso na minha vez? Eu não levo desaforo pra casa e falta de noção alheia me tira MUITO do sério. Eu já estava vendo que ela enfiaria aquele baldinho do capeta em cima de minha cabeça, eu reclamaria, iam me chamar de paulista metida a besta ou de branca azeda eshshshshcrota, todos se voltariam contra mim e eu apanharia da comunidade toda. Porque mexeu com um, mexeu com todos.

Rezei, amigos, rezei pra gatucha parar com aquela encheção de balde. Ela parou. Uma pessoa antes de mim. Respirei aliviada, me refresquei e jurei nunca mais voltar a praia nenhuma sem antes checar a condição das águas.

Fato 2: Revéillon em Copacabana. Sim, eu e meu namorado somos mesmo guerreiros. Na verdade foi meu segundo revéillon em Copa. É bastante tranquilo, nunca vi tumulto algum e se você ficar longe do palco principal não há muvuca. Claro, está tudo cheio, mas é um cheio que não desafia nenhuma lei da Física. Você não divide espaço corporal com outras pessoas. Mas, é claro que isso não significa que você não vá ver gente estranha ou coisas bizarras. Vai sim, certamente. Estamos falando de Copacabana, acima de qualquer coisa. Impossível não haver algo pitoresco por ali, ainda mais em Ano Novo.

Aí que eu adooooro pular 7 ondinhas. Nem ligo que é bobo, nem ligo mesmo. E nem liguei que estávamos em Copa e que, provavelmente, junto com as sete ondas meus pés ficariam agarrados em flores e eu levaria alguma garrafada de Cidra no dedão. Nem liguei, tradição acima de tudo. Estávamos lá, né, preparados pras ondinhas, em meio a gente de sunga, gente entrando de roupa e tudo naquele mar ruim, gente acendendo velas e jogando na água. Iemanjá deve odiar essas pessoas que sujam tudo. Mas enfim, pulamos uma, pulamos duas, ouvimos uma mulher gritando com a outra bem ao nosso lado a seguinte frase:

- TIA, NÃO FEZ XIXI NÃO? POR QUÊ? VAMOS VOLTAR LÁ.

As duas estavam vestidas. As duas entraram na água, até a altura do quadril. A tal da tia agachou n'água naquela posição semi-cócoras-tô-fazendo-xixi e eu e meu namorado olhando estupefatos aquela cena, desesperados porque certeza que na próxima onda viria xixi da véia. Mudamos de lugar, mas a impressão é de que pulei xixi alheio, e não as necessárias 7 ondas. Xixi de roupa na praia de Copacabana. Na frente de todo mundo. É preciso MUITA falta de noção, não é?

9 comentários:

Srta.T disse...

Ai frô, a falta de bom senso tá foda. Cada vez maior, e onde menos se espera.

Precisamos conversar ASAP! Tô doida pra saber suas novidades.

Beijo grande! Um 2010 fodástico procê!

Caroll disse...

kakakakak Adorei os nomes dos "personagens".

Brecho da Pat disse...

kkkk, morri!
Em 1998, fui obrigada pela minhamãe a passar o ano em Copa(leia-se eu não era dona do meu nariz). Q m! Entrei num bar, pedi uma porção de Kibe, veio um mordido(!). Após a meia-noite sentamos eu e meu namorado(hoje marido) num banco, um do lado do outro, tinha um espaço de uns 10 cm entre nós dois. Veio uma traveca e enfiou o bundão entre a gente pra sentar(!) Totalmente bizarro e abissal! Nossa, foi horrrível! A volta pra casa, ri-dí-cu-la, ainda não existia o metrô até Copa. Olha, eu dei Graças a Deus, quando cheguei em casa e jurei a mim mesma q nunca mais voltaria naquela m...Nem que fosse o último pedido da minha mãe. Aí eu fico pensando: essa falta de noção foi há 11 anos atrás, imagina hoje? Cara, vc é corajosa...

Jac. disse...

Não vou mentir que te entendo porque eu nunca cheguei perto de uma praia (infelizmente), mas já passei por situações semelhantes e não fiz nada porque faço o estilo bunda mole (não que nunca tenha tentado mudar, diga-se). E, na boa, se eu tivesse grana te daria um troféu e 50 mil reais pela demonstração de calma. Falta de noção é uó, uó.
BJO

Caco disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA
"tia, não fez xixi, não? por quê?" precisa virar um bordão A-GO-RA.

Nilo Sérgio disse...

Noção, consciência e consideração, né? Leva tempo pra gente perceber - quando percebe - que vivemos em sociedade porque tudo que temos e usufruimos foi trabalhado por alguém. Tudo que fazemos ou falamos - até o que pensamos, diria - também repercute em alguéns. Agora, um bom treino deve ser ano novo em Copacabana, onde tá quase todo mundo ali. É preciso pensar até pra que lado vai dar o passo. Imagina se é hora e lugar de liberar efluentes pessoais? Parabéns pelo bom texto!

Mandy disse...

Nojo. dou graças a deus por morar em Minas e nao passar por esse tipo de perregue! bom senso é raridade nesses tempos modernos, cara moça. é oq eu sempre penso, nao precisa ser bonito, nem rico, nem estudado pra ser educado, basta querer.

Tath disse...

hahahaha

Adorei o post. Fico chocada como tem gente sem noção por aí. Ninguém merece.

Gosto daqui. =)

disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAAH!