terça-feira, 26 de julho de 2011

Bye bye...

Eu ouvi Amy pela primeira vez mais ou menos em maio de 2007. Duas amigas queridas falaram dela pra mim e aí eu ouvi "Rehab". Foi amor à primeira ouvida. Baixei o CD todo e meu amor cresceu. Procurei por vídeos dela no Youtube e me surpreendi com o visual cabelão + delineador e cara de Janice do Friends. Num dos vídeos ela cantava num programa de TV junto com Charlotte Church. Visivelmente bêbada e visivelmente incomodando Charlotte, Amy não estava nem aí. Dançou sem jeito e cantou lindamente. Mesmo trôpega, ela cantava lindamente. Amy me embalou na minha fossa daquele ano. She went back to black with me. Ela me dizia que love is a losing game e eu só falava "Amy, you're so damn right". Amy sofria nas músicas. Amy sofria na vida real. E eu emendei uma fossa com um período trevoso e muito triste na minha vida. Tropegamente eu me recuperei.

Quando conheci meu marido numa viagem, lembro que estávamos indo de carro com uns amigos para algum lugar bonito da Bahia e ele estava dirigindo. No som, um CD que ele havia gravado. Até ali ele era um cara legal que eu havia conhecido. O CD foi avançando e eu vi que ele gostava de algumas músicas que eu gostava também. Ben Harper começou a cantar, eu sorri internamente. De repente veio Amy. E eu sorri. Pra ele. Puxa, você também gosta de Amy! Fazia tempo que eu não conhecia alguém que tivesse a ver comigo. Naquele dia passamos o dia conversando. Alguns dias depois demos o primeiro beijo. O resto, é isso, estamos juntos e felizes até hoje. Acho que ele não sabe que ter ouvido Amy com ele naquele dia acendeu uma luzinha dentro de mim.

Amy piorou. A olhos vistos, na frente de todos, sem pudores. E, nem tão pouco a pouco assim, ela se tornou uma mulher muito doente. Vício é doença. Alcoolismo é doença, vício em drogas também. Eu sempre tive a impressão de que Amy era tão sozinha que não tinha amigos que realmente a ajudassem. Parecia que eram amigos ocasionais e uma família maluca. Diversas vezes morri de pena dela. Via pelos vídeos de shows que os backing vocals seguravam a onda dela e dos shows. Ela parecia uma criancinha. Tão frágil. Fiquei verdadeiramente triste com a morte dela. E mais triste ainda com as besteiras que li a respeito dessa morte. "Vício em drogas é fraqueza moral", "já foi tarde", "nem é surpresa, ela já devia ter morrido muito antes". "Previsível". Triste, né? A mulher sofreu, sofreu e sofreu. E tinha um talento absurdo que devia estar acima de qualquer julgamento imbecil. Mas o que fica pras pessoas que adoram apontar o dedinho podre e se colocar acima do bem e do mal é que ela era fraca e devia ter morrido antes. Amy tinha um talento difícil de se achar hoje em dia. Ela era realmente autêntica.

Amy, no meu coração você será sempre a maluca talentosa pra caralho que viveu tudo aquilo que achou que devia viver até as últimas consequências. Como disse minha amada amiga Lilla, se você cagou no pau o problema é inteiramente seu. Mas seu mérito e seu talento ninguém tira não. Obrigada por todas aquelas músicas sofridas de amor que acalentaram e acalentam meu coração. <3

3 comentários:

Camilla disse...

Poucos entendem que vício é doença. Ótimo texto! Amy deixa saudades.

Tina Lopes disse...

Ei, é você aqui, oi! (adorei o post)

Dan disse...

post foda.