terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tá trânsito, né? Que fila, né?

Acho que eu posso morrer, reencarnar como uma linda borboleta Monarca, viver minha breve vida de borboleta e morrer de novo e, ainda assim, não entenderei todas as nuancas do incrível (not) comportamento humano. No episódio de hoje da série "Exploda mundo sem noção" falaremos de gente que gosta de atestar o óbvio só pelo prazer de abrir o buraco da boca e dela fazer sair sons completamente inúteis para qualquer ser vivente.

Temos como exemplo eu, hoje de manhã. às 6:15, para ser mais exata. Estava frio, escuro e eu nunca sou feliz tão cedo. Tinha que estar às 6:50 na Granja Fucking Viana, aquele bairro belo e distante onde só se chega através da Raposo Fucking Tavares. Eu dou aulas na Granja nesse semestre. Não estou feliz com isso, menos feliz ainda às 6 fucking quinze da manhã.

Pego o coletivo e vislumbro um lugar vazio. No afã de repousar minha bunda nem olhei para o lado para ver quem estava ali, simplesmente sentei-me. Ipod, música alta para acordar e maravilha. Quando vejo que a senhora ao meu lado falava sozinha. Hum, isso requer artilharia mais pesada, isso exige o kit anti ceresumanos completo: óculos escuros e olhos fechados para fingir que está dormindo. Tudo a postos, sinto um cutucão. Dois cutucões. Três. E uma voz à la professora do Charlie Brown. Abri os olhos com cara de simpática (not). Era a véia ao meu lado falando que estava trânsito. E pedindo para eu olhar para o trânsito.

Cara, eu olho para o trânsito todos os dias. Eu pego a Raposo Fucking Tavares diariamente em transporte coletivo. Eu SEI o que é o trânsito pois sinto esse maldito em minha alva pele todos os dias. O que fiz? Não dei atenção. Fechei os olhos de novo. Fui cutucada, DE NOVO. Abri os olhos mais uma vez e, dessa vez, a véia louca estava brava comigo porque eu tinha que olhar. Olhei. Falei com uma voz simpática (not) "Tá trânsito, e daí?". Ela pareceu entender o recado e voltou a falar sozinha. Mais tarde, cutucou a moça que estava em pé e as duas pessoas sentadas à nossa frente só para saber se ali era a Granja Viana.

Não me venham pedir compreensão com gente louca porque olhem, eu não sou obrigada a aturar gente lelé às 6 da manhã de uma terça-feira em que trabalharei DOZE horas. Porque o principal aqui não é que a véia é doida. Ou digna de pena. Ela só é sem noção, sofre desse mal que acomete a humanidade inteira e que só vem piorando, dia-a-dia, vitimizando um número cada vez maior de gentalha.

Jamais entenderei a necessidade das pessoas em falarem o óbvio. Tá fila. Tá chovendo. Tá frio. Tá trânsito. Gentê. Eu estou na mesma merda que vocês, eu estou vivenciando a mesma porcaria de experiência que você nessa fila, nesse trânsito, nesse dia chuvoso. Eu não quero conversar contigo porque eu detesto conversar com estranhos. Então vamos combinar que você cala a sua boca e eu continuo com a minha calada. Olha que fácil.

Em alguns momentos eu dou graças aos céus por eu não ter nenhum poder sobrenatural. Porque eu adoraria, vez em quando, olhar para a cara das pessoas com fogo saindo dos meus olhos. Pra ficar bem clara a mensagem.

6 comentários:

Tina Lopes disse...

"Que fila né? É porque esses bancos demitem muita gente e não tem mais caixa como antigamente". OLHA.

Dri disse...

Gata, isso se chama question tag!
hahahahahahahahahahahahahaha

Srta.T disse...

Chuchuza, acho que você também seria mais feliz com um taser. =D

Fabiane Ariello disse...

Acho que é por isso que existem cada vez mais carros, pra gente não ter que aguentar malas no transporte público. Qual é o problema que essa gente tem com o silêncio, né?

Mel disse...

So true! :)

StellaVasconcelos disse...

conheço muita gente qe se sente assim como você. Faço Pedagogia, e todos os dias escuto uns ou outros reclamando dos alunos.Tem até uma colega minha que passou mal de tanto estresse.