quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Agora sim, 2007 começa

Antes de mais nada, que fique CLARO, CRISTALINO e PURPURINANTE que eu não tenho nada, absolutamente nada contra o Carnaval. Os desfiles de escola de samba, blocos de rua, trios elétricos, bonecos de Olinda e que tais são manifestações genuínas, que não se encontram em nenhuma outra parte desse nosso planetão véio sem portêra. Do mais próximo que cheguei do Carnaval, um show de axé na Praia do Forte na minha viagem à Bahia, posso dizer que me diverti horrores. Dei risada, dancei, pulei e fui feliz como se o Armagedão fosse dali algumas horas e aquele show fosse meu último dia de felicidade. O que, na verdade, até que era - dadas as devidas proporções, mas isso não vem (mesmo) ao caso. O fato é que acho legal quem quer suar em Salvador, beijar duzentas bocas e pegar sapinho, pular no meio da multidão em Recife, nas ruas de Ouro Preto*, nas ruas do Rio Maravilha ou em algum salão de clube em São Paulo. Acho bacana, acho válido, acho que cada um faz o que quer.

O que me revolta profundamente com relação ao Carnaval é o fato de quase não existir vida profissional até o alalaô-mas-que-calor-a-pipa-do-vovô-não-sobe-mais chegar. Pelo menos pra mim, mera prestadora de silviços, janeiro e fevereiro são os piores meses do ano todo, seguidos por dezembro (então é Natal) e julho (férias da petizada. E eu dou aula para adultos. É, não dá pra entender mesmo...). A justificativa para a baixa em procura por aulas nos dois primeiros meses do ano é sempre a mesma: "ah, vou resolver isso depois do Carnaval" ou então "melhor esperar o Carnaval".

GENTÊ, isso não faz sentido algum! Carnaval são quatro, cinco dias de folia. Justifica que a vida pare até esses dias chegarem? Há mesmo a necessidade de toda essa preparação pro isquindô-isquindô (a não ser que você trabalhe em escola de samba ou seja uma das gostosas profisionais que só vivem de desfile na Sapucaí)? E nem digo somente com relação ao meu trabalho: aposto que vocês, 3 leitores, já ouviram muito essa justificativa "só depois do Carnaval". Não entendo MESMO que quatro ou cinco dias de folia gerem toda essa comoção prévia. É a possibilidade de pegação non-stop? Então é pior ainda: o país "inteiro", então, está com uma vidinha sexual tão mais-ou-menos que precisa se preparar antes pros momentos de "segura o tchan, amarre o tchan" carnavalescos. Que segredo tem em pular na rua, ao som de uma música animada, beijar quarenta bocas, quem sabe apalpar partes íntimas, descer na boquinha da garrafa fazendo carinha de quem tá gostando demais e não lembrar no dia seguinte se o Arlequim era Colombina ou se o Pierrot usava macacão ou não? Sério que TUDO precisa parar até isso acontecer?

Claro que há mais motivos: IPVA, excessos financeiros do final de ano, ainda tá pagando a geladeira Brastemp que deu pra "patroa" no Natal, enfim, pode haver mais motivos entre a falta de aulas e o Carnaval do que sonha minha vã filosofia barata. Mas as pessoas culpam o Carnaval. Eu não: eu culpo as pessoas. Não sou a favor de histeria coletiva e acredito menos ainda que a voz do povo seja a voz de Deus. Principalmente porque Carnaval é data pagã e Deus deve bem estar com as barbas de molho pensando se criar esse furdunço que chamamos de Brasil valeu tanto a pena assim.

* Ouro Preto aka Sodoma e Gomorra. Piada interna, minha gente. Piada interna...

2 comentários:

Sabrina disse...

Eu também me canso com essa procrastinação eterna por conta do carnaval. Que saco. Mas agora passou, e o mundo pode finalmente caminhar como deveria! Beijoca, linduxa. E nada de Sodoma e Gomorra, não! :-P

Alice disse...

Sodoma e gomorra é o caralho!
Apenas isso que tenho a dizer. hahaha