terça-feira, 7 de abril de 2015

É um pouco cansativa a vida de educadora. Muita gente me diz que sou educadora na alma mesmo, que é algo tão dentro de mim, arraigado, que já é parte de mim. Eu concordo. Não sei não ser professora. Se eu for te ensinar a fazer alguma coisa, pode ter certeza que eu vou pensar em como fazer isso didaticamente, ainda que eu esteja te ensinando a cozinhar um ovo.

E essa vida é cansativa porque eu enxergo o mundo através dos olhos de uma educadora, e não de uma mulher de negócios. Eu sou as duas coisas, e tento ser as duas coisas da melhor maneira possível, mas eu sei que sou mais professora. Não adianta negar.

Quando você é uma pessoa de negócios você vai levar contratos cartesianamente, e quem não cumprir é errado. E é isso mesmo, não cumpriu, é errado. Mas eu não consigo chegar pra pessoa batendo o meu pau imaginário na mesa e falando "está no contrato, se não quiser cumprir você será acionado judicialmente". Não consigo fazer isso, mas devia ter os colhões de fazer. Porque no fim, as pessoas são abusadas mesmo. Tudo pensam em "jeitinho", em "pena", em "ah, mas eu não sabia", quando a coisa é realmente simples: leia o contrato antes de assinar.

Estou com um perrengão de trabalho por conta de uma mãe que mimou demais a filha, e agora a filha quer parar as aulas, e a mãe não quer pagar a multa de contrato - que é apenas pagar 50% da mensalidade do mês, nada de mais. A mulher já reclamou, já esperneou, e eu lá argumentando que está no contrato, explicando a cláusula, explicando mo motivo da multa - ou seja, sendo professora. Ela está há algumas horas sem reclamar, mas sei que isso me dará um trabalho enorme ainda.

Passei o dia inteiro nesse duelo entre a mulher de negócios (que tem que receber sua multa) e a professora (que entende que às vezes o aluno não gosta do professor e ponto final). É realmente cansativa a vida de educadora.

Um comentário:

dionete bugyi-zande disse...

fui professora de inglês durante doze anos e concordo totalmente com vc. mesmo que vc queira ensinar/explicar, as pessoas entendem o que querem entender - como no caso dessa mãe.

a vida de educadora não é para os fracos - more power to you ;)