segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Muito auto-orgulho nessa vida

Eu não me importo que você se ache: não me diz respeito se você se considera a última fatia crocante de bacon do cheesebacon salad do Joakin's. That's ok, hon. Porque se você se considera assim, tão importante, isso é problema seu, não meu. Quem tem grandes problemas de auto-afirmação é você e não eu, e quem vai gastar dinheiro com alguma terapeuta que vai culpar a sua infância é você, e não eu. Mas eu me importo quando essa atitude de "se achar" ultrapassa o limite do aceitável, ao menos do que EU considero como aceitável. E, vejam bem, eu pareço ser intolerante - e o sou. Mas eu costumo ter uma paciência com o alheio que muitas vezes nem eu acredito que eu tenha, e uma compreensão geral com a situaçã do alheio que nem eu mesma consigo entender - costumo culpar minha criação religiosa (sim, babies, cresci num ambiente absurdamente religioso) e o fato de ter como mãe a personificação de Madre Teresa (embora ela seja Madre Teresa com os outros humanos, e não muito comigo, mas né, isso nem vem ao caso e provavelmente nunca virá).

O fato é que eu tenho paciência, embora diga que não. E eu me irrito sim com mais da metade da população mundial, mas sou um poço te ternurinha muitas vezes. Ternurinha que vai embora correndo quando eu começo a conversar com uma dessas pessoas que se acham e tem orgulho em ficar contando vantagem. Mas, pior que contar vantagem, é aquele tipo de pessoa que desfaz do que você faz pra se sentir melhor. Nas duas últimas semanas topei com dois tipos assim. No primeiro caso eu não podia e nem posso responder nada, até porque a pessoa é dessas que vai gastar muito dinheiro à toa em terapia algum dia. Aí eu sinto uma certa empatia pela pessoa, porque, afinal, terapeutas custam caro. E a supracitada não se achou pro meu lado, então tudo bem. Desde que eu não seja alvo de seus problemas internos, não me incomodo que você me diga a cada cinco minutos que é top 10, que é muito importante, que tem certos privilégios que outros não têm e que você é top 10, mais uma vez, em um looping que chega a ser divertido depois que você se acostuma com ele. Mais um pouco e eu ia perguntar se top 10s fazem cocô fedido como os que não são top 10, porque, afinal, se você é tão 10 assim seus excrementos devem seguir seu exemplo - nada de odores desagradáveis, apenas o mais puro aroma de lavanda.

Problema é, às 7 e meia da matina, numa conversa completamente burocrática (como foi o feriado, foi bom, viajei, fiquei por aqui, descansei, legal, lembranças aos seus) com uma das professoras de espanhol daqui, ouvir que os alunos dela não faltam. Que lindeza de Deus, os meus faltam, aqueles danadinhos. E aí eu ouço a continuação da frase, a explicação para que os alunos não faltem: eles adoram a aula dela. Adoram ela. "Nossa, sabe, não sei se é a minha aula, se sou eu, se é o fato d'eu cobrar de maneira carinhosa, mas eles sempre vêm. Tem um aluno que gosta tanto de mim que vem pra cá só pra ter aula comigo, isso porque ele podia ter aula na filial". UAU, hein, gatzinha. É muito "teaching mojo" pruma pessoa só. Preciso de um pouco desse mel, será que sua mamãe te passou o talquinho-da-didática quando você era bebê? As pessoas dizem coisas assim como se fossem inocentes. Como se estivessem apenas falando delas. Mas não estão. Há sempre maldade por trás, sempre. Porque quando você faz uma colocação dessas, tão auto-fervorosa, depois que sua coleguinha de trampo, na esperança de não ser obrigada a falar sobre o tempo, fala que alguns de seus alunos faltam; você está sendo maldosa sim.

Tirando a minha cara de "foda-se" enquanto ouvia as maravilhas das aulas dessa pessoa, eu um pouco decepcionada comigo. Eu costumo ter respostas na ponta da língua e costumo conseguir usar a ironia ao meu favor. Dessa vez eu só escutei e fiquei quieta. Só respondi "nossa, que bom". Ontem um amigo meu, que me conhece muito bem, disse que acha que eu ando fechada demais. Maybe. Possibly. E isso é bom, até. Só não é bom quando você fica com cara de tacho depois que a pessoa que te falou uma imbecilidade sai da sala. Eu me incomodo mais com o meu silêncio do que com o que a pessoa me falou. E, na boa, eu acho um saaaaaaco esse tipo de disputa de "quem dá uma aula melhor". Melkoo de azul. Faça muito bem o seu trabalho, tchutchuca, que ele será reconhecido sem que você precise dizer que o que você faz é esplendoroso e sem precisar se auto-afirmar de maneira tão 5ª série pra cima de moi, alguém que, além de intolerante com ceresumanos, é bastante mal-humorada com esse tipo de atitude.

6 comentários:

gi disse...

Você é ótima. Mas você é melhor ainda quando é má. :)

Feliz teu dia, amorinha.

Beijos!

Marie disse...

melkoo de azul é tudo!!!!
vou passar para frente pode ter certeza...
esse tipo de pessoa merece dózinha da gente...
boa semana!

Renata disse...

feliz dia dos professores!

fico extremamente envergonhada por essas pessoas que acham que dão uma aula melhor do que qualquer pessoa e fazem questão de dizer. não sei nem onde enfiar minha cara...

mas nunca falo nada.

Felipe Lobo disse...

É perfeitamente perfeito o seu texto. God, será que as pessoas são tão trolhas, mesquinhas e pequenas de fazerem isso com alegria?
Se meu trabalho tem uma mediocridade irritante, tem esse ponto positivo: não ouço muito as pessoas "se crescendo" sobre os outros.

Seu texto está fodíssimo. No bom sentido, claro (question: existe ruim?)

bjo!

Chu disse...

- Gi, você me achou má? :-O Eu sou um poço de CANDURA! Sodadz, xuruminha.

- Marie, a autoria é de uma amiga minha. Aí costumamos acrescentar coisas à expressão. Tipo: melkoo de azul na Avenida Paulista dançando um mambo. Boa semana pra vc também!

- Renata, pra você também!! Você ganhou presentes? Eu não ganhei nenhunzinho. Acho que vou comprar algum sapato amanhã pra ME presentear pelo meu dia, viu.

- Felipe, SIM, as pessoas são trolhas, mesquinhas e imbecis. Eu já não tenho mais esperanças na humanidade. E obrigada pelo elogio!

Srta.T disse...

Heibe, me senti exatamente como você hoje... e infleizmente, não dei a resposta que a nega (ou melhor, japa) merecia ouvir. Mas tô no agurado d eoutra chancha, ahahaha.

Vai no festival de cinema esse fim de semana?
Bitoca!