quarta-feira, 19 de setembro de 2007

My story about Love Story

Há umas duas semanas eu saí com dois amigos que trabalharam comigo na escola. Começamos a noite num bar no meu bairro, de lá fomos ao O' Malley's e encerramos a conta e passamos a régua na famigerada Love Story. O' Malley's, para quem não é de São Paulo ou então viveu nessa cidade, porém numa bolha nos últimos 10 anos, é um pub irlandês bem conhecido por servir Guinness, ter muitos gringos perdidos sedentos por um ambiente onde possam falar mais que "uma ceveja, pourrr favouuur", ter pessoas diversas (as in bizarras) e bandinhas que tocam suuu-ces-sos. Love Story, para quem não é de São Paulo ou então viveu nessa cidade, porém freqüentando igrejas e conventos, é uma pré casa de tolerância. Pense que lá não há quartos para as moças da vida venderem seu amor por algumas horas (essa frase ficou tão sutil que chego a orgulhar-me de mim mesma, haha); mas há uma pista de dança enorme, com alguns ambientes e palcos com mastros (ui) para as mesmas moças da vida poderem fazer suas dancinhas sensuais e seu pole dance de cada dia e, quem sabe, sair de lá com algum programinha garantido. Dizem por aí que o som de lá é muito bom, melhor do que em muita buatchy da cidade. Dizem por aí que é um ambiente até legal, muito interessante e mais light que puteiros. Por "dizem por aí" vocês entendam "meu amigo dinamarquês e freqüentador me disse".

Pra quem já foi em puteiro na Augusta acompanhada do ex, tomou drinks e viu show de strip, boate no Centro é café pequeno. Além disso, eu sou muito curiosa e gosto de conhecer coisas diferentes, não importando se o diferente é bizarro ou exótico. E lá fui eu e meus dois amigos, que prometeram me "proteger" caso algum rapazola mais afoito quisesse tocar em minhas partes. Chegamos lá umas 2:30 e o lugar estava apinhado. Apinhado de gente feia. Eu gosto de tipos variados e acho o máximo ambientes onde as pessoas são diferentes entre si ou simplesmente diferentes. Não era o caso ali: vi um monte de gente que eu posso ver diariamente no ônibus às 6 da manhã, no Largo 13 ou da Batata e no Vale do Anhangabaú. A diferença é que ali o pessoal estava arrumado pra baladzinha, ou seja, um perfume tosco pairava no ar, a quantidade de gel no cabelo, colares de côco, calças jeans de popozuda, pílsins e pancinhas de fora eram o padrão. The horror, the horror.

Eu sou da filosofia de que se você está no inferno, pode e deve abraçar o capeta. Talvez eu tenha ido no meu dia errado, talvez eu devesse ter voltado pra casa logo que entrei no ambiente e aquela música tuts tuts insana quase estourou meus tímpanos. Eu não gosto de dance music e pra eu achar graça nisso tenho que estar no nirvana do meu bom humor, bondade e bem-querer com a vida. Não era o caso. O ambiente lotadíssimo, os caras uó, as meninas dançando nos palcos e tendo que escolher entre o menos pior para lhes passar a mão na buzanfa não foi algo exatamente divertido. Quem sabe se eu voltar lá uma outra vez, preferencialmente na próxima encarnação, eu consiga me divertir. Continuo achando que o puteiro foi muito mais roots e divertido (porque levar um casal de australianos e um mexicano num puteiro na Augusta tem muita graça, viu zentzie). Só sei que toda aquela música, aquelas pessoas, aquele lugar, o sofá vermelho de plástico grudento, as creiças se beijando pra atrair os hômi, tudo isso só me preparou para que eu ficasse bastante irritada quando, ao cruzar a multidão cheirosa, eu tivesse minhas partes pudentas apertadas algumas vezes. Foi fom-fom nos peitos e fom-fom na bunda, numa sinfonia coroada por "que zoooolhos*, hein gatinha". Pensem em corredor polonês. Agora pensem em creiços nesse corredor, passando a mão em todo ser portador de seios e vagina (fina, mais uma vez). Poi zé: era isso.

Sábado passado saí com meu amigo dinamarquês, que sempre disse que ia me levar a essa Sodoma e Gomorra do mau gosto. Contei que finalmente havia conhecido o Love Story e que só voltaria lá em outra encarnação ou pra levar algum amigo gringo que eu amasse muito - porque só por amor, viu, minha gente. E aí meu amigo ficou meio indignado me achando fresca. Disse que eu não devia estar no clima e que uns fom-fons na bunda não traumatizam ninguém. Ah, meu, péra lá. Lembre-se de suas bolas dinamarquesas e pense se você ia gostar de passar por um local onde pessoas fizessem um fom-fonzão ali sem você nem pedir. Pense se você ia curtir uns bafos fedidos no seu cangote importado. Eu fui lá porque quis e por curiosidade, agora posso dizer com propriedade que aquilo ali é uó. E eu não acho que meus peitos e minha bunda fiquem traumatizados com apertões, mas eu tenho o péssimo hábito de escolher bem o fazedor de fom-fom. Vê lá se eu sou desfrutável pra achar graça em creiços apertando minha bunda. Era só o que me faltava.



* "que zolhos" é uma frase que marca minha vida. Toda vez que passo por uma construção ou algum lugar digamos assim, mais popular, essa é a frase que eu ouço. Porque eu tenho olhos verdes e aí os moços querem elogiar. Essa frase já ficou tão famosa que eu tenho até uma amiga que me cumprimenta assim no msn: "oi gata. ki zolioooos!!!11". Acho digno. Miru, te dedico!

6 comentários:

Margot disse...

HAHAHAHAHAH

esse texto devia virar freela pra qualquer guia de badadas.

:****

Lorde David disse...

Que "programa", hein! Hehehe. Texto muito divertido.

Alê disse...

Fia, e os dois marmanjos que disseram que iam te proteger? Onde estavam na hora dos fom-fons?
Ainda bem que sempre recusei os convites pra conhecer o Love Story. Ufa!
Beijo.

Amber F. disse...

Uma vez tentei entrar no Love Story, mas o fato de ser quase 6 da manhã e cobrarem 60 pilas (dos machos, claro) pra pisar no solo interno desanimou. Depois desse texto, jamais cogitarei tal idéia again.

By the way, você dá aulas particulares para um aluno só? Preciso voltar a estudar inglês, mas não ando sem paciência para homework e tests, entende?

Radagast disse...

Um pequeno apontamento de São Paulo, não muito apelativo mas divertido e expressivo :-)

Roberto disse...

Ontem me recomendaron muito o Love Story (uma garota estrangeira), teve sorte de Google-pesquizar antes de acreditar ajoelhado...