terça-feira, 17 de julho de 2007

Carta

O.,

Acabei de voltar do supermercado, fui comprar mel pra minha garganta e guloseimas. Tentei abrir o vidro de mel, essa é a urgência do dia. Não consegui, abri o pote de Farinha Láctea e comi uma tigela de mingau, sabor de infância. Mas é do mel que preciso, pra melhorar minha garganta, que está mal desde sexta passada, sendo que de ontem pra hoje piorou. Você foi embora pra terra gelada e me deixou com a sua dor de garganta do fim-de-semana. Eu poderia fazer mil interpretações a esse respeito, sabe. Que é sintomatização de algo que eu devia ter falado e todo aquele bla bla bla psicológico, que na verdade, é lógico que faz sentido.

Aluguei "Hotel Ruanda", que você me falou pra não alugar enquanto eu não estiver 100%, senão vou chorar até desidratar. Quanta teimosia, tenho certeza que vou assistir hoje e chorar rios, mas talvez seja bom, alivia. Alivia tudo o que está aqui dentro, guardado. Eu ainda não me acostumei a não falar com você. É por isso que estou te escrevendo, ainda que eu não vá te mandar isso. Escrever alivia. Além do mais, mais cedo ou mais tarde você vai entrar aqui e ler. Desde janeiro, nunca ficamos tanto tempo sem nos falarmos, mesmo quando estávamos meio brigados. Sempre havia o MSN e o status ausente e a certeza de que um dos dois estava lá. E você está viajando e aproveitando muito, o que é ótimo. Eu nem devia estar assim, com tanta saudade. Talvez esse tempo sem nos falarmos seja um treino pra quando você for embora de vez, mas eu não estou gostando desse treino. Com quem eu vou ficar falando as minhas mil bobagens? Seu senso prático me diria que é a vida, e a vida é assim mesmo.

Mas o que a vida tem a declarar sobre saudade?

Com amor,

C.

5 comentários:

Srta.T disse...

Putz amica...
=(

Kelli disse...

Que lindo isso. Deu até um aperto no coração de tão sincero.

Amber F. disse...

Ô dó...

nina disse...

Me senti muito tocada com essa sua carta. Sei bem o que é se sentir orfã de uma pessoa que não morreu: tem-se a mesma impressão de que não voltará a vê-la, tal qual se tivesse realmente morrido. No meu caso, de fato nunca mais vi essa pessoa (embora saiba que ela continua vivinha da silva). Mas independente disso, se voltará a ver essa pessoa novamente ou não, a falta e a saudade machucam e não há palavras que possam confortar.

Ariett disse...

Eu tô nessa também, de saudade de alguém que vai embora para sempre a qualquer momento. É ruim.